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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos
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Poemas meus
Oficina de Criação Poética
Neste momento tenho uma bandeja de frutas à minha frente, repleta de pedacinhos picados de mamão, banana, manga, abacaxi, melancia, melão e de uma fruta exótica: o caqui negro japonês. Pelo menos esse é o nome que a simpática Suzana, responsável pela banca “Tropical Frutas - as melhores frutas do DF” contou-me ser o da iguaria. O aspecto interno do tal caqui (não cheguei a vê-lo em casca) não é nada agradável nem convidativo. Em minha bandeja, parecem pedaços de maçã escurecidos por terem sido cortados e expostos há certo tempo. Mas não estão escurecidos, este é o seu aspecto natural, daí o nome. Lembram, também, pedaços de banana fritos salpicados de canela. Sem dúvida, dão um certo toque exótico à salada. Não chegam a ser feios ou repugnantes, nada disso. Possuem consistência firme e sabor ... de caqui. Usei as reticências para tentar demonstrar a sensação: as primeiras mordidas não revelam um gosto especial, mas quando você começa a engolir surge, ao fundo, quase como névoa, um sabor ligeiro de caqui, que fica mesmo momentos após a completa deglutição do pedacinho da fruta. Gostei: inusitado, carnudo, gostoso, poético.
Na oficina de todas as sextas-feiras, apresentei um poema que foi bastante criticado pelo professor. Chamo o poeta Marco Antunes de professor porque, a partir de hoje, passo a encará-lo assim, já que suas críticas me fizeram ver pontos antes não vistos e apresentaram reflexões interessantíssimas sobre o poema em questão. Gostei muito de ouvi-las. Até que enfim alguém para me dizer, de forma construtiva, que determinado poema, seja pela mensagem, seja pela forma, não funcionou.
Aliás, muito tenho aprendido nessa oficina. Procurei anotar esses aprendizados no caderno, e o que tenho até agora divido aqui:
-
1a lição fundamental: a poesia é algo que tem de ser dita, declamada. A poesia originou-se nas declamações em praça pública. A poesia nasceu antes da escrita, com forma e rima para facilitar a memorização da mensagem que necessitava ser transmitida. Então a poesia não é algo para ser lido fria e silenciosamente em uma folha de papel. Ela deve ser lida em voz alta, cantada, declamada, porque ela tem ritmo, ela é música.
-
Daí vem a 2a lição fundamental: a poesia deve ter ritmo. Aliás, a poesia é ritmo. Sem ritmo não há poesia. O ritmo é o que encanta na poesia, que torna sua leitura prazerosa, musical. Poesia é ritmo, e o ritmo é o que diferencia a poesia da prosa.
-
A poesia tem de ser espontânea, leve, verdadeira, natural. A autêntica poesia transmite uma verdade essencial. Compõe-se das palavras certas e do modo exato de dizer uma sensação humana. Para isso, o poeta deve mastigar o sentimento (vivido ou não) e cristalizá-lo em palavras, de forma que todos o reconheçam. O grande poeta é capaz de dizer o indizível, e ainda de modo belo, surpreendente, visceral, profundo. Não, não é tarefa nada fácil.
Han Yu, poeta chinês do século VIII, conseguiu captar essa relação do poeta com a palavra:
“Tudo ressoa, mal se rompe o equilíbrio das coisas. As árvores e as ervas são silenciosas: se o vento as agita, elas ressoam. A água está silenciosa: o ar a move, e ela ressoa. As ondas mugem: é que algo as oprime. A cascata se precipita: é porque falta-lhe solo. O lago ferve: algo o aquece. Os metais e as pedras são mudos, mas ressoam se algo os golpeia. Assim também o homem. Se fala, é porque não pode conter-se. Se se emociona, canta. Se sofre, lamenta-se. Tudo o que sai de sua boca em forma de som se deve a um rompimento do seu equilíbrio... A palavra é o mais perfeito dos sons humanos; a literatura, por sua vez, é a mais perfeita forma de palavra. E assim, quando o equilíbrio se rompe, o céu escolhe entre os homens os que são mais sensíveis e os faz ressoarem.”
-
A boa poesia deve trazer a linguagem da rua, sem preconceito. Devemos buscar a poesia na rua, na forma como as pessoas falam, o que e como falam. O bom poema tem o sotaque do seu tempo, porque o leitor deve se identificar no poema.
-
A boa poesia deve ser despretensiosa, sem dar lição de moral.
