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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Tudo explode colorido no sol dos cinco sentidos

 

Eu me lembro, primeiro longa-metragem do cineasta Edgard Navarro, foi o grande vencedor do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O resultado foi divulgado ontem e a produção baiana saiu com seis troféus Candangos, além do prestigiado Prêmio da Crítica. Levou os principais prêmios: Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atriz (Arly Arnaud), Ator Coadjuvante (Fernando Neves) e Atriz Coadjuvante (Valderez Freitas Teixeira).


O Prêmio da Crítica foi justificado “pela hábil articulação do memorialismo com a história do país. Pela sensibilidade e paixão com que utiliza a música brasileira como elemento narrativo, pelo diálogo com a cinematografia universal para traçar o seu relato particular”.


O filme é uma espécie de Amarcord soteropolitano. Um inventário dos grandes movimentos que mudaram a face do país de meados da década de 50 até a década de 70. Guiga, o protagonista, aparece, criança, numa Salvador provinciana. No contato com a mãe, Aurora, descobre a sexualidade e seus limites. Com o pai, Guilherme, temível, austero e puritano exacerbado, viverá muitos conflitos. O garoto cresce movido por culpa católica. Sexo e Deus são tabus. A morte da mãe, quando ele era pré-adolescente, o marcará profundamente. Jovem, nutrirá raiva muda pelo pai. Um dia, este sentimento explodirá em episódio dramático. A literatura e o cinema lhe darão acesso ao mundo dos poetas e visionários. A ditadura militar, a universidade, novas experiências de vida, quando "tudo explode colorido no sol dos cinco sentidos", a guerrilha urbana. Tudo se somará.


Pelo jeito, mais um belíssimo filme nacional que merece ser visto.


Fontes:

Correio Braziliense, 30/11/2005, pág. 30

http://www.artbr.com.br/olhuzfilmes/eumelembro.html





Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h40
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Os 15 melhores filmes brasileiros dos últimos 15 anos

O Caderno Pensar, do Correio Braziliense, publica hoje interessante levantamento da produção cinematográfica brasileira entre 1990 e 2005, período da retomada. Trinta especialistas em cinema elegeram os 15  melhores filmes nacionais dos últimos 15 anos. O resultado foi o seguinte:

 

1º - Cidade de Deus – Fernando Meirelles

2º - Lavoura Arcaica – Luiz Fernando Carvalho

3º - Central do Brasil – Walter Salles

4º - O Invasor – Beto Brant

5º - Edifício Master – Eduardo Coutinho

6º - Madame Satã – Karim Aïnouz

7º - Baile Perfumado – Lírio Ferreira e Paulo Caldas

8º - Santo Forte – Eduardo Coutinho

       Um Céu de Estrelas – Tata Amaral

10º - Ônibus 174 – José Padilha

11º - Amarelo Manga – Cláudio Assis

12º - O Prisioneiro da Grade de Ferro – Paulo Sacramento

13º - Bicho de 7 Cabeças – Laís Bodanzky

14º - Filme de Amor – Júlio Bressane

15º - Cronicamente Inviável – Sérgio Bianchi

 

Curiosidades:

 

Campeões de bilheteria, como Carandiru e 2 Filhos de Francisco, obtiveram resultados bem mais modestos entre o júri: o filme de Hector Babenco obteve a trigésima colocação e a saga de Zezé Di Camargo & Luciano, dirigida pro Breno Silveira, ficou em 56º lugar. Olga, de Jayme Monjardim, recebeu apenas 1 voto e ficou em 98º lugar.

 

Indicados ao Oscar, O Quatrilho, de Fábio Barreto, e O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto, não receberam nenhum voto. Também não foram lembradas duas superproduções dos anos 90: Orfeu, de Cacá Diegues, e Guerra de Canudos, de Sergio Rezende.

 

O único filme infantil mencionado pelo júri foi Os Três Zuretas, de Cecílio Neto. Apesar de elogiados quando da estréia no circuito comercial, Castelo Rá-tim-bum, Tainá e Menino Maluquinho foram ignorados.

 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 15h20
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Quando ler o livro que escrevo

quando ler o livro que escrevo

vê se há sol na janela

vê se há uma manta de renda

debruçada na cadeira

vê se as cortinas

têm algo a dizer


quando ler o livro que escrevo

sente o chão com a ponta dos pés

vê se há frio que chegue

com o final da tarde

vê se há algo mais a refletir

após o tempo que passou

sem aviso


quando ler o livro que escrevo

respira fundo a brisa que ainda vem

vê se há algo mais a lembrar

do dia da partida

vê se a cidade ainda é a mesma

e se nossos corpos ainda

se percebem


quando ler o livro que escrevo

cruza as mãos em descanso

senta na cadeira

e deixa a renda bordar seu corpo

com sinais na pele

que mesmo longe trago comigo

desde que pararam

todos os relógios


          Ricardo Senna Guimarães


Foto: Marta Laura, in www.altphotos.com

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h31
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Um poeta norte-americano

 

Já pedindo permissão à Virna e ao Jair, copio mais uma informação do blog los excessivos - http://losexcessivos.blogspot.com .

