Sou o dono da palavra: depois que eu falo, a palavra é minha dona
Vamos dedicar algum tempo a observar o silêncio, algo tão incomum nestes tempos. Trago recortes de uma pesquisa rápida sobre o tema na internet.
“Nas entrelinhas do dia-a-dia, do não-dizer ou do dito. No meio do caos urbano, da tranqüilidade da montanha, do frescor do mar. Nas esperas de amor e ausências, nos momentos de entrega, nas realizações de desejos. Onipresente, o silêncio é a resposta ao indizível, ao inefável. É o companheiro fiel dos sentimentos: das descobertas ao medo, do autoconhecimento à angústia, do vazio à plenitude.”
Paula Barcellos, comentando no Caderno Idéias do JB o lançamento do livro “Sobre o silêncio”, de Andréa Bomfim Perdigão. Consenso das entrevistas que compõem o livro: a sociedade contemporânea, movida a hiperestímulos auditivos e visuais, não tolera o silêncio.
Fernando Pessoa também refletiu sobre o silêncio:
O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...
Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...
Duas primeiras estrofes do poema Hora absurda, de Fernando Pessoa