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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Poemas meus



Oficina de Criação Poética

Neste momento tenho uma bandeja de frutas à minha frente, repleta de pedacinhos picados de mamão, banana, manga, abacaxi, melancia, melão e de uma fruta exótica: o caqui negro japonês. Pelo menos esse é o nome que a simpática Suzana, responsável pela banca “Tropical Frutas - as melhores frutas do DF” contou-me ser o da iguaria. O aspecto interno do tal caqui (não cheguei a vê-lo em casca) não é nada agradável nem convidativo. Em minha bandeja, parecem pedaços de maçã escurecidos por terem sido cortados e expostos há certo tempo. Mas não estão escurecidos, este é o seu aspecto natural, daí o nome. Lembram, também, pedaços de banana fritos salpicados de canela. Sem dúvida, dão um certo toque exótico à salada. Não chegam a ser feios ou repugnantes, nada disso. Possuem consistência firme e sabor ... de caqui. Usei as reticências para tentar demonstrar a sensação: as primeiras mordidas não revelam um gosto especial, mas quando você começa a engolir surge, ao fundo, quase como névoa, um sabor ligeiro de caqui, que fica mesmo momentos após a completa deglutição do pedacinho da fruta. Gostei: inusitado, carnudo, gostoso, poético.


Na oficina de todas as sextas-feiras, apresentei um poema que foi bastante criticado pelo professor. Chamo o poeta Marco Antunes de professor porque, a partir de hoje, passo a encará-lo assim, já que suas críticas me fizeram ver pontos antes não vistos e apresentaram reflexões interessantíssimas sobre o poema em questão. Gostei muito de ouvi-las. Até que enfim alguém para me dizer, de forma construtiva, que determinado poema, seja pela mensagem, seja pela forma, não funcionou.


Aliás, muito tenho aprendido nessa oficina. Procurei anotar esses aprendizados no caderno, e o que tenho até agora divido aqui:


  • 1a lição fundamental: a poesia é algo que tem de ser dita, declamada. A poesia originou-se nas declamações em praça pública. A poesia nasceu antes da escrita, com forma e rima para facilitar a memorização da mensagem que necessitava ser transmitida. Então a poesia não é algo para ser lido fria e silenciosamente em uma folha de papel. Ela deve ser lida em voz alta, cantada, declamada, porque ela tem ritmo, ela é música.

  • Daí vem a 2a lição fundamental: a poesia deve ter ritmo. Aliás, a poesia é ritmo. Sem ritmo não há poesia. O ritmo é o que encanta na poesia, que torna sua leitura prazerosa, musical. Poesia é ritmo, e o ritmo é o que diferencia a poesia da prosa.

  • A poesia tem de ser espontânea, leve, verdadeira, natural. A autêntica poesia transmite uma verdade essencial. Compõe-se das palavras certas e do modo exato de dizer uma sensação humana. Para isso, o poeta deve mastigar o sentimento (vivido ou não) e cristalizá-lo em palavras, de forma que todos o reconheçam. O grande poeta é capaz de dizer o indizível, e ainda de modo belo, surpreendente, visceral, profundo. Não, não é tarefa nada fácil.


Han Yu, poeta chinês do século VIII, conseguiu captar essa relação do poeta com a palavra:


Tudo ressoa, mal se rompe o equilíbrio das coisas. As árvores e as ervas são silenciosas: se o vento as agita, elas ressoam. A água está silenciosa: o ar a move, e ela ressoa. As ondas mugem: é que algo as oprime. A cascata se precipita: é porque falta-lhe solo. O lago ferve: algo o aquece. Os metais e as pedras são mudos, mas ressoam se algo os golpeia. Assim também o homem. Se fala, é porque não pode conter-se. Se se emociona, canta. Se sofre, lamenta-se. Tudo o que sai de sua boca em forma de som se deve a um rompimento do seu equilíbrio... A palavra é o mais perfeito dos sons humanos; a literatura, por sua vez, é a mais perfeita forma de palavra. E assim, quando o equilíbrio se rompe, o céu escolhe entre os homens os que são mais sensíveis e os faz ressoarem.”


  • A boa poesia deve trazer a linguagem da rua, sem preconceito. Devemos buscar a poesia na rua, na forma como as pessoas falam, o que e como falam. O bom poema tem o sotaque do seu tempo, porque o leitor deve se identificar no poema.

  • A boa poesia deve ser despretensiosa, sem dar lição de moral.

  • O verdadeiro poeta saboreia as palavras, ouve-nas como se fossem música. No poema verdadeiro, as palavras se emendam, se fundem, se amalgamam umas com as outras, formando um corpo fluido, no qual voam os sentimentos para, compreendidos, pousar na mão do leitor. Só isso.


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 15h45
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Amante às quartas


Tenho o céu da boca estrelado

para engolir as quartas-feiras

e trazê-las para a escuridão visível

onde me acontecem coisas

que não têm vez nos outros dias

nem mesmo aos domingos.


Nestes sou lampejo

relicário levado ao pescoço

sentinela de uma exposição lassa

em feixe de luz sem anteparos

reverenciado com afinco

afinal de claridade é feito o domingo.


Naquelas sou impressionável

alimento a energia vital capaz de acender os astros

e apagar os rastros

que trago em minha noite pontilhada

- afinal tenho o céu da boca estrelado

para engolir cada tempo de um dia

distinguível a olho nu

mastigá-los e descobrir o sabor

acre-asteróide do corpo dela

que em meu fluir dos dias

domingo é que não é.


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h15
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Sob os arcos da ponte


Sentado na beirada da ponte

tenho na cabeça vagas idéias

(no horizonte aquilo que parece uma chuva

na hora exata do pôr-do-sol

torna-me um ser imaginante)

um coração a bater sem platéias

o ar úmido que me calça como luva

e um lago de marola espumante

sou navegante no estreito sem farol

aqui, sob os arcos da ponte

sinto que estou à procura

de algo a mais do que tenho sob meus pés:

um dia esse lago tomar a forma de mar

um beijo profundo manifestado à ventura

que me roube palavras como faz uma onda

quando lambe a areia a fim de levar

o escrito de alguém de volta à fundura

um amor de brisa que me dê temperança

um feixe voraz de lucidez e ruptura

e um segredo qualquer para guardar

(aqui, sob os arcos da ponte

tenho essa esperança)


 Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h37
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Brasília e seus milagres construídos

pelas mãos do pioneiro encantado

admirou as árvores do cerrado

levantou palácios retorcidos

contemplou o céu emoldurado

cavou um lago intumescido

louvou o sonho abençoado

ergueu a urbe sobre o pó encardido.


Legou família de futuro indecidido

no chão feio do terreno alvoroçado

um só amor triunfante no passado

de gozo quente mas de rosto esquecido

hoje no fundo da terra do cerrado

(cavada como se fazia naquele tempo esmaecido)

é mais que um operário aposentado

é quase um rei, o pioneiro adormecido.


Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h46
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Brasília está completando 45 anos e ainda continua um avião!


 

O lago soturno mantém sua vigília

uma garça apenas sobrevoa...

Meus amigos, o poder está mesmo

em Brasília!


******


Na cidade do rumo planejado

trilha

vereda

caminho de rato

riscam o gramado;

o homem recria Brasília

faz sua alameda

no anonimato.


******


Brasília criança

manchava de vermelho cerrado

as meias brancas

dos meninos da escola classe...

Ah, se o tempo não passasse

e não fossem só lembranças

meu coração vermelho corado

e Brasília criança.


******


Entre tantas árvores retorcidas

uma mangueira!

És tu, sempre Brasília

a hospitaleira.


******

Lembrando Nicolas Behr:


Em Brasília, 19 horas

horário brasileiro de verão

um redemoinho lá fora

poeira em espiral levanta

deixa tonto meu coração

e de repente tudo desanda

ela correndo no eixão

eu espiando da varanda.


******


Essas nossas tesourinhas

são de cortar o coração

ela ia pro eixinho de cima

eu queria voltar pela contramão

nosso destino se decidia

embaixo de eixão

 

Ricardo Senna Guimarães

Imagem: http://www.photoagencia.com.br/photo/imagens/fotos/exposicoes3172003133132alan9.JPG



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h45
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  Amar

Entre as muitas formas de gostar

Tem uma que é assim:

Amar, amar, amar

Amar as pessoas e as coisas acima de tudo

Amar como se fosse a última oportunidade de amar

Amar como um pássaro ama seu vôo - voar com maestria

Amar como a água ama sua queda - cair com alegria

Amar como a árvore ama seu fruto - gerar com euforia

Amar, amar, amar

Viver e louvar o céu

Sonhar e agradecer ao sol

Sorrir e reverenciar à vida

Todo momento

Amar, amar e amar - cada dia.


Ricardo Senna Guimarães

(imagem:http://www.aflordapele.blogger.com.br)



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h09
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Oficina de criação poética

O nosso "dever de casa" era compor um poema com métrica e verso. Então, me saí com este, que apresentei hoje e foi muito bem recebido:

Machado de Assis, em seu Dom Casmurro, propõe-nos um desafio. No capítulo 55 – Um Soneto – está Bentinho na sua cama no seminário quando lhe surge na cabeça um verso:

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!”

Tentou compor um soneto. Eufórico com a perspectiva de tornar-se poeta, perdeu o sono, revirou-se na cama, repetiu o primeiro verso aos lençóis, aguardou os demais. Os versos não vieram. Acabou por compor o último:

Perde-se a vida, ganha-se a batalha!”

 

Teve a sensação de que sairia um soneto perfeito, pois “começar bem e acabar bem não era pouco.” Entretanto, os versos insistiram em não vir. “Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos.” Deu-se por vencido e lançou o desafio à eternidade:

 

Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta.”

Então aí vai o soneto que fiz:

                                             Soneto de Socorro a Dom Casmurro


Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!

Rima que não me vens em noite escura,

Que embaixo desses lençóis não me surges

E que, má, ao meu amor não conduzes!


Espero a ti como espero a uma cura

Desta ausência que me leva à loucura;

Espero a ti que me venha de alhures,

Que não me grites, apenas murmures


A chave deste sono fugidio

Que já me faz réu e em meu peito entalha

Tal promessa vã ou coisa que o valha:


Só por ti todos os meus sonhos adio,

Entrego os dias e visto a mortalha,

Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

 

Escrito por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h26
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Aranha papa-moscas

Leia baixinho, de preferência sussurrando, para não atrapalhar a atividade da nossa personagem. Se a luz estiver apagada, não acenda. Se acesa, não apague. Não faça barulho nem movimentos bruscos. Ela precisa da sua colaboração.


Em minha mesa de trabalho

vejo uma pequena aranha papa-moscas

alheia às minhas tribulações

farejando o ambiente

garimpando suas oportunidades

com inteligência admirável


carrega com elegância

sua determinação firme

de superar um obstáculo

sem demonstrar fadiga

sem questionar as suas razões

(as dela e as do obstáculo)


com extraordinários encanto e beleza

põe à prova sua habilidade inata

enquanto, em determinado momento,

parece olhar para mim

e contemplar meu êxtase

frente a tal eficaz ausência de enganos


fazemos parte do mesmo mundo

buscamos nossas realizações

cumprimos nossas funções

teremos paz


                                           A vida como ela é


                                         Pequena mosca inocente

                                         encontra aranha papa-moscas experiente

                                         the end

                              

                            Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h59
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A quem escrevo?

Escrevo à sua pulsação

escrevo à sua parte mais tesa

à parte que o esmaga

àquela que lhe traz culpa

àquela que lhe requer coragem

à que caminha pisando em poças d’água

em noite solitária.


Nesses momentos escrevo de asas abertas

de cabeça plena, de braços dados com o inesperado

de encontrar-me só

de sentir-me nu, crucial.

 

Escrevo a quem precisa

e somente a estes sou capaz de dizer o que significa

sua parte tesa que acolhe

meu vôo de asas abertas

rumo ao seu pulsar mais íngreme.


Escrevo à sua liberdade.

                           

Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h46
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Resumo

Quis saber se me amava

respondeu que eu usava

uma bonita gravata

me disse “moço

não tenho nada com isso

não quero mais compromisso

um dia

se a saudade bater

e a vontade vier

aí eu te vejo

te chamo pr'rum beijo

um trago, um passeio

um aperto de mão

e algo mais que deságüe

no meu coração”

 Escrito por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h32
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Namoro sob o sol

Deitado no aconchego do teu ombro

na cama do teu colo

o sol está mais perto

as aves que voam sobre nós

ensinam-nos a vida

a leve vida de uma ave

a vida pode ser tudo

a paixão pode ser tudo

está nas mãos de quem as faz

está nas asas de quem sabe voar

minhas mãos são garças

que voam vôos de veludo

sobre teus pontos cardeais

não se contentam, voam mais

do teu sul ao teu norte

mão forte

do teu leste ao teu oeste

mão cafajeste

 

Meu sentimento sai quando transpiro

acordo molhado de suor

eu não te sonho

te imagino

abraço travesseiros que são você

escuto sons que são sua voz

vejo imagens que são seus cabelos negros

chupo balas que são seus olhos de amêndoa

fumo cigarros para engolir sua alma

quero dizer

pés encostem-se na parede

boca ajoelhe-se

braços entreguem-se

seios rendam-se a mim

menina mãos ao alto

você é minha prisioneira

você vai arder sob o meu sol!

 

Escrito por Ricardo Senna Guimarães

 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h55
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Ex-amor

Creio que a ti também

aconteceu mais ou menos assim

não tinha ninguém

a quem dizer é o fim

agora já tenho

 

Publicado por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h43
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Oficina de criação poética

Este eu apresentei hoje na oficina:


Percepção do fim


Adeus

tudo aconteceu num átimo

num fixar de olhos - meus e seus

o que antes gozava da cor das palavras

tem agora o matiz do silêncio

o que era aroma do fogo

é na essência frieza

o que tinha o peso de um lenço

se transformou em rudeza

a luz, antes acesa,

                  no tempo de um vulto

                                            no raio de um breu

                                                                  nos disse

                                                                              adeus

Publicado por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h31
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Rapidinhas

Quem me dera o seu beijo

em Minas, na fazenda, com café

quem me dera um pão de queijo...


*******


Não há lugar melhor

nem vista mais bela

que no colo dela

só Copacabana...


*******


Um vento forte

balança minha árvore da infância

balança pra cá

balança pra lá...

Ah! Saudade da minha avó

que gostava de rede.


*******


Largas folhas de palmeira

balançam ao sabor do vento...

Tchau!

Tchau pra você também!


*******


Cores nas alturas:

vermelhas, verdes e roxas...

Ah! Flores e frutas!


*******


Flor de violeta

perene no alto do armário

arranha-céu de encanto


*******


Há flores no açougue

feliz a proprietária

tem novo namorado


*******


A maçã descansa

entre peras e bananas

sua beleza


Publicado por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h35
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Essência (ou Parmalat)

Somos

da carne

a mesma substância

corporalidade

encarnada

sangue do mesmo sangue

tenaz

cor daquele que nos gerou

brado

buscamos no afã do instinto

sorver mediante estímulo

nos pontos protuberantes

nas eminências arredondadas

o branco líquido quente

que jorra de dentro do ser

cálido

raça que nos fez

em essência nós

os mamíferos

Publicado por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h23
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Choramos a morte da árvore centenária

Uma homenagem a Karol Wojtyla, esse Papa tão importante, tão discutido, tão presente, tão contraditório entre evolução e conservadorismo e, por isso mesmo, tão humano. Rezou sua primeira missa, como o Papa João Paulo II, em 22 de outubro de 1978, dia do meu 14o aniversário, e morreu em 2 de abril de 2005. Descanse em paz, João de Deus. (O que escrevi abaixo não foi pensando no Papa ou na sua morte, foi algo que já estava escrito há algum tempo. Porém creio que se ajuste bem ao momento e que seja uma homenagem ao conjunto de sua obra.)

 

Choramos a morte da árvore centenária

personagem central da nossa infância

gigantismo surreal

frente à pequena riqueza da nossa infância.

(Catástrofe ecológica em nossos corações enraizados.)

Choramos a morte da árvore centenária

esperávamos um dia mostrar aos nossos filhos

nomes troncamente escritos

velhos sonhos que acabaram por tombar.

(Que nossas lágrimas reguem a terra

e que as sementes da árvore centenária

façam surgir uma nova companheira

para a infância dos nossos netos.)

Choramos a morte da árvore centenária

as raízes expostas

longos, pétreos, calosos cordões rumo ao infinito

penosamente expõem

quão profunda a relação

da nossa juventude com sua temperança.

(Resta-nos agora chorar a morte da nossa velha árvore centenária.) 

Publicado por Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h41
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Primeiros apontamentos

Por que criar um blog? Para que venhas comigo...

Porque as estrelas nos dizem muito.

Eu sou meus olhos

lentes que te vêem

observam todas as estrelas do teu céu

e descobrem vez por outra quasares reluzentes

quisera descobrir buracos negros...

Vejo-te e é tudo:

na noite escura do oceano

teu sorriso é um farol

céu e mar,

o encontro é no horizonte

(onde seremos anjos se cumprirmos

nossos desejos na Terra).

Surges em meus sonhos

como estrelas cadentes

que passam sobre nossas cabeças

e chegam ao horizonte antes de nós.

São anjos,

cumpriram seu dever de nos dizer tudo...

Eu sou meus sonhos

imagens que nos projetam

onde tudo é verdade

pois não há sombras na escuridão.

Acordamos descabelados de amor

e da brisa oceânica que bate

e leva nosso bote alhures.

Vamos!

Desagüemos no imenso mar!

O que viveremos?

O que sofreremos?

O que acharemos?

Só nós saberemos!

Publicado por Ricardo Senna Guimarães 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h32
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