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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

À lá Nelson Rodrigues

 

Ai ai ai


Portão

          abre

cachorro

           late

homem

           entra

mulher

           beija

janta

           come-se

cama

           dorme-se

portão

           abre

cachorro

            late

homem

            sai

mulher

            beija

QUEM?

Outro

            que entra

cachorro

             nem late

             mais


Ricardo Senna Guimarães

 

Foto: Wisnuk (Indonésia)



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h17
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Corpo que barulha com o vento e o silêncio é poesia

 

Para Manoel de Barros

Fabio Rocha www.fabiorocha.com.br


Seu Nhonhô

morava no silêncio

e tinha cabelos de nuvens.


Era irmanado das águas paradas

e de quando em vez libélulas

punham ovos em sua cabeça.


Sua voz tinha falha de crostas

e vulcões invisíveis expeliam o nada por suas ventas.


Da última vez que o vi

estava árvore.


Quando foi cortado,

se cercou de cinza

e desandou a falar sem dizer.

 

 

Como um Eco

Albano Martins


Não tinhas

nome. Existias

como um eco

do silêncio. Eras

talvez

uma pergunta

do vento.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h57
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Porque no silêncio me senti tocado pelas suas palavras

 

O vento escreve

silêncio

na neve

  Aurelino Costa

 

"Andando pelas ruas escuras de Londres, pisava Sylvia Plath sobre folhas adormecidas no frio. O barulho não era o mesmo do verão passado quando tilintavam pássaros buscando os restos de comida deixados pelos turistas. Restava à poeta apenas o corpo barulhando com o vento e o silêncio. E corpo que barulha com o vento e o silêncio é poesia. Sylvia Plath fazia poesia nas madrugadas inglesas, e a fazia com o corpo. Seriam seus ossos, sangue e carne o sustento do corpo, como são as imagens, delírios e milagres varadouro da poesia?"

Hilda Hilst e Alejandra Pizarnik: Passeios Poéticos Corpóreos

Autora: Joelma Rodrigues

Universidade Federal de Pernambuco



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h12
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O silêncio é a resposta ao indizível

 

silêncio

das palavras várias

a ciscar na cabeça


no travesseiro

silêncio

uma decisão


na escuridão

o ressoar

do sonho

de alguém


o egoísta

que dorme ao seu lado


          Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h16
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Sou o dono da palavra: depois que eu falo, a palavra é minha dona

 

Vamos dedicar algum tempo a observar o silêncio, algo tão incomum nestes tempos. Trago recortes de uma pesquisa rápida sobre o tema na internet.


Nas entrelinhas do dia-a-dia, do não-dizer ou do dito. No meio do caos urbano, da tranqüilidade da montanha, do frescor do mar. Nas esperas de amor e ausências, nos momentos de entrega, nas realizações de desejos. Onipresente, o silêncio é a resposta ao indizível, ao inefável. É o companheiro fiel dos sentimentos: das descobertas ao medo, do autoconhecimento à angústia, do vazio à plenitude.”

Paula Barcellos, comentando no Caderno Idéias do JB o lançamento do livro “Sobre o silêncio”, de Andréa Bomfim Perdigão. Consenso das entrevistas que compõem o livro: a sociedade contemporânea, movida a hiperestímulos auditivos e visuais, não tolera o silêncio.

 

Fernando Pessoa também refletiu sobre o silêncio:


O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...

Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...

E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas

Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...


Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...

O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...

Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto

Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...


Duas primeiras estrofes do poema Hora absurda, de Fernando Pessoa



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h21
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Lançamento de mais um livro do meu colega de trabalho, Prof. Rildo Cosson

  Escrito para professores que desejam fazer do letramento literário uma atividade significativa para si e para seus alunos, este livro mostra como reformular, fortalecer e ampliar o estímulo à leitura no ensino básico para além das práticas usuais. O autor, de forma sutil e prazerosa, desata os nós da relação entre literatura e educação, propõe a construção de uma comunidade de leitores nas salas de aula e sugere oficinas para o professor adaptar seu trabalho ao letramento literário.

Autor: Rildo Cosson

É coordenador do Programa de Pós-Graduação do Cefor/Câmara dos Deputados. Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRGS) e mestre em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG.

 

Editora Contexto  www.editoracontexto.com.br

Rua Acopiara, 199 - São Paulo - 05083-110    Tel: (11) 3832-5838



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 15h42
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Um poema para o ano que se inicia

 

Sísifo

Miguel Torga


Recomeça...

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.


E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar

E vendo,

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.



Miguel Torga, poeta, ficcionista e ensaísta português nascido em 1907 e morto em 1995. É o pseudônimo literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Na adolescência, morou durante cinco anos no Brasil, numa fazenda em Minas Gerais.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h41
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