Santuário
Jatobá Mãe da Floresta, na fazenda Vagafogo, em Pirenópolis
Santuário
Há certos cabelos sobre a face da terra
Que têm a capacidade
De mudar a vida de um homem
Sigo sua trilha
Por entre florestas inexploradas
Escutando o som de orquídeas raras
Chegando em mananciais
Que se encharcam ao leve toque
Encontrando, por suas mãos,
Pepita diamante rubi
Bruto em rochas que lembram lábios
Vou lapidá-lo
E provocar tempestades
Descargas elétricas
Terremotos
Na bela floresta
De certos cabelos
Somos seres em extinção
Nossas radiações luminosas
São absorvidas pela atmosfera terrestre
Somos seres apaixonados
Flutuamos junto à copa das árvores
Deixamos no rio nossos medos de adolescentes
Somos cegonhas
Trazemos boas novas aos habitantes da terra
Precisamos de proteção
O santuário é nosso habitat
O santuário que acolhe nossas pegadas
E nossos risos
E nossas dores
E tudo aquilo que queremos que fique
Só entre nós
Nossos segredos
Os seus, os meus
E os do santuário.
Queria levar lembrancinhas tuas
Pedrinhas
Florzinhas
Souvenires teus
Porém as leis do santuário
Devem ser respeitadas
Levo você dentro de mim.
A sabedoria do santuário
Está em nós
Somos leves porque somos puros
Somos puros porque somos eu e você
Somos inocentes porque estamos aqui
E esse seu corpo
Sobre o meu
Pesa mais que qualquer consciência.
A paixão é responsável
Por criar alegria
Por jogar e brincar
E esses seus certos cabelos são o jogo
Em que aos poucos eu me perco
E aos poucos me perdôo
Sob o céu da vagafogo.
Uma pequena amostra da capacidade do cerrado em conjugar as suas cores com a do céu
Mais fotos do passeio a Pirenópolis estão no post abaixo e no flog: http://ricardosenna.vipflog.com.br