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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Poemas meus



 

Reação


Provocou

elevações súbitas

preenchimento de corpos com sangue quente

alteração de espessura, densidade, consistência

velocidade


Incrementou

a riqueza de cores visíveis

ebulição de órgãos agudos, penetrantes

contração de instrumentos vulneráveis

ramificados


Realçou

o vulto perceptível

torrente em ímpeto de vigor, intensidade

surto de tornar palpável, evidente

querer


Abalou

o instante das coisas decididas

tônus e estrutura, textura, efervescência

acesso da razão às partes subalternas

equilíbrio


Atingiu

o miolo do ser

o fundo, o recôndito, o escondido

aproximação de faces rubras

fixar da vista


(mesmo tendo sido apenas isto:

um quase beijo)



                          Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h13
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Uma brincadeira em forma de soneto inglês:


Conselho


O café da manhã que você toma

e que te sustenta por todo o dia,

mesmo que tenha o mais doce aroma,

pode lançar fel onde não havia.


Tal como uma fórmula de alquimia,

capaz de transformar prazer em dor,

tanto pode fazer que acabaria

por deixar-te cedo de mau humor.


Casos há nos quais instala torpor

naqueles que cultivam altivez;

e já vi, com estupendo fragor,

feri-los e derrubá-los de vez.


Portanto, a você que se pensa Don Juan

aconselho rigor no café da manhã!

 

                    Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h16
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Ao som de um trompete

Um soneto meu, composto em dodecassílabos (comumente chamados de alexandrinos). Entretanto, veja no post abaixo porque os versos deste soneto não podem ser considerados verdadeiramente alexandrinos, apesar de possuírem doze sílabas.

  Ao som de um trompete


À noite, longe, ouve-se o som de um trompete

Que vem aos poucos preencher nossos ouvidos,

Delicado como um coração que derrete

Ao descobrir o motivo de ter nascido.


Afinal dançaremos sobre este carpete

Os passos comuns só agora adquiridos,

Sorvendo o clarão de luz que a lua reflete,

Vivendo o prazer tantas vezes merecido.


Transbordaremos carícias até a aurora,

Avivando o desejo que seu corpo adora:

Serei seu galã e você minha vedete!


A cumprir o destino não cumprido outrora,

Seremos um só ser adiante e agora

Neste som de milagre que vem de um trompete.

 

                                        Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h24
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Oficina de criação poética

Poemas reescritos buscando valorizar a melodia, segundo as sugestões do nosso poeta-mestre Marco Antunes e dos colegas, na oficina de hoje:


Quem me dera o seu beijo

em Minas

               na fazenda

                                 com café

quem me dera um pão de queijo...


*****


Um vento forte

balança a árvore da minha infância

balança pra cá

balança pra lá...


Ah! Saudade da minha avó

que gostava de rede.


*****


Resumo


Quis saber se me amava

e suprema audácia

respondeu que eu usava

uma bonita gravata!

Me disse:

moço,

não tenho nada com isso,

não quero mais compromisso


um dia

se a saudade bater

e a vontade vier

aí eu te vejo,

te chamo pr'um beijo,

um trago,

um passeio,

um aperto de mão

e algo mais que deságüe

no meu coração.”


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h22
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Poema erótico frente tua necessidade

 

Se desejavas tanto

tatear-me no escuro

a noite é esta

sem lua

                               aproveita o manto

                               a sombra do muro

                               acha a fresta

                               desabotoa

                                                            não causo espanto

                                                            sou pouco maduro

                                                            o que me resta

                                                            recua

                                  (frente tua necessidade de algo que fira)

 

 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h16
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Jornada de um ser pela face de outro ser

 

Lembro-me que nasceu oportunista

em um momento único de contentamento

quando ele queria e viu realizado

e produziu essas certas substâncias inesperadas

 

Ainda vejo-a surgindo

em um canto especial do corpo

dócil, consciente e preparado para a criação original

 

Iniciou sua caminhada de forma lenta

mostrando-se à realidade

descobrindo-se peregrina

quando explorou o terreno fértil

a ela concedido

face a face com o mistério

de sua exposição

 

Enfrentou as rochas e sulcos

ali colocados pelo tempo

mas conseguiu ser célere

pois o sentido lhe era favorável

 

Tanto fez que acabou por cruzar

com altivez e brilho (próprios da sua natureza)

o último obstáculo:

o monte vermelho e úmido

que finda em abismo voraz

 

Enfim, morreu

como se vão os predestinados

engolida em calda quente

mas de forma quase imperceptível

 

E tudo porque, agora sei,

em seu íntimo alimentava o sonho

de revelar a ele seu gosto salgado

de lágrima

 

         Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h08
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A estação das folhas

Estamos no outono! O frio e o ar seco já começam a nos espreitar, com o claro objetivo de nos seqüestrar pelos próximos quatro a cinco meses. Não há como fugir, seremos suas próximas vítimas. Penso no poeta que acaba de receber a seiva de um novo poema, que sente a necessidade expressa de fazer chegar essa seiva, esse caldo alimentício, às folhas brancas de papel para exibi-las exuberantes. A seiva vem forte, quer subir, e o poeta, com mãos ágeis vai jogando no papel as idéias. E elas não casam a princípio. E as tentativas vão gerando folhas escritas, rabiscadas, jogadas ao chão, até que o poeta chega à sua construção desejada: o poema. As árvores, no outono, estão escrevendo poemas. E as tentativas geram folhas ao chão.


Folhas ao chão


Há uma seiva que vem do chão e corre dentro de mim

que me coça os pés raízes

que me sobe as pernas varizes

que me cursa os braços galhos

que me entranha aroma narizes

que me alcança a cabeça crises

e me gera frutos retalhos.


Essa seiva densa que me diz coisas vazias embaralho

me traz palavras vãs e alguma poesia abandono

devolvo em folhas soltas jogadas ao chão assoalho

como bem sabem fazer as árvores após o verão outono.


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h24
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Fogos

 

 

Ouço fogos quando me beijas

subindo aos céus

como chamas de um vulcão

que em meus braços

entra em erupção

lançando doces brasas por todos os poros.


Ouço fogos a cada beijo

sobre nossas cabeças iluminadas

sobre nossas loucuras de madrugada

quando espreitam-nos fadas

que nos levam a voar junto com elas

(borboletas sobre as atividades terrenas).


Ouço fogos no seu peito

e fogos me fazem pensar

que há mais

muito mais

que estrelas no céu...


Ah, menino!

Seus pais não lhe ensinaram

que não se deve

soltar fogos de artifício

sobre casais entrelaçados?


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h12
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