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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Poemas meus



 

três dias da infância dedicados

a escrever bilhete

entregá-lo com mão trêmula

perder sono

esperar resposta

- talvez melhor que não venha -

até o ansiado sim

sem saber o que fazer com ele

mas que vale o primeiro beijo


a paixão

move

montanhas

e

a vida

escorrega

entre os dedos

 

               Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h50
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Russeu


Endurecido

por compressão ou fricção contínua

inchaço

sensação que se experimenta

protuberância

mal quista ou não esperada

excrescência

sensível ao leve toque

capuz

roxo por natureza do roxo

carnoso

expesso, exposto

pretensioso

o calo

 

       Ricardo Senna Guimarães

   



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h57
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Oficina de criação poética

O poema abaixo foi reescrito para a oficina. Apresentei-o na última sexta-feira e foi muito bem recebido. A entrada dos personagens tornaram-no mais telúrico, mais real, a meu ver.

 

Sina e busca


Chega, meu jovem

senta comigo nesta pedra

ouve o entardecer

pois lhe digo

sim, é necessário garimpar

à cata da pedra valiosa

ambicionada por sua raridade e dureza

a cura da vida dolorosa

aquela encardida e que brota

à custa de magia e de destreza

de quem quer da sina a sua quota.


Vê, meu jovem

o entardecer nos mostra

que é preciso revolver

o chão duro da lavra alvissareira

descrita em rotas de expedições ancestrais

sujeito a surtos de ânsia e de cegueira

e assim mesmo tornar puro ou perfeito

o caldo do barro e dos cristais

que se busca e se esvai liquefeito.


Ah, meu jovem

o entardecer me ensinou

que antes da noite

há de barganhar

o brilho efêmero do tesouro apurado

catado a cargo de graça e de músculo

a fim de demorar-se mais no achado

único, precioso e somente assim: Amor

já que, meu jovem

forjado fosse com a minúsculo

dúvidas traria sobre seu real valor.


                         Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h25
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Leia em voz alta

Este poema que apresento abaixo segue a tradição oral da poesia. É um poema feito para ser falado, inclusive por mais de uma voz. Por isso o título. A idéia é que um coro de vozes faça o eco dos trechos marcados com [ colchetes ]. O efeito é muito bonito, especialmente se for lido compassadamente, no ritmo de uma súplica, sentindo o vento frio que bate no alto da montanha, faz revoar os cabelos e invade a alma de alguém apaixonado... Experimente!


Poema para duas vozes: [amo, amo, amo]


Quero, quero, quero

este amor.

Não me basta o amor.

Insisto, suplico, imploro.

Necessito que respondas:

amo, amo, amo.


Faço de tudo

por este amor,

vou ao país mais distante

por este amor,

subo a montanha mais alta

por este amor,

onde meu grito

por este amor

faz eco

           [ eco

                   eco

                         eco. ]


Grito meu grito mais forte

por este amor.


Grito: quero!

                    [ quero

                                quero

                                          quero ]

Grito: rogo!

                  [ rogo

                            rogo

                                    rogo ]

Grito: clamo!

                    [ clamo

                                clamo

                                          clamo ]

E quando gritar: amo!...




                                      Terei a resposta?

 

                                                                Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h03
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Poema para o dia dos namorados

Imagem: http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/temdomes/2005/06/namorados/temdomes.htm

Garimpar

à cata da pedra valiosa

ambicionada por sua raridade e dureza

a cura da vida dolorosa

aquela encardida e que brota

à custa de magia e de destreza

de quem quer da sina a sua quota.

 

Revolver

o chão duro da lavra alvissareira

descrita em rotas de expedições ancestrais

sujeito a surtos de ânsia e de cegueira

e assim mesmo tornar puro ou perfeito

o caldo do barro e dos cristais

que se busca e se esvai liquefeito.

 

Barganhar

o brilho efêmero do tesouro apurado

catado a cargo de graça e de músculo

a fim de demorar-se mais no achado

único, precioso e somente assim: Amor

posto que forjado fosse com a minúsculo

dúvidas traria sobre seu real valor.

 

                                                                                                             Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h24
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Santuário

                          Jatobá Mãe da Floresta, na fazenda Vagafogo, em Pirenópolis

 

Santuário


Há certos cabelos sobre a face da terra

Que têm a capacidade

De mudar a vida de um homem


Sigo sua trilha

Por entre florestas inexploradas

Escutando o som de orquídeas raras

Chegando em mananciais

Que se encharcam ao leve toque

Encontrando, por suas mãos,

Pepita diamante rubi

Bruto em rochas que lembram lábios


Vou lapidá-lo

E provocar tempestades

Descargas elétricas

Terremotos

Na bela floresta

De certos cabelos


Somos seres em extinção

Nossas radiações luminosas

São absorvidas pela atmosfera terrestre


Somos seres apaixonados

Flutuamos junto à copa das árvores

Deixamos no rio nossos medos de adolescentes


Somos cegonhas

Trazemos boas novas aos habitantes da terra

Precisamos de proteção


O santuário é nosso habitat

O santuário que acolhe nossas pegadas

E nossos risos

E nossas dores

E tudo aquilo que queremos que fique

Só entre nós

Nossos segredos

Os seus, os meus

E os do santuário.


Queria levar lembrancinhas tuas

Pedrinhas

Florzinhas

Souvenires teus

Porém as leis do santuário

Devem ser respeitadas

Levo você dentro de mim.


A sabedoria do santuário

Está em nós

Somos leves porque somos puros

Somos puros porque somos eu e você

Somos inocentes porque estamos aqui

E esse seu corpo

Sobre o meu

Pesa mais que qualquer consciência.


A paixão é responsável

Por criar alegria

Por jogar e brincar

E esses seus certos cabelos são o jogo

Em que aos poucos eu me perco

E aos poucos me perdôo

Sob o céu da vagafogo.


 

                                             Uma pequena amostra da capacidade do cerrado em conjugar as suas cores com a do céu

Mais fotos do passeio a Pirenópolis estão no post abaixo e no flog: http://ricardosenna.vipflog.com.br



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h39
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 Três composições sobre o sono e muito mais:


entre o deleite e a aurora

Ricardo Senna Guimarães


totalmente só

no casulo

respira


prepara

a metamorfose


suas mãos

buscam apoio

no meu braço


seus pés

enlaçam os meus

entre os lençóis

e o silêncio

da noite


dormimos

levemente juntos


eu e minha borboleta


que se revela

toda manhã



um tratamento

Eduardo Jorge


as palmas perlongam pelas costas com carinho. sentem as costelas. os dedos decifram pouco a pouco, osso a osso. as mãos se ajustam ao trapézio em leves contrações. a tosse gera outro silêncio: o de dormir juntos, abraçados.



O solar do poeta

Francisco dos Santos


A alva

desentrevando

as asas


As sombras

amorcegando

nos olhos


A boa amante

de pés leves

ressonando

entre cetins


Nenhuma ruga

na leve luz

que amanhece


Na jaula do tórax porém,

desencorajado tigre dorme





Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h30
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