-
O verdadeiro poeta saboreia as palavras, ouve-nas como se fossem música. No poema verdadeiro, as palavras se emendam, se fundem, se amalgamam umas com as outras, formando um corpo fluido, no qual voam os sentimentos para, compreendidos, pousar na mão do leitor. Só isso.
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 15h45
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Amante às quartas
Tenho o céu da boca estrelado
para engolir as quartas-feiras
e trazê-las para a escuridão visível
onde me acontecem coisas
que não têm vez nos outros dias
nem mesmo aos domingos.
Nestes sou lampejo
relicário levado ao pescoço
sentinela de uma exposição lassa
em feixe de luz sem anteparos
reverenciado com afinco
afinal de claridade é feito o domingo.
Naquelas sou impressionável
alimento a energia vital capaz de acender os astros
e apagar os rastros
que trago em minha noite pontilhada
- afinal tenho o céu da boca estrelado
para engolir cada tempo de um dia
distinguível a olho nu
mastigá-los e descobrir o sabor
acre-asteróide do corpo dela
que em meu fluir dos dias
domingo é que não é.
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h15
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Sob os arcos da ponte
Sentado na beirada da ponte
tenho na cabeça vagas idéias
(no horizonte aquilo que parece uma chuva
na hora exata do pôr-do-sol
torna-me um ser imaginante)
um coração a bater sem platéias
o ar úmido que me calça como luva
e um lago de marola espumante
sou navegante no estreito sem farol
aqui, sob os arcos da ponte
sinto que estou à procura
de algo a mais do que tenho sob meus pés:
um dia esse lago tomar a forma de mar
um beijo profundo manifestado à ventura
que me roube palavras como faz uma onda
quando lambe a areia a fim de levar
o escrito de alguém de volta à fundura
um amor de brisa que me dê temperança
um feixe voraz de lucidez e ruptura
e um segredo qualquer para guardar
(aqui, sob os arcos da ponte
tenho essa esperança)
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h37
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Brasília e seus milagres construídos
pelas mãos do pioneiro encantado
admirou as árvores do cerrado
levantou palácios retorcidos
contemplou o céu emoldurado
cavou um lago intumescido
louvou o sonho abençoado
ergueu a urbe sobre o pó encardido.
Legou família de futuro indecidido
no chão feio do terreno alvoroçado
um só amor triunfante no passado
de gozo quente mas de rosto esquecido
hoje no fundo da terra do cerrado
(cavada como se fazia naquele tempo esmaecido)
é mais que um operário aposentado
é quase um rei, o pioneiro adormecido.
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h46
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Brasília está completando 45 anos e ainda continua um avião!
O lago soturno mantém sua vigília
uma garça apenas sobrevoa...
Meus amigos, o poder está mesmo
em Brasília!
******
Na cidade do rumo planejado
trilha
vereda
caminho de rato
riscam o gramado;
o homem recria Brasília
faz sua alameda
no anonimato.
******
Brasília criança
manchava de vermelho cerrado
as meias brancas
dos meninos da escola classe...
Ah, se o tempo não passasse
e não fossem só lembranças
meu coração vermelho corado
e Brasília criança.
******
Entre tantas árvores retorcidas
uma mangueira!
És tu, sempre Brasília
a hospitaleira.
******
Lembrando Nicolas Behr:
Em Brasília, 19 horas
horário brasileiro de verão
um redemoinho lá fora
poeira em espiral levanta
deixa tonto meu coração
e de repente tudo desanda
ela correndo no eixão
eu espiando da varanda.
******
Essas nossas tesourinhas
são de cortar o coração
ela ia pro eixinho de cima
eu queria voltar pela contramão
nosso destino se decidia
embaixo de eixão
Ricardo Senna Guimarães
Imagem: http://www.photoagencia.com.br/photo/imagens/fotos/exposicoes3172003133132alan9.JPG
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h45
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Amar
Entre as muitas formas de gostar
Tem uma que é assim:
Amar, amar, amar
Amar as pessoas e as coisas acima de tudo
Amar como se fosse a última oportunidade de amar
Amar como um pássaro ama seu vôo - voar com maestria
Amar como a água ama sua queda - cair com alegria
Amar como a árvore ama seu fruto - gerar com euforia
Amar, amar, amar
Viver e louvar o céu
Sonhar e agradecer ao sol
Sorrir e reverenciar à vida
Todo momento
Amar, amar e amar - cada dia.
