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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Corpo a Corpo com a Poesia

Um convite muito simpático que recebi da poeta Virna Teixeira e que divido aqui com vocês. Para quem estiver em São Paulo...



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h47
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Brasa dormindo contra o vento

 

Inverno (Anhangabaú da Felicidade)
José Miguel Wisnik

A minha casa é uma caixa de papelão ao relento
Brasa dormindo contra o vento
Semente plantada no cimento
Criança na calçada

A minha casa é geladeira televisão sem nada dentro
Fogo que se alimenta do seu próprio alimento
Corpo com corpo dando alento
Pra campanha do agasalho

O meu cenário é a fria luz da madrugada
Dando espetáculo por nada
Calçada da fama iluminada
Pela Eletropaulo

A minha casa é a maloca rasgada no futuro
É o inverno é o eterno enquanto duro
Osso duro osso duro que ninguém
Há de roer

A minha casa é o céu e o chão caroço bruto
Catado no vão do viaduto
Dando pro Anhangabaú
Da felicidade



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h18
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Há que laborar

Uma serra no horizonte

uma montanha, um vale

e todos os lugares

que uma palavra tem de percorrer

até alcançar seu destino

de ser

uma serra

uma montanha

um vale

em um poema

 

             Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h10
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Gatão de meia idade

Seguindo o clima de deboche do filme que assisti ontem, posso dizer que a mensagem que o personagem principal passou foi a seguinte: mulher é igual batata frita. Tem as com sal e as sem sal. Tem as palito e as redondinhas. Tem as sequinhas e as mais gordurosas. Tem as de tamanho P, mas também tem as de tamanho M, G e Super Mega Combo. Tem as bem feitas e as mal feitas. Tem as saborosas e tem as com gosto de cabo de guarda-chuva. Tem as fresquinhas e as passadas. Tem as que caem muito bem, tem as surpreendentes, tem as caras e as baratinhas... O importante, segundo ele, é experimentar todas, afinal estão por aí à sua disposição a qualquer hora. Mas, como toda fritura, o acúmulo de batatas fritas traz sérias conseqüências ao seu organismo. Cuidado, porque a conta chega, mais cedo ou mais tarde, e quem vai pagar é você. Mas, o que seria do mundo sem as batatas fritas? Ficaríamos todos restritos ao purê... Cruz credo!



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h11
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A vida necessita de pausas

O Caderno Pensar, do Correio Braziliense de hoje, está totalmente dedicado à poesia. A certa altura, uma pergunta instigante a dois poetas, e duas respostas:

 

O que é necessário para fazer um bom poema?

 

Alice Ruiz: Acho que tem um lado que chamaria de material, você precisa estar familiarizado com a palavra. Mas existe um instrumento espiritual, que é se conectar com o sentimento e o pensamento de sua época e, antes de mais nada, dizer a verdade. Existem poetas com técnica maravilhosa, mas que não vão ao âmago da questão e se contentam com floreios lingüísticos. Isso não é poesia.

 

Carlito Azevedo: Para fazer um bom poema são necessárias muitas coisas (talento, costume de ler bons poemas, reflexão, etc). Mas para fazer um poema extraordinário só é necessária uma coisa:sorte.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h06
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Uma pausa para a poesia

 

agora sim

tenho a morte na alma

e a vida nas mãos

 

haja ou não

um você aqui

agora eu estou só

 

agora sim

o que sobrar de mim

é meu

 

agora não há mais dúvida

pagando todas as dívidas

me livrarei deste eu

este agora que me escapa

me inaugura e funda

outro eu que vai pro mundo

 

outra dor que vai a furo

outro agora ainda mais fundo

por um segundo mais claro

 

agora é claro

que seja escuro

 

           Alice Ruiz



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h05
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Mais uma pausa para a poesia

 

 

Salto

 

Se alguma pedra pudesse tornar-se lírio

seria esta

se alguma pedra o salto de um tigre

e não o tigre

seria esta

alguma as letras do alfabeto

seria esta

esta só pontas

que pulsa

coração da casa

que acabas de deixar

para sempre

 

          Carlito Azevedo



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h04
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Talvez inútil, fútil, mas por certo divina, como a vida

 

 

Hoje, 14 de março, é o dia nacional da poesia e é também o dia do nascimento e no qual se homenageia um dos poetas românticos mais importantes do Brasil, Castro Alves.

