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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos
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| Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães |
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Poesia do dia
Dia dos namorados atrasado
"El deseo es más vasto que el amor pero el deseo de amor es el más poderosos de los deseos." Octavio Paz
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h08
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A vida necessita de pausas...

Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h27
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Dicionário das coisas importantes
Recebi por e-mail este poema de autor desconhecido:
Não está no Aurélio
Abandono:
quando a jangada parte
e você fica.
Adeus:
o tipo de despedida
mais triste que existe.
Adolescente:
toda criatura que tem fogos
de artifício dentro dela.
Artista:
espécie de gente que nunca vai deixar
de ser criança.
Ausência:
uma falta
que fica ali presente.
Fotografia:
pedaço de papel que guarda
um pedaço de vida nele.
Filho:
serzinho adorável e todo seu,
que um dia cresce e passa a ser todo dele.
Gelo:
aquilo que a gente sente na espinha
quando o amor diz que vai embora.
Lealdade:
qualidade de cachorro
que nem todas as pessoas têm.
Lágrima:
sumo que sai dos olhos
quando se espreme um coração.
Ousadia:
quando o coração
diz para a coragem: - vá!
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h30
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Mensagem para as mães
Trecho do poema A vida, de Cora Coralina:
A água estava pelo queixo. Eu bracejava, bracejava. Quatro crianças no meu dorso, agarradas nos meus cabelos, nas minhas orelhas, nos meus ombros, nas minhas carnes. Quatro crianças que eu levava comigo e que devia levar até o porto. E eu bracejava, bracejava. Fui a última? Não. Não fui a última. Porque bracejando, com aquelas crianças no meu dorso, eu vi passar náufragos, pedaços de barcos destroçados. Náufragos agarrados numa tábua. Corpos mortos de famílias desajustadas, destroçadas. E um dia a correnteza, depois de muita luta, muito esforço, a correnteza me jogou no remanso. E o remanso me jogou para a margem. Senti uma solidez para os meus pés.
Levantei. Saí da água escorrendo com a dor. Corridos, molhados, ainda sentindo no dorso aquelas quatro crianças. Depois pisei a terra firme da margem. As crianças saltaram do meu dorso e o que vi nesta hora... Esta hora foi a hora do deslumbramento. Eu havia carregado quatro crianças? Não. Quatro gigantes haviam me carregado. Eu não carreguei meus filhos. Quatro gigantes me carregaram. Saltaram dos meus ombros quatro gigantes. Eu vi. E compreendi que aquelas crianças que eu pensava que estava carregando, agarradas aos meus cabelos, às minhas orelhas, eram quatro gigantes que me carregavam.
Fonte: Correio Braziliense, 14 de maio de 2006
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h49
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Cidade melhor que a tentação
Após mais de um mês de ausência, estamos retomando o blog. Nesse tempo, comemoramos um ano de existência do Poesia e +, visitamos o Rio, e tantas outras coisas aconteceram. Relembrando a cidade maravilhosa, trago uma composição de Noel Rosa que busquei no site blocosonline.
Cidade Mulher
Noel Rosa
Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração
Cidade notável, inimitável
Maior e mais bela
que outra qualquer
Cidade sensível, irresistível
Cidade do amor,
Cidade-mulher
Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h35
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Brasa dormindo contra o vento
Inverno (Anhangabaú da Felicidade) José Miguel Wisnik
A minha casa é uma caixa de papelão ao relento Brasa dormindo contra o vento Semente plantada no cimento Criança na calçada
A minha casa é geladeira televisão sem nada dentro Fogo que se alimenta do seu próprio alimento Corpo com corpo dando alento Pra campanha do agasalho
O meu cenário é a fria luz da madrugada Dando espetáculo por nada Calçada da fama iluminada Pela Eletropaulo
A minha casa é a maloca rasgada no futuro É o inverno é o eterno enquanto duro Osso duro osso duro que ninguém Há de roer
A minha casa é o céu e o chão caroço bruto Catado no vão do viaduto Dando pro Anhangabaú Da felicidade
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h18
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A vida necessita de pausas
O Caderno Pensar, do Correio Braziliense de hoje, está totalmente dedicado à poesia. A certa altura, uma pergunta instigante a dois poetas, e duas respostas:
O que é necessário para fazer um bom poema?
Alice Ruiz: Acho que tem um lado que chamaria de material, você precisa estar familiarizado com a palavra. Mas existe um instrumento espiritual, que é se conectar com o sentimento e o pensamento de sua época e, antes de mais nada, dizer a verdade. Existem poetas com técnica maravilhosa, mas que não vão ao âmago da questão e se contentam com floreios lingüísticos. Isso não é poesia.
Carlito Azevedo: Para fazer um bom poema são necessárias muitas coisas (talento, costume de ler bons poemas, reflexão, etc). Mas para fazer um poema extraordinário só é necessária uma coisa:sorte.
