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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

 

Recesso!

 

Feliz 2006!!



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h45
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triunfos no varal

 

a outra face da moeda razão


certos planos

ele costuma cumpri-los à noitinha

no lusco-fusco dos vultos

quando a sua loucura

encontra companhia

não no desvio

mas no plural das personagens do mundo


quando escurece

toma para si a outra face da moeda razão

considera sem preço

sua emergência hedonista

e tilinta à caça pelas ruas

entre as sombras do refletor

o abrigo da marquise

o odor do fim do dia


faz com pressa tudo

o que a noite escura lhe permite

para ter o prazer

de tudo se arrepender

quando o sol voltar a brilhar


e assim vai

ostentando seus triunfos

à vista de todos

à luz do dia

como medalhas penduradas no varal


                     Ricardo Senna Guimarães



Foto: Xiao Wei



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h51
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Você também deve ter recebido este e-mail

 

O poema Prescrição para males de amor circulou bastante via e-mail indicando a autoria como sendo de uma aluna de 16 anos de uma determinada escola. Na realidade, este poema foi escrito pela Encandescente, codinome da poeta portuguesa Ana. Ela afirma que: “este meu 'poema' foi escrito no dia 15 de março às 18h29. Sei a hora exacta porque como acontece com muitos poemas, escrevo-os online”. Encandescente publicou recentemente um livro, cuja capa é exatamente o poema em discussão. Veja a foto do livro e, mais abaixo, o poema:



Prescrição para males de amor

                            encandescente


"Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;"


Ah Camões

Se vivesses hoje em dia

Tomavas uns anti-piréticos

Uns quantos analgésicos

E Xanax ou Prozac para a depressão

Compravas um computador

Consultavas a página do Murcon

E descobririas

Que essas dores que sentias

Esses calores que te abrasavam

Essas mudanças de humor repentinas

Esses desatinos sem nexo

Não eram feridas de amor

Mas somente falta de sexo.


Blog da encandescente, Cantos De Um Amor Reinventado: http://eroticidades.blogspot.com/



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h01
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Vem chegando o verão...

 

Um poema que gosto muito em homenagem à chegada do verão:


Carta de Paris ao Camarada Kostróv sobre a essência do Amor

                                                                                 Vladímir Maiakóvski

(...)

Ouço

         em meu peito

                                  até o último pulsar

como se o estivesse

                                      esperando

para um encontro:

                                 o amor

                                              a ressoar

simples e humano.

O furacão,

                  o fogo,

                              o mar

vêm vindo

                   furiosamente.

Quem

            os pode

                           domar?

Você pode?

Experimente...

 

(Tradução de Augusto de Campos)

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h24
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Um ardor em comum

 

Uma música deliciosa, cantada com muita bossa e estilo:


Façamos (Vamos Amar)

Elza Soares e Chico Buarque


Os cidadãos no Japão fazem

Lá na China um bilhão fazem

Façamos vamos amar


Os espanhóis, os lapões fazem

Lituanos e letões fazem

Façamos vamos amar


Os alemães em Berlim fazem

E também lá em bom

Em Bombaim fazem

Os hindus acham bom

Nisseis, níqueis e sansseis fazem

Lá em São Francisco muitos gays fazem

Façamos vamos amar


Os rouxinóis, os saraus fazem

Picantes pica-paus fazem

Façamos vamos amar


Os uirapurus no Pará fazem

Tico-ticos no fubá fazem

Façamos vamos amar


Chinfrins, galinhas afim fazem

E jamais dizem não

Corujas sim fazem, sábias como elas são

Muitos perus todos nus fazem

Gaviões, pavões e urubus fazem

Façamos vamos amar


Dourados, mão, Solimões fazem

Camarões em Camarões fazem

Façamos vamos amar



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h14
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Um ardor em comum (continuação)

 

Piranhas só por fazer fazem

Namorados por prazer fazem

Façamos vamos amar


Peixes elétricos bem fazem

Entre beijos e choques

Garçons também fazem

Sem falar nos adoques

Salmões no sal em geral fazem

Bacalhaus no mar em

Portugal fazem

Façamos vamos amar


Libélulas em bambus fazem

Centopéias sem tabus fazem

Façamos vamos amar


Os louva-deuses com fé fazem

Dizem que bichos de pé fazem

Façamos vamos amar


As taturanas também fazem

Um ardor em comum

Grilos meu bem fazem

E sem grilo nenhum

Com seus ferrões os zangões fazem

Pulgas em calcinhas e calções fazem

Façamos vamos amar


Tamanduás e tatus fazem

Corajosos cangurus fazem

Façamos vamos amar


(Lá vem com a mãe)

Coelho e só e tão só fazem

Macaquinhos no cipó fazem

Façamos vamos amar


Gatinhas com seus gatões fazem

Tantos gritos de ais

Os garanhões fazem

Estes fazem demais

Leões ao léu, são do céu, fazem

Ursos lambuzando-se no mel fazem

Façamos vamos amar


 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h12
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Um poeta portenho

E APRENDEMOS

     Jorge Luis Borges

 

Após um tempo,

Aprendemos a diferença sutil

Entre segurar uma mão

E acorrentar uma alma,

E aprendemos

Que o amor não significa deitar-se

E uma companhia não significa segurança

E começamos a aprender...

Que os beijos não são contratos

E os presentes não são promessas

E começamos a aceitar as derrotas

De cabeça levantada e os olhos abertos

Aprendemos a construir

Todos os seus caminhos de hoje,

Porque a terra amanhã

É demasiado incerta para os planos...

E os futuros têm uma forma de ficarem

Pela metade.

E depois de um tempo

Aprendemos que se for demasiado,

Até um calorzinho do sol queima.

Assim plantamos nossa própria alma,

Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.

E aprendemos que realmente podemos agüentar,

Que somos realmente fortes,

Que valemos realmente a pena,

E aprendemos e aprendemos...

E em cada dia aprendemos.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h02
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25 anos da morte de John Lennon

 

MULHER

John Lennon


Mulher, dificilmente consigo expressar

As minhas emaranhadas emoções e a minha negligência

Afinal, sou teu eterno devedor

E, mulher, tentarei expressar

Os meus sentimentos profundos e a gratidão

Por me teres mostrado o significado do sucesso.

Mulher, sei que compreendes

A criança que está dentro do homem

Lembra-te, por favor, que a minha vida está nas tuas mãos

E, mulher, guarda-me sempre bem dentro do teu coração

E não permitas jamais que a distância nos separe

Afinal, está tudo escrito nas estrelas.


Mulher, por favor, deixa-me explicar

Que nunca quis causar-te tristeza ou dor

Portanto, deixa-me dizer-te outra vez e outra e outra ainda


Eu amo-te, sim, sim, agora e para sempre

Eu amo-te, sim, sim, agora e para sempre.

 

Do livro: "John Lennon Canções (1968-1980)", Coleção Rock On - Editora Fora do Texto, 1991, Portugal



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h32
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Vento seco de inverno

Um latido longe de cão vira-lata,

A bomba jogando água na caixa

As crianças de algazarra no quintal...

Aquela mulher observa tudo:

O sol frio que ilumina o terno,

As camisas penduradas no varal

E as migalhas deixadas em cima da mesa.

Um vento seco de inverno

Desalinha dois fios de cabelo denso

Preocupados e quase inertes

Nesta tarde de sábado eterno.


Cozinha: o lugar da casa onde estão

Esquecidos, deixados ou até semeados

Medos, sonhos e desejos

Daquela mulher madura em si

E verde de amores experimentados.

Cozinha porque é assim que aprendeu

Nas tardes em que as mulheres reunidas

Deleitavam escritos trocados

Que diziam como reunir ingredientes

Assá-los em forno quente

E transformá-los em homens casados.


Mistura é a palavra da vida daquela mulher.

A mistura de amor e amansamento,

Ponto certo de vida conforme

Tanto quanto sorriso e docilidade,

Máscara justa de certo sofrimento.

Mistura tédio de uma vida digna

Com a dor de um tempo perdido,

Como agora prepara essa oferenda

Em tonel exposto entre as pernas

Mistura de melaço e amargor

Iguaria fina de mulheres como aquela.

Calda quente, seiva úmida

Servida com fervor

Ao homem que chega em casa derrubando portas

E desalinhando pêlos

Como o vento seco de inverno.


     Ricardo Senna Guimarães

 

Foto: Mietek Kalinowski



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h18
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