triunfos no varal

a outra face da moeda razão
certos planos
ele costuma cumpri-los à noitinha
no lusco-fusco dos vultos
quando a sua loucura
encontra companhia
não no desvio
mas no plural das personagens do mundo
quando escurece
toma para si a outra face da moeda razão
considera sem preço
sua emergência hedonista
e tilinta à caça pelas ruas
entre as sombras do refletor
o abrigo da marquise
o odor do fim do dia
faz com pressa tudo
o que a noite escura lhe permite
para ter o prazer
de tudo se arrepender
quando o sol voltar a brilhar
e assim vai
ostentando seus triunfos
à vista de todos
à luz do dia
como medalhas penduradas no varal
Ricardo Senna Guimarães
Foto: Xiao Wei

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Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h51