Ricardo Senna Guimarães
(imagem:http://www.aflordapele.blogger.com.br)
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h09
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Oficina de criação poética
O nosso "dever de casa" era compor um poema com métrica e verso. Então, me saí com este, que apresentei hoje e foi muito bem recebido:
Machado de Assis, em seu Dom Casmurro, propõe-nos um desafio. No capítulo 55 – Um Soneto – está Bentinho na sua cama no seminário quando lhe surge na cabeça um verso:
“Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!”
Tentou compor um soneto. Eufórico com a perspectiva de tornar-se poeta, perdeu o sono, revirou-se na cama, repetiu o primeiro verso aos lençóis, aguardou os demais. Os versos não vieram. Acabou por compor o último:
“Perde-se a vida, ganha-se a batalha!”
Teve a sensação de que sairia um soneto perfeito, pois “começar bem e acabar bem não era pouco.” Entretanto, os versos insistiram em não vir. “Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos.” Deu-se por vencido e lançou o desafio à eternidade:
“Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta.”
Então aí vai o soneto que fiz:
Soneto de Socorro a Dom Casmurro
Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Rima que não me vens em noite escura,
Que embaixo desses lençóis não me surges
E que, má, ao meu amor não conduzes!
Espero a ti como espero a uma cura
Desta ausência que me leva à loucura;
Espero a ti que me venha de alhures,
Que não me grites, apenas murmures
A chave deste sono fugidio
Que já me faz réu e em meu peito entalha
Tal promessa vã ou coisa que o valha:
Só por ti todos os meus sonhos adio,
Entrego os dias e visto a mortalha,
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!
Escrito por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h26
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Aranha papa-moscas
Leia baixinho, de preferência sussurrando, para não atrapalhar a atividade da nossa personagem. Se a luz estiver apagada, não acenda. Se acesa, não apague. Não faça barulho nem movimentos bruscos. Ela precisa da sua colaboração.
Em minha mesa de trabalho
vejo uma pequena aranha papa-moscas
alheia às minhas tribulações
farejando o ambiente
garimpando suas oportunidades
com inteligência admirável
carrega com elegância
sua determinação firme
de superar um obstáculo
sem demonstrar fadiga
sem questionar as suas razões
(as dela e as do obstáculo)
com extraordinários encanto e beleza
põe à prova sua habilidade inata
enquanto, em determinado momento,
parece olhar para mim
e contemplar meu êxtase
frente a tal eficaz ausência de enganos
fazemos parte do mesmo mundo
buscamos nossas realizações
cumprimos nossas funções
teremos paz
A vida como ela é
Pequena mosca inocente
encontra aranha papa-moscas experiente
the end
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h59
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A quem escrevo?
Escrevo à sua pulsação
escrevo à sua parte mais tesa
à parte que o esmaga
àquela que lhe traz culpa
àquela que lhe requer coragem
à que caminha pisando em poças d’água
em noite solitária.
Nesses momentos escrevo de asas abertas
de cabeça plena, de braços dados com o inesperado
de encontrar-me só
de sentir-me nu, crucial.
Escrevo a quem precisa
e somente a estes sou capaz de dizer o que significa
sua parte tesa que acolhe
meu vôo de asas abertas
rumo ao seu pulsar mais íngreme.
Escrevo à sua liberdade.
Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h46
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Resumo
Quis saber se me amava
respondeu que eu usava
uma bonita gravata
me disse “moço
não tenho nada com isso
não quero mais compromisso
um dia
se a saudade bater
e a vontade vier
aí eu te vejo
te chamo pr'rum beijo
um trago, um passeio
um aperto de mão
e algo mais que deságüe
no meu coração”
Escrito por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h32
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Namoro sob o sol
Deitado no aconchego do teu ombro
na cama do teu colo
o sol está mais perto
as aves que voam sobre nós
ensinam-nos a vida
a leve vida de uma ave
a vida pode ser tudo
a paixão pode ser tudo
está nas mãos de quem as faz
está nas asas de quem sabe voar
minhas mãos são garças
que voam vôos de veludo
sobre teus pontos cardeais
não se contentam, voam mais
do teu sul ao teu norte
mão forte
do teu leste ao teu oeste
mão cafajeste
Meu sentimento sai quando transpiro
acordo molhado de suor
eu não te sonho
te imagino
abraço travesseiros que são você
escuto sons que são sua voz
vejo imagens que são seus cabelos negros
chupo balas que são seus olhos de amêndoa
fumo cigarros para engolir sua alma
quero dizer
pés encostem-se na parede
boca ajoelhe-se
braços entreguem-se
seios rendam-se a mim
menina mãos ao alto
você é minha prisioneira
você vai arder sob o meu sol!
