Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



Histórico
 Ver mensagens anteriores



Categorias
Todas as mensagens
 Link
 Evento
 Citação
 Poemas meus
 Li, tô lendo, vou ler, vi
 Onde está Érika Vander?
 E Deus criou a mulher...
 Poesia do dia


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ricardo Senna Guimarães - novo blog
 Blocos
 sonetos.com.br
 Seção de Poesias da Casa da Cultura
 Messaginabótou - revista eletrônica de literatura
 Guia de poesia
 Poeta Luiz Alberto Machado
 Blog da poeta Virna Teixeira
 Nicolas Behr
 Blog da Mônica - 312 sul
 Fotolog do Rodrigo
 Meu fotolog


Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Poemas meus



triunfos no varal

 

a outra face da moeda razão


certos planos

ele costuma cumpri-los à noitinha

no lusco-fusco dos vultos

quando a sua loucura

encontra companhia

não no desvio

mas no plural das personagens do mundo


quando escurece

toma para si a outra face da moeda razão

considera sem preço

sua emergência hedonista

e tilinta à caça pelas ruas

entre as sombras do refletor

o abrigo da marquise

o odor do fim do dia


faz com pressa tudo

o que a noite escura lhe permite

para ter o prazer

de tudo se arrepender

quando o sol voltar a brilhar


e assim vai

ostentando seus triunfos

à vista de todos

à luz do dia

como medalhas penduradas no varal


                     Ricardo Senna Guimarães



Foto: Xiao Wei



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h51
[] [envie esta mensagem]



Vento seco de inverno

Um latido longe de cão vira-lata,

A bomba jogando água na caixa

As crianças de algazarra no quintal...

Aquela mulher observa tudo:

O sol frio que ilumina o terno,

As camisas penduradas no varal

E as migalhas deixadas em cima da mesa.

Um vento seco de inverno

Desalinha dois fios de cabelo denso

Preocupados e quase inertes

Nesta tarde de sábado eterno.


Cozinha: o lugar da casa onde estão

Esquecidos, deixados ou até semeados

Medos, sonhos e desejos

Daquela mulher madura em si

E verde de amores experimentados.

Cozinha porque é assim que aprendeu

Nas tardes em que as mulheres reunidas

Deleitavam escritos trocados

Que diziam como reunir ingredientes

Assá-los em forno quente

E transformá-los em homens casados.


Mistura é a palavra da vida daquela mulher.

A mistura de amor e amansamento,

Ponto certo de vida conforme

Tanto quanto sorriso e docilidade,

Máscara justa de certo sofrimento.

Mistura tédio de uma vida digna

Com a dor de um tempo perdido,

Como agora prepara essa oferenda

Em tonel exposto entre as pernas

Mistura de melaço e amargor

Iguaria fina de mulheres como aquela.

Calda quente, seiva úmida

Servida com fervor

Ao homem que chega em casa derrubando portas

E desalinhando pêlos

Como o vento seco de inverno.


     Ricardo Senna Guimarães

 

Foto: Mietek Kalinowski



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h18
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]