Trata-se de uma descrição interessantíssima da vida do poeta norte-americano Robert Creeley, que faço questão de reproduzir:


"Poderíamos editar Creeley em planos de videoclipe: abandonou Harvard -após haver sido suspenso por ter roubado a porta do dormitório; guiou ambulâncias em Burma e na Índia; morou na Provença e nas Ilhas Baleares em condições precárias; obteve o grau de mestre apenas porque Charles Olson, reitor de uma faculdade experimental de artes lhe concedeu o título; passou um tempo na companhia de Ginsberg, Rexroth (com cuja mulher manteve um caso amoroso que quase finda em tragédia), Snyder, Corso, Mclure e Ferlingetthi no auge da propalada Renascença de San Francisco; casou e descasou várias vezes (prole de sete); enfurnou-se no Piauí americano (o Estado do Novo México) para lecionar poesia; teve livros traduzidos em mais de 30 idiomas; habitou lugares tão díspares quanto Helsinck e uma colônia agrícola nos cafundós da Guatemala. Nos últimos dois anos era professor da Universidade Brown. Que mais se pode dizer de um homem assim, a não ser que, evidentemente, viveu? Ou seja, não passou a vida trancado num estúdio, cercado de livro e miopia?"


Trecho do artigo publicado na revista Trópico por Ruy Vasconcelos, primeiro tradutor de Creeley no Brasil, por ocasião da morte do poeta em março de 2005. O artigo chama-se Seu mundo está pronto - A morte de Robert Creeley, uma das vozes mais originais da poesia americana, passou quase em branco no Brasil. Ao final, apresenta um poema de Creeley que, segundo Ruy, “nem está entre os mais notáveis do autor de "Later", mas que sempre me tocou de um modo próprio”. Aí vai o poema, copiado da Trópico ( http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2584,1.shl )


Lugar


Essa paisagem vazia,

apesar da luz,

ar, água -

gente andando ruas.


Me sinto fraco aqui.

Bem longe, bem

fechado em mim,

sem fazer do amor uma saída.


Preciso dos densos velhos tempos,

o sujo, o frio,

o ruído sobre o piso -

meu amor comigo.


Place


This is an empty landscape,

in spite of its light,

air, water -

the people walking the streets.


I feel faint here,

too far off, too

enclosed in myself,

can’t make love a way out.


I need the old time density,

the dirt, the cold,

the noise through the floor -

my love in company.




Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h28
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Los excessivos

 

A poeta Virna Teixeira está com um novo blog, em parceria com o poeta mexicano Jair Cortés: Los excessivos, que pode ser visitado em http://losexcessivos.blogspot.com


Desse novo endereço, que Virna mantém em paralelo ao seu blog Papel de Rascunho (http://papelderascunho.blogspot.com), copiei esta bela tradução:



Love

Robert Creeley


There are words voluptuous

as the flesh

in its moisture,

its warmth.


Tangible, they tell

the reassurances,

the comforts,

of being human


Not to speak them

makes abstract

all desire

and its death at last.


Amor


Há palavras voluptuosas

como a carne

na sua umidade,

seu calor.


Tangíveis, elas falam

das confirmações,

dos confortos,

de ser humano.


Não dizê-las

torna abstrato

todo desejo

e por fim sua morte.


Tradução: Virna Teixeira



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h32
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Um poeta de Brasília

Recebi o convite abaixo do poeta Nicolas Behr e estou divulgando. Boa oportunidade para conhecer um pouco mais da obra desse grande poeta de Brasília:

C O N V I T E

5 livros em 1 Primeira Pessoa, de Nicolas Behr

A Entrelivros Livraria & Cybercafé ( e o autor ) convidam para o lançamento da antologia Primeira Pessoa, reunindo os livros:

- Porque Construí Braxília, 1993

- Beijo de Hiena, 1993

- Pelas Lanchonetes dos Casais Felizes, 1994

- Segredo Secreto, 1996

- Viver Deveria Bastar, 2001

Dia 30 de Novembro ( quarta-feira ), a partir das 18 horas, na Entrelivros – 406 Norte, bloco B

 www.nicolasbehr.com.br

Ajude a divulgar, repasse aos amigos e amigas, e apareça! ( outros livros do autor também estarão disponíveis )



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h43
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Lolita, a ninfeta de Nabokov

"Há diversos vocábulos que entraram em nossa língua formados a partir de obras literárias. Vargas Llosa diz que uma sociedade que não conhecesse a escrita também não conheceria esses vocábulos, nascidos da pena de escritores que souberam, através de personagens imorredouros, dar uma imagem concreta de determinados aspectos de nós mesmos e de nossa realidade.” (Prof. Cláudio Moreno)


Ninfeta: um bom exemplo de uma palavra que passou a ser utilizada após a publicação de um livro. Vladimir Nabokov teve dificuldades para publicar seu Lolita, uma das obras mais polêmicas da literatura. Antes de ser lançado em 1955 por uma editora francesa que publicava eróticos, foi recusado por quatro editoras dos EUA, país para o qual Nabokov havia imigrado fugindo da ocupação nazista na França. Os cinco mil exemplares do romance, editado em inglês, esgotaram-se rapidamente. Pouco depois, a polícia francesa o baniu, e a obra ficou fora das prateleiras por dois anos. Só em 1958 é que acabou publicada sem incidentes nos Estados Unidos e, em 1959, aportou no Reino Unido. A partir daí virou um clássico que atrai atenções até hoje.


Atraiu a minha atenção. Comecei a ler Lolita, o romance da garotinha ousada, com bastante curiosidade. E logo no capítulo 5 (pág. 18), encontrei a definição que o personagem Humbert Humbert, o homem maduro que se apaixona pela ninfeta, dá ao termo que viria a se popularizar com esse romance:


Quero agora expor uma idéia. Entre os limites da idade de nove e catorze anos, virgens há que revelam a certos viajores enfeitiçados, bastante mais velhos do que elas, sua verdadeira natureza - que não é humana, mas nínfica (isto é, diabólica). A essas criaturas singulares proