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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Li, tô lendo, vou ler, vi



Gatão de meia idade

Seguindo o clima de deboche do filme que assisti ontem, posso dizer que a mensagem que o personagem principal passou foi a seguinte: mulher é igual batata frita. Tem as com sal e as sem sal. Tem as palito e as redondinhas. Tem as sequinhas e as mais gordurosas. Tem as de tamanho P, mas também tem as de tamanho M, G e Super Mega Combo. Tem as bem feitas e as mal feitas. Tem as saborosas e tem as com gosto de cabo de guarda-chuva. Tem as fresquinhas e as passadas. Tem as que caem muito bem, tem as surpreendentes, tem as caras e as baratinhas... O importante, segundo ele, é experimentar todas, afinal estão por aí à sua disposição a qualquer hora. Mas, como toda fritura, o acúmulo de batatas fritas traz sérias conseqüências ao seu organismo. Cuidado, porque a conta chega, mais cedo ou mais tarde, e quem vai pagar é você. Mas, o que seria do mundo sem as batatas fritas? Ficaríamos todos restritos ao purê... Cruz credo!



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h11
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"Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém." - Nelson Rodrigues

 

O Anjo Pornográfico, biografia de Nelson Rodrigues, está na espera. Enquanto isso, me divirto com as frases e as histórias da vida desse persongem:


Um dia, por volta de 1950, na rua Agostinho Menezes, onde então Nelson Rodrigues morava, um marido banana que era chutado como um cão pela esposa e ainda a bajulava, cansou-se do tratamento que vinha recebendo e, no meio da rua, deu uma sova de cinto na cara-metade. É claro que a vizinhança correu para ver o fato, sendo que as mulheres gritavam: "Bate mais, bate mais". O marido bateu até se cansar, parou, e então o inesperado aconteceu: a mulher atirou-se aos seus pés, aos beijos. E, desde aquele dia, passou a desfilar com o ex-banana, de braço dado e nariz empinado, toda orgulhosa. Ao ouvir os comentários das vizinhas que tinham apoiado maciçamente a surra, Nelson concluiu: "Toda mulher gosta de apanhar".


Nelson Rodrigues faleceu na manhã do dia 21 de dezembro de 1980, um domingo. No fim da tarde daquele dia ele faria treze pontos na loteria esportiva, num "bolo" com seu irmão Augusto e alguns amigos de "O Globo".


"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."


Fonte: http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h32
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Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível - Nelson Rodrigues

 

O Anjo Pornográfico, biografia de Nelson Rodrigues escrita pelo Ruy Castro, aguarda na fila para ser lida por mim. Enquanto isso, vou descobrindo algumas curiosidades na internet. Veja estas:


Com Nelson Rodrigues vivendo seu quarto ano de vida, um fato pitoresco: uma vizinha, d. Caridade, invade a sua casa e diz para sua mãe: "Todos os seus filhos podem freqüentar a minha casa, dona Esther. Menos o Nelson." Como ninguém entendesse a razão de tal proibição, ela afirmou: vira Nelson aos beijos com sua filha Odélia, de três anos, com ele sobre ela, numa atitude assim, assim. Tarado!


Em 1920, quando Nelson tinha 8 anos, ocorreu um fato que, depois, se transformou num dos favoritos do escritor: o do concurso de redação na classe. D. Amália passou a lição: cada aluno deveria escrever sobre um tema livre. A melhor redação seria lida em voz alta na classe. Finda a aula, as composições foram entregues. A professora quase foi ao chão com o trabalho de Nelson: era uma história de adultério. O marido chega em casa, entra no quarto, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando pela janela e sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois ajoelha-se e pede perdão. A redação, apesar do espanto que causou em todo o corpo docente, não tinha como não ser premiada, muito embora não pudesse ser lida na classe. A professora inventou um empate e leu a outra composição.


A vida de Nelson Rodrigues só poderia mesmo dar em livro, a julgar pela infância...


Fonte: http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h18
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Lolita, a ninfeta de Nabokov

"Há diversos vocábulos que entraram em nossa língua formados a partir de obras literárias. Vargas Llosa diz que uma sociedade que não conhecesse a escrita também não conheceria esses vocábulos, nascidos da pena de escritores que souberam, através de personagens imorredouros, dar uma imagem concreta de determinados aspectos de nós mesmos e de nossa realidade.” (Prof. Cláudio Moreno)


Ninfeta: um bom exemplo de uma palavra que passou a ser utilizada após a publicação de um livro. Vladimir Nabokov teve dificuldades para publicar seu Lolita, uma das obras mais polêmicas da literatura. Antes de ser lançado em 1955 por uma editora francesa que publicava eróticos, foi recusado por quatro editoras dos EUA, país para o qual Nabokov havia imigrado fugindo da ocupação nazista na França. Os cinco mil exemplares do romance, editado em inglês, esgotaram-se rapidamente. Pouco depois, a polícia francesa o baniu, e a obra ficou fora das prateleiras por dois anos. Só em 1958 é que acabou publicada sem incidentes nos Estados Unidos e, em 1959, aportou no Reino Unido. A partir daí virou um clássico que atrai atenções até hoje.


Atraiu a minha atenção. Comecei a ler Lolita, o romance da garotinha ousada, com bastante curiosidade. E logo no capítulo 5 (pág. 18), encontrei a definição que o personagem Humbert Humbert, o homem maduro que se apaixona pela ninfeta, dá ao termo que viria a se popularizar com esse romance:


Quero agora expor uma idéia. Entre os limites da idade de nove e catorze anos, virgens há que revelam a certos viajores enfeitiçados, bastante mais velhos do que elas, sua verdadeira natureza - que não é humana, mas nínfica (isto é, diabólica). A essas criaturas singulares proponho dar o nome de 'ninfetas'.”


E segue HH em seu raciocínio: “Será que todas as meninas entre esses limites de idade são ninfetas? Claro que não. Se assim fosse, nós que conhecemos o mapa do tesouro, que somos os viajantes solitários, os ninfoleptos, teríamos há muito enlouquecido. Tampouco a beleza serve como critério.” Segundo ele, o que “distingue a ninfeta das meninas de sua idade” são “certas características misteriosas, a graça preternatural, o charme imponderável, volúvel, insidioso e perturbador”.


Profundo conhecedor do tema, Nabokov, por meio do seu personagem, chega a adotar linguagem altamente didática: “Dentro dos mesmos limites de idade, o número de genuínas ninfetas é muitíssimo inferior ao das meninas provisoriamente sem atrativos, ou apenas 'bonitinhas' e até mesmo 'adoráveis', que são criaturas essencialmente humanas”. Por fim conclui que “a própria ninfeta não tem consciência de seu fantástico poder”.


O Aurélio traz uma definição bem clara de ninfeta: “Menina púbere voltada para o sexo e/ou que desperta desejo sexual”. Creio que Nabokov, nas 319 páginas em que estará descrevendo sua Lolita, queira expor um entendimento mais profundo e mais humano desse fenômeno chamado ninfeta. Vou verificar lendo o livro. E passarei a ser mais observador, para tentar distinguir, entre as que passarem por mim, as verdadeiras ninfetas das meninas comuns.


Fontes:

http://educaterra.terra.com.br/sualingua/02/02_vocabulos.htm

http://www.bravoonline.com.br/impressa.php?edit=li&numEd=96



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h30
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Às vezes escreve-se a cavalo

 

Trago um outro poema do livro Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Está na seção Todos os ritmos por dentro, pág. 184:



Caçar em vão

     Armando Freitas Filho


Às vezes escreve-se a cavalo.

Arremetendo, com toda a carga.

Saltando obstáculos ou não.

Atropelando tudo, passando

por cima sem puxar o freio -

a galope - no susto, disparado

sobre as pedras, fora da margem

feito só de patas, sem cabeça

nem tempo de ler no pensamento

o que corre ou o que empaca:

sem ter a calma e o cálculo

de quem colhe e cata feijão.



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h39
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Veneno antimonotonia

 

No sábado ganhei outro livro, este bem interessante: Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Trata-se de uma seleção de escritos de vários autores e compositores bem conhecidos, como João Cabral, Drummond, Gullar, Quintana, Chico Buarque, Caetano, Gil, Cazuza, Noel Rosa, entre tantos outros. Com um detalhe: dos vinte selecionados, apenas duas mulheres - Ana Cristina Cesar e Adriana Calcanhoto.


Todo poema é, por princípio, um veneno antimonotonia.” Assim começa a apresentação do organizador do livro. E continua dizendo que “a máxima aspiração deste livro é estremecer a monotonia - das palavras gastas, do cotidiano insípido, da vida pálida. Canções e poemas, numa vizinhança harmoniosa, são os antídotos contra o vazio, o medo, a falta de imaginação”. Proposta interessante...


Folheando o livro, encontrei alguns textos bem conhecidos, tanto poemas quanto letras de músicas, tais como: Erro de português, do Oswald, O dia da criação, do Vinícius, Pro dia nascer feliz, do Cazuza, Alegria alegria, do Caetano... tantos e tantos!


Já que as mulheres estão pouco representadas no livro, publico um pequenino poema da Ana Cristina Cesar, mas que sempre me impressionou. Está lá na pag. 43 de Veneno Antimonotonia:


Cartilha da cura

     Ana Cristina Cesar


As mulheres e as crianças são as primeiras que

                              desistem de afundar navios.


Veneno antimonotonia: belíssima opção de presente para quem gosta de poesia.



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h36
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Nova literatura dos pampas

 

Hoje terminei de ler um livro que ganhei de presente no sábado: Vida dura, de Claudia Tajes. A gaúcha Claudia é publicitária e romancista, autora, entre outros, de um livro cujo título não me é estranho: As pernas de Úrsula - e outras possibilidades.


Vida dura conta a história de um jovem morador da periferia de Porto Alegre a quem falta quase tudo, como dinheiro, amor, conforto e trabalho. A ele só não faltam a criatividade característica daqueles que têm vontade de viver (e não apenas sobreviver) e a galhofa de chamar-se Leonel de Moura Brizola Coelho. Não que essa situação seja explorada no livro, pois em apenas algumas passagens a autora tentou fazer piada com o nome do personagem. O mote principal é que esse sujeito vira doador de sêmen e essa profissão passa a comandar os rumos da sua vida e dos(das) que com ele convivem.


Claudia abusa do humor. Às vezes exagera um pouco. Mas o livro é bastante divertido, de leitura fácil, com história envolvente. Exemplo da literatura contemporânea brasileira com linguagem bem atual, bastante solta (novamente às vezes exagera um pouco) e descompromissada. Bom entretenimento.


Já que acabei de conhecer essa nova autora, agora quero saber das pernas de Úrsula...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h01
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Biografias

 

Começo a ler uma biografia sempre muito comentada: “Estrela solitária – um brasileiro chamado Garrincha”, de Ruy Castro. A apresentação do livro na quarta capa dá uma pequena amostra de algumas pitadas apelativas que, já percebi, contém o livro: “Garrincha fez o mundo rir. Agora ele fará você chorar. (...) conta a dramática história de um ídolo, amado por uma mulher e por um povo inteiro, mas que acabou destruído por um inimigo implacável.”


Com certeza, essas pequenas apelações e a insistência em querer destacar a performance sexual do personagem em nada invalidam o trabalho de fôlego realizado por Ruy Castro, a sua extensa pesquisa e o seu estilo leve de escrever. E, principalmente, o seu talento descritivo e o seu bom humor.


Até agora li apenas 64 páginas e conheci praticamente os antepassados do craque e sua primeira vida, que vai do nascimento ao início da fase adulta. Nessa fase, ele está com 19 anos e acaba de ser contratado pelo Botafogo. Claro que as grandes glórias e suas tragédias ainda estão por vir. Veremos.


Aqui em casa estamos numa fase de ler biografias. Yda, minha mulher, que começou. Leu a vida de Cazuza, do Abílio Diniz e da Cássia Eller; está lendo a do Samuel Klein; o próximo da sua lista é Nelson Rodrigues, livro também escrito pelo Ruy Castro, que já comprei e está pacientemente aguardando na estante.


Neste final de semana assistimos ao filme baseado no livro do Garrincha (este que estou lendo). Entretanto, o filme é bem ruinzinho. Não gostei. Mal feito, com atores mal escolhidos, não retrata a emoção contida no livro. Não recomendo. Prefira ler o livro.


Neste mesmo final de semana assistimos a outra biografia, “Dois filhos de Francisco”, que conta a história de Zezé de Camargo & Luciano e da sua família. Esse sim, grande filme! Emocionante e muito bem feito. Recomendo mesmo para aqueles que odeiam música sertaneja. Está na hora de quebrar alguns paradigmas e assistir a um (mais um) belo filme nacional. Não perca. 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h33
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Breve romance do sonho

Acabo de ler “Breve Romance de Sonho”, de Arthur Schnitzler, escritor austríaco nascido em 1862 que, como dizem, antecipou idéias do criador da psicanálise, Sigmund Freud.

 

Mario César Carvalho, repórter da Folha de SP, escreveu o seguinte: “Esqueça Freud e sua declaração de que evitava ler as obras de Arthur Schnitzler por temer que influenciassem o seu pensamento. Tratar o escritor austríaco como um duplo de Freud em registro ficcional, como virou clichê, é uma traição – ao escritor e ao criador da psicanálise. Schnitzler e Freud interessavam-se por sexo e morte, mas acabam aí as confluências. Enquanto Freud privilegiava as perversões, Schnitzler explora o nó que liga sexo e morte para jogar uma luz (bruxuleante que seja) sobre a mediocridade da vida conjugal burguesa e as razões da infidelidade.”

 

Confesso que, ao ler essas observações, esperava encontrar um texto mais psicológico. Porém, Schnitzler fez uma novela descritiva, sem muitas explicações, na qual os personagens aparecem e somem sem que tenhamos a chance de conhecê-los em maior profundidade. A escrita é um pouco rebuscada e os trechos em que há descrição dos encontros “sexuais” talvez fossem capaz de causar algum furor na sociedade européia dos anos vinte. Mas não deixa de prender o leitor pelo desenrolar dos acontecimentos e pela esperança de que o protagonista realmente se envolva em uma situação luxuriante.

 

Uma referência interessante é que Stanley Kubrick baseou-se em “Breve Romance de Sonho” para fazer, em 1999, seu filme de despedida, o conhecido “De olhos bem fechados”, com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais. Assisti à época, e agora pretendo revê-lo.

 

Classificação: leitura aceitável para um domingo de chuva ou para conhecer um pouco dos detalhes do cotidiano (e das perversões) da sociedade européia do início do século XX. Como diz a esposa do personagem principal, já ao final do livro: “Estou tão certa quanto suspeito que a realidade de uma noite ou mesmo de toda uma vida não significa sua verdade mais íntima.” Sim, é claro, há os sonhos...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h38
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A casa das belas adormecidas

 

Trago um pequeno trecho do livro que estou lendo, “A casa das belas adormecidas”, de Yasunari Kawabata. Acho que demonstra muito bem o clima da história e a carga de erotismo delicado que o autor consegue transmitir. Delicie-se:


Já com o coração sereno, Eguchi olhava o rosto e o pescoço da garota. Sua pele convinha ao vago reflexo do carmesim das cortinas de veludo. O corpo da menina, que servia de brinquedo aos velhotes a ponto de ser designada pela mulher da casa com o termo 'experiente', permanecia virgem. Isso porque os velhotes estavam decrépitos, e também porque ela estava profundamente adormecida. Entretanto, Eguchi começou a sentir uma preocupação paternal quando imaginou que vicissitudes essa garota de jeito coquete enfrentaria dali em diante. Era um sinal de que ele próprio havia envelhecido. Sem dúvida, a garota dormia só para ganhar dinheiro. Porém, para os velhotes que pagavam pelas jovens, o fato de poder deitar-se ao lado de uma garota como aquela equivalia, sem dúvida, à felicidade de se encontrar no paraíso. Já que a menina não acordava, o cliente idoso não precisava envergonhar-se do complexo de senilidade, e ganhava a permissão de perseguir livremente suas fantasias a respeito das mulheres e mergulhar em recordações. Talvez por isso não hesitassem em pagar mais caro pela garota adormecida do que por uma mulher acordada. O fato dessas meninas jamais saberem nada sobre os velhos proporcionava a eles maior tranqüilidade. Por sua vez, eles não sabiam nada sobre as condições de existência ou a personalidade delas. Estava tudo planejado para não deixar nenhuma pista, para que nem mesmo se pudesse conhecer as roupas que elas usavam. Não se tratava apenas de razões banais para evitar algum incômodo posterior aos velhotes, mas de uma luz misteriosa na profundidade das trevas.”



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h54
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A casa das belas adormecidas

 

Livraria nova na cidade é sempre uma boa desculpa para comprar um livrinho. Pois bem, fui visitar novamente a Livraria Cultura que abriu em Brasília na semana passada. Uma super livraria, como não poderia deixar de ser. Grande estoque de livros, CDs, DVDs, revistas e um atendimento muito bom, pelo menos até agora. Vamos ver como fica...


Acabei comprando o livro de um dos grandes escritores japoneses do século XX, Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de 1968 “pelo domínio de sua narrativa, expressando com admirável sensibilidade o espírito japonês”. O livro é “A casa das belas adormecidas”, publicado no Japão em 1960 e agora no Brasil, em tradução do japonês, pela editora Estação Liberdade.


O livro conta a vivência de Eguchi, um senhor de 67 anos que freqüenta a “casa das belas adormecidas”, onde tem a possibilidade de passar horas sozinho com jovens mulheres que dormem o tempo todo. Nessa situação, pode explorar o corpo feminino, momentos que Kawabata descreve com muita delicadeza e erotismo. Pelo menos é o que pude perceber, já que li apenas o primeiro capítulo.


O livro se inicia com este primeiro trecho:

“— Não faça nenhuma brincadeira de mau gosto, por favor. Não vá, por exemplo, enfiar o dedo na boca da menina adormecida — recomendara insistentemente a mulher da hospedaria ao velho Eguchi.”


Nem parece que daí possa se construir uma história delicada sobre a sexualidade na idade madura, num cenário composto para o deleite de quem não mais pode procurá-lo por conta própria.


Mais um trecho: “Completamente fora de si, o velho Eguchi esquecera que a garota era a oferenda ao sacrifício, e procurou com o pé as pontas dos pés dela. Somente ali ele ainda não havia tocado...”


A obra de Kawabata é marcada, sempre, por uma fascinação pelo mundo feminino, pela sexualidade humana, pelo tema da transitoriedade, da morte e da fatalidade. Esse livro, com certeza, vou ler com muita avidez.


Obs.: alguns trechos acima foram retirados das orelhas do livro e de matéria publicada na revista Cult, edição 89.



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h33
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Onde está Érika Vander? (post 2)

Na foto abaixo apresento o livro que guardava uma preciosidade: o bilhete escrito de próprio punho pela poeta goiana Cora Coralina. O bilhete está endereçado a essa misteriosa personagem que o mundo dos blogueiro agora se encarrega de encontrar: Érika Vander. Quem será ela? Será que se lembra do dia em que recebeu esse bilhete? Estaria ela visitando Cora Coralina em sua casa na Cidade de Goiás? Teria experimentado os famosos doces caseiros que a poeta fazia?

Pesquisa da Veja informa que cerca de 60% dos internautas brasileiros acessam regularmente os blogs. Sendo assim, creio que temos grande chance de revelar ao mundo essa personagem que em 1981 encontrou-se com Cora Coralina, recebeu um bilhete tão carinhoso e guardou-o dentro do primeiro livro publicado pela poeta.

Érika Vander vai acabar se transformando em personagem de livro, filme ou novela...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h31
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Onde está Érika Vander?

 

Quem assistiu ao início do programa da Ana Maria Braga hoje teve a oportunidade de ver uma bonita matéria sobre Cora Coralina. Jean (aquele do BBB) foi à Cidade de Goiás e mostrou a história da vida dessa importante poeta (e doceira) goiana. Imagens de Cora à beira do fogão fazendo seus doces que encantaram Jorge Amado, caminhando na cidade, falando, recitando e escrevendo seus poemas que encantaram Carlos Drummond de Andrade e encantam a todos nós.


Pois bem, tudo isso me fez lembrar que tenho na minha estante algo que considero uma relíquia: o primeiro livro de Cora Coralina, “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais”. O meu é a segunda edição, de 1977, impressa na Universidade Federal de Goiás. Parece uma publicação quase artesanal, tem cara e jeito de coisa antiga, e já está um pouco amarelada. Como a consegui? “Capturando” das coisas do meu irmão. Claro, tempos depois, ele consentiu e hoje já consideramos como meu.


Dentro do livro há um bilhete escrito a caneta de próprio punho por Cora Coralina. Diz ele:


Érika Vander


Erika, você é linda e cheia de encantos. Tive seu tamanho e sua idade e ninguém me deu caminhos, nem amor e nem cuidados.

Desejei tanto uma boneca de louça que eu dizia: Boneca de Verdade. Minhas bonecas eram bonecas de pano, bonecas de mentira, chamadas Bruxas. Eu queria a boneca da loja que morava na caixinha, queria tanto, e nunca foi minha.


Cora Coralina

Cidade de Goiás, 3-3-81”


Parece-me uma preciosidade.


Acontece que ninguém sabe quem é Érika Vander, para quem Cora escreveu esse bilhete. Seria uma menina à época? E hoje, quem será? Como veio parar esse bilhete nas minhas mãos?


Está lançada a campanha: onde está Érika Vander?




Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h43
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Virna Teixeira

Recebi ontem “Distância”, segundo livro de Virna Teixeira, que comprei no site da 7letras. A poesia de Virna me conquistou desde quando li, há alguns anos, um poema do seu primeiro livro, “Visita”, publicado em 2000:

 

um travesseiro

bordado, canto

esquerdo:

“ninguém”

 

Grande exemplar da poesia brasileira contemporânea. Impressionante capacidade de concisão, para transmitir uma mensagem tão profunda e tão bela. Desde aquela época decidi que Virna seria uma das poetas que eu teria como referência. Ela publica um blog muitíssimo legal, o “papel de rascunho”: http://papelderascunho.blogspot.com . Acho que ela gosta de mim também, porque no blog dela tem um link para o meu...

 

Vale a visita e vale a leitura.

 

PS.: comprei também um livro de poesias que há muito desejava: “No caminho com Maiakóvski”, de Eduardo Alves da Costa, Ed. Geração Editorial. Belíssima edição da poesia reunida desse autor do poema que dá nome ao livro e que tem uma história tão extraordinária de um equívoco de autoria que já ficou famosa. Um dia conto por aqui.

 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h26
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Distorções do conhecimento em fase de turbulências políticas e outras

 

A validade de nossos conhecimentos é garantida pela correção do raciocínio. É correto o raciocínio cujas proposições expressam juízos (afirmações ou negações) válidos, racionalmente fundamentados.” Essa afirmação, lida em um livrinho de filosofia, ganha importância complementar em tempos de depoimentos, discursos inflamados, acusações aqui e ali, em suma, turbulências.


O interessante é que o tal livrinho passa então a relacionar os vários tipos de sofismas ou falácias tão comuns em nosso meio. Sofismas ou falácias são armadilhas intelectuais, quando a força da argumentação está no seu efeito psicológico e não na correção lógica. Nem é preciso dizer que são amplamente utilizadas nas nossas conversas do dia a dia, nas discussões amorosas, familiares, profissionais e tudo mais. Então, prepare-se para elas:


·      Vemos Pelé na televisão, dizendo: “Tome Vitasay, a vitamina dos campeões de saúde”. Ora, o que pretende esse comercial? Quem está tentando nos convencer? Pelé é médico ou bioquímico autorizado a recomendar vitaminas? Essa é uma falácia chamada apelo à autoridade. Usa-se a autoridade de alguém sobre determinada área (futebol, no caso) para afirmar ou sustentar uma posição em outra área (área da saúde). Convence-se pelo peso psicológico da autoridade, e não pelo valor racional da argumentação.

 

·      Certo ministro da Fazenda pretendia convencer a nação da necessidade de arrocho salarial para controlar a inflação: “Como bem sabemos, a inflação é o que corrói o poder de compra dos salários. Temos então que aumentar os salários. Mas, se aumentarmos os salários, teremos que aumentar os preços para pagá-los, o que aumentará a inflação.” Ora, já foi demonstrado que a inflação tem como causa o aumento de salários?! Esse sofisma chama-se círculo vicioso. É usado na tentativa de provar uma conclusão com base num ponto de partida não demonstrado. Tanto um como outro são racionalmente improváveis.

 

·      “A qualidade do ensino é ruim porque os professores são despreparados.” Será que o despreparo do professor é realmente a causa da baixa qualidade do ensino? Será que tanto a baixa qualidade do ensino quanto o despreparo do professor não dependem de uma política educacional eficiente? Afirma-se que um fato é causa de outro, sem considerar que há um terceiro fato que causa os dois primeiros. Essa é a chamada falácia da causa comum.

Continua no post abaixo...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h55
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