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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Poemas meus



(sem título)

 

abandono


melhor regar

as sempre-vivas


as lágrimas nunca chegam

a fecundar a terra


                  Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h14
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(sem título)

 

na cabeça

o que resta

da vontade de ser

flechada

 

no corpo

o alvo

perfume de spray

certeiro

 

                   Ricardo Senna Guimarães

 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h08
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Visita da poeta

 

Gentileza muito grande da poeta Virna Teixeira, recebi seu primeiro livro, “Visita”, publicado em 2000 pela 7Letras. Além do livro autografado, Virna enviou-me observações sobre sua poesia e seu estilo de escrita, muito úteis para mim que a admiro como poeta.


De “Visita”, selecionei um belo poema. Acho que tem muito a ver com outro que escrevi há tempos. Publico os dois:


Meio-dia

        Virna Teixeira


beira de viaduto,

mendigo

descalço


televisão nos braços


súbito, arremessada

avenida abaixo


cacos

carros veloz

disputa

dos pedaços, asfalto


enquanto


esfregar de mãos

os passos

sem pressa.



Viaduto, fim de tarde

             Ricardo Senna Guimarães


na amplitude

da altura

a visão


na incerteza

das mãos

o ato


no vulto

inerte

a ressonância

do percurso


na gente

embaixo

o recolher

de mais um dia



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h18
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20 de julho - dia do amigo

 

Hoje é dia do amigo! Para mim, as melhores lembranças de amizade vêm da infância...


Amigo velho

Ao Marco Aurélio, um velho amigo


Um velho amigo telefonou-me

amigo velho

desses que a gente não vê e não esquece

e não convive mas vive

de lembranças

de passagens tão autênticas

que mereciam ser registradas em livro.


Amigo velho

amigo que era braço e perna

jogo e vida

ar e sangue daqueles tempos

e que tempos!


Tempos que passaram

tempos em que a fantasia era a realidade

e tinha-se plena convicção disso

tempos de infância

em que um amigo valia a vida

e a vida valia muito.


Amigo velho

vamos nos encontrar

será que voltaremos a nos ver

ao menos por um instante

de calças curtas

                    de cara suja

                                   de braços dados?


                        Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h11
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Alternativa poética

 

Há poucos dias comentei este belo poema de Virna Teixeira:


um travesseiro

bordado, canto

esquerdo:

ninguém”


É, sem dúvida, uma composição que nos deixa atônitos diante da solidão constatada pela personagem. Tocado por isso, apresento não uma resposta, mas uma alternativa:


Adolescência


Apalpando o bico

do travesseiro

como um seio


ele tem

as mulheres


que quer

todas

as noites


           Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h20
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Intimidades

 

o tempo seco

em Brasília

pega de surpresa


os dedos rijos

de frio

alcançam

o íntimo de uma fruta


o sumo segredado

derrama


o poeta

com frio

encontra sabor

na ponta dos dedos


como todas as noites

                       

                        Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h23
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aprender o significado

da marca deixada

na cama vazia


o corpo deitado

o peso deixado

na cama vazia


a janela aberta

o cheiro deixado

na cama vazia


a palavra ciúme

não dita

deixada

na cama que ardia

 

                       Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h35
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