Escrito por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h55
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Ex-amor
Creio que a ti também
aconteceu mais ou menos assim
não tinha ninguém
a quem dizer é o fim
agora já tenho
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h43
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Oficina de criação poética
Este eu apresentei hoje na oficina:
Percepção do fim
Adeus
tudo aconteceu num átimo
num fixar de olhos - meus e seus
o que antes gozava da cor das palavras
tem agora o matiz do silêncio
o que era aroma do fogo
é na essência frieza
o que tinha o peso de um lenço
se transformou em rudeza
a luz, antes acesa,
no tempo de um vulto
no raio de um breu
nos disse
adeus
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h31
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Rapidinhas
Quem me dera o seu beijo
em Minas, na fazenda, com café
quem me dera um pão de queijo...
*******
Não há lugar melhor
nem vista mais bela
que no colo dela
só Copacabana...
*******
Um vento forte
balança minha árvore da infância
balança pra cá
balança pra lá...
Ah! Saudade da minha avó
que gostava de rede.
*******
Largas folhas de palmeira
balançam ao sabor do vento...
Tchau!
Tchau pra você também!
*******
Cores nas alturas:
vermelhas, verdes e roxas...
Ah! Flores e frutas!
*******
Flor de violeta
perene no alto do armário
arranha-céu de encanto
*******
Há flores no açougue
feliz a proprietária
tem novo namorado
*******
A maçã descansa
entre peras e bananas
sua beleza
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h35
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Essência (ou Parmalat)
Somos
da carne
a mesma substância
corporalidade
encarnada
sangue do mesmo sangue
tenaz
cor daquele que nos gerou
brado
buscamos no afã do instinto
sorver mediante estímulo
nos pontos protuberantes
nas eminências arredondadas
o branco líquido quente
que jorra de dentro do ser
cálido
raça que nos fez
em essência nós
os mamíferos
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h23
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Choramos a morte da árvore centenária
Uma homenagem a Karol Wojtyla, esse Papa tão importante, tão discutido, tão presente, tão contraditório entre evolução e conservadorismo e, por isso mesmo, tão humano. Rezou sua primeira missa, como o Papa João Paulo II, em 22 de outubro de 1978, dia do meu 14o aniversário, e morreu em 2 de abril de 2005. Descanse em paz, João de Deus. (O que escrevi abaixo não foi pensando no Papa ou na sua morte, foi algo que já estava escrito há algum tempo. Porém creio que se ajuste bem ao momento e que seja uma homenagem ao conjunto de sua obra.)
Choramos a morte da árvore centenária
personagem central da nossa infância
gigantismo surreal
frente à pequena riqueza da nossa infância.
(Catástrofe ecológica em nossos corações enraizados.)
Choramos a morte da árvore centenária
esperávamos um dia mostrar aos nossos filhos
nomes troncamente escritos
velhos sonhos que acabaram por tombar.
(Que nossas lágrimas reguem a terra
e que as sementes da árvore centenária
façam surgir uma nova companheira
para a infância dos nossos netos.)
Choramos a morte da árvore centenária
as raízes expostas
longos, pétreos, calosos cordões rumo ao infinito
penosamente expõem
quão profunda a relação
da nossa juventude com sua temperança.
(Resta-nos agora chorar a morte da nossa velha árvore centenária.)
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h41
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Primeiros apontamentos
Por que criar um blog? Para que venhas comigo...
Porque as estrelas nos dizem muito.
Eu sou meus olhos
lentes que te vêem
observam todas as estrelas do teu céu
e descobrem vez por outra quasares reluzentes
quisera descobrir buracos negros...
Vejo-te e é tudo:
na noite escura do oceano
teu sorriso é um farol
céu e mar,
o encontro é no horizonte
(onde seremos anjos se cumprirmos
nossos desejos na Terra).
Surges em meus sonhos
como estrelas cadentes
que passam sobre nossas cabeças
e chegam ao horizonte antes de nós.
São anjos,
cumpriram seu dever de nos dizer tudo...
Eu sou meus sonhos
imagens que nos projetam
onde tudo é verdade
pois não há sombras na escuridão.
Acordamos descabelados de amor
e da brisa oceânica que bate
e leva nosso bote alhures.
Vamos!
Desagüemos no imenso mar!
O que viveremos?
O que sofreremos?
O que acharemos?
Só nós saberemos!
Publicado por Ricardo Senna Guimarães
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h32
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