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h06
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Uma pausa para a poesia
agora sim
tenho a morte na alma
e a vida nas mãos
haja ou não
um você aqui
agora eu estou só
agora sim
o que sobrar de mim
é meu
agora não há mais dúvida
pagando todas as dívidas
me livrarei deste eu
este agora que me escapa
me inaugura e funda
outro eu que vai pro mundo
outra dor que vai a furo
outro agora ainda mais fundo
por um segundo mais claro
agora é claro
que seja escuro
Alice Ruiz
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h05
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Mais uma pausa para a poesia
Salto
Se alguma pedra pudesse tornar-se lírio
seria esta
se alguma pedra o salto de um tigre
e não o tigre
seria esta
alguma as letras do alfabeto
seria esta
esta só pontas
que pulsa
coração da casa
que acabas de deixar
para sempre
Carlito Azevedo
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h04
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Poema do Veríssimo
Recebi este poema como sendo do Veríssimo. Não sei se é realmente dele, mas é muito legal:
Poema Mais Ou Menos De Amor
Luis Fernando Veríssimo
Eu queria, senhora, ser o seu armário e guardar seus tesouros como um corsário.
Que coisa louca: ser seu guarda-roupa!
Alguma coisa sólida, circunspecta e pesada nessa sua vida tão estabanada.
Um amigo de lei (de que madeira eu não sei).
Um sentinela do seu leito — com todo o respeito.
Ah, ter gavetinhas para suas argolinhas.
Ter um vão para o seu camisolão e sentir o seu cheiro, senhora, o dia inteiro.
Meus nichos como bichos engoliriam suas meias-calças, seus sutiãs sem alças.
E tirariam nacos dos seus casacos.
Ah, ter no colo, como gatos, os seus sapatos.
E no meu chão, como trufas, suas pantufas...
Seus echarpes, seus jeans, seus longos e afins.
Seus trastes e contrastes.
Aquele vestido com asa e aquele de andar em casa.
Um turbante antigo.
Um pulôver amigo.
Bonecas de pano.
Um brinco cigano.
Um chapéu de aba larga.
Um isqueiro sem carga.
Suéteres de lã e um estranho astracã.
Ah, vê-la se vendo no meu espelho, correndo.
Puxando, sem dores, os meus puxadores.
Mexendo com o meu interior — à procura de um pregador.
Desarrumando o meu ser por um prêt-à porter...
Ser o seu segréto, senhora, e o seu medo.
E sufocar, com agravantes, todos os seus amantes.
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h36
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À lá Nelson Rodrigues
Ai ai ai
Portão
abre
cachorro
late
homem
entra
mulher
beija
janta
come-se
cama
dorme-se
portão
abre
cachorro
late
homem
sai
mulher
beija
QUEM?
Outro
que entra
cachorro
nem late
mais
Ricardo Senna Guimarães
Foto: Wisnuk (Indonésia)
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h17
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Corpo que barulha com o vento e o silêncio é poesia
Para Manoel de Barros
Fabio Rocha www.fabiorocha.com.br
Seu Nhonhô
morava no silêncio
e tinha cabelos de nuvens.
Era irmanado das águas paradas
e de quando em vez libélulas
punham ovos em sua cabeça.
Sua voz tinha falha de crostas
e vulcões invisíveis expeliam o nada por suas ventas.
Da última vez que o vi
estava árvore.
Quando foi cortado,
se cercou de cinza
e desandou a falar sem dizer.
Como um Eco
Albano Martins
Não tinhas
nome. Existias
como um eco
do silêncio. Eras
talvez
uma pergunta
do vento.
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h57
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Porque no silêncio me senti tocado pelas suas palavras
O vento escreve
silêncio
na neve
Aurelino Costa
"Andando pelas ruas escuras de Londres, pisava Sylvia Plath sobre folhas adormecidas no frio. O barulho não era o mesmo do verão passado quando tilintavam pássaros buscando os restos de comida deixados pelos turistas. Restava à poeta apenas o corpo barulhando com o vento e o silêncio. E corpo que barulha com o vento e o silêncio é poesia. Sylvia Plath fazia poesia nas madrugadas inglesas, e a fazia com o corpo. Seriam seus ossos, sangue e carne o sustento do corpo, como são as imagens, delírios e milagres varadouro da poesia?"
Hilda Hilst e Alejandra Pizarnik: Passeios Poéticos Corpóreos
Autora: Joelma Rodrigues
Universidade Federal de Pernambuco
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h12
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Sou o dono da palavra: depois que eu falo, a palavra é minha dona
Vamos dedicar algum tempo a observar o silêncio, algo tão incomum nestes tempos. Trago recortes de uma pesquisa rápida sobre o tema na internet.
“Nas entrelinhas do dia-a-dia, do não-dizer ou do dito. No meio do caos urbano, da tranqüilidade da montanha, do frescor do mar. Nas esperas de amor e ausências, nos momentos de entrega, nas realizações de desejos. Onipresente, o silêncio é a resposta ao indizível, ao inefável. É o companheiro fiel dos sentimentos: das descobertas ao medo, do autoconhecimento à angústia, do vazio à plenitude.”
Paula Barcellos, comentando no Caderno Idéias do JB o lançamento do livro “Sobre o silêncio”, de Andréa Bomfim Perdigão. Consenso das entrevistas que compõem o livro: a sociedade contemporânea, movida a hiperestímulos auditivos e visuais, não tolera o silêncio.
Fernando Pessoa também refletiu sobre o silêncio:
O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...
Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...
Duas primeiras estrofes do poema Hora absurda, de Fernando Pessoa
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h21
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Um poema para o ano que se inicia
Sísifo
Miguel Torga
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, poeta, ficcionista e ensaísta português nascido em 1907 e morto em 1995. É o pseudônimo literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Na adolescência, morou durante cinco anos no Brasil, numa fazenda em Minas Gerais.
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h41
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