O Dia Internacional da Poesia, declarado pela Unesco, é comemorado em 21 de março.

 

 

Vem do fundo da terra

das profundezas mesmo da terra

onde há colônias de cupins, formigas,

restos de gente e desencanto arraigado

 

Vem, mas não vem complacentemente

não há espontaneidade nesse seu vir

não brota simplesmente com a altura tal do sol

ou com a irrigação natural da chuva

 

Volúvel, é preciso ir buscá-la

cavar profundo, revolver essa terra

saber de sua localização, sua maturidade

e, principalmente, de sua vontade de elevar-se

 

Não há facilidade nessa tarefa

antes, há a necessidade de formar-se engenheiro

conhecer as artimanhas das várias camadas da terra

resolver passagens, negociar retiradas de pedras

 

Há, sobretudo que se respeitar o peso da terra

enraizar com a deferência das árvores

sorver com parcimônia o substrato

e transformá-lo, com sabedoria, em seiva enriquecedora

 

Por certo, o fruto será gerado

as palavras, encopadas, frondosas, trarão sentido à paisagem

sua obra – a poesia – florescerá

talvez inútil, fútil, mas por certo divina, como a vida.

 

Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h52
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Mulher e homem: construtores

Sob a foto da inspiradora Monica Bellucci, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher escrita pelo colega José Teógenes Abreu:


Neste dia, parabéns!

Às mulheres (e homens) que lutam

Para não serem reféns

De preconceitos que enlutam

A lei da Mãe-Natureza:

Homem e Mulher: construtores

De um Novo-Mundo, a riqueza;

Na unidade, os albores

De um universo sob a ética

De um diverso sem rancores,

Humanidade em estética.

 



Categoria: E Deus criou a mulher...
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h49
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Poema do Veríssimo

 

Recebi este poema como sendo do Veríssimo. Não sei se é realmente dele, mas é muito legal:


Poema Mais Ou Menos De Amor

Luis Fernando Veríssimo


Eu queria, senhora, ser o seu armário e guardar seus tesouros como um corsário.

Que coisa louca: ser seu guarda-roupa!

Alguma coisa sólida, circunspecta e pesada nessa sua vida tão estabanada.

Um amigo de lei (de que madeira eu não sei).

Um sentinela do seu leito — com todo o respeito.

Ah, ter gavetinhas para suas argolinhas.

Ter um vão para o seu camisolão e sentir o seu cheiro, senhora, o dia inteiro.

Meus nichos como bichos engoliriam suas meias-calças, seus sutiãs sem alças.

E tirariam nacos dos seus casacos.

Ah, ter no colo, como gatos, os seus sapatos.

E no meu chão, como trufas, suas pantufas...

Seus echarpes, seus jeans, seus longos e afins.

Seus trastes e contrastes.

Aquele vestido com asa e aquele de andar em casa.

Um turbante antigo.

Um pulôver amigo.

Bonecas de pano.

Um brinco cigano.

Um chapéu de aba larga.

Um isqueiro sem carga.

Suéteres de lã e um estranho astracã.

Ah, vê-la se vendo no meu espelho, correndo.

Puxando, sem dores, os meus puxadores.

Mexendo com o meu interior — à procura de um pregador.

Desarrumando o meu ser por um prêt-à porter...

Ser o seu segréto, senhora, e o seu medo.

E sufocar, com agravantes, todos os seus amantes.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h36
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Soy loco por ti America

Estava torcendo para a Unidos da Tijuca mas, devo reconhecer, a Vila Isabel encantou.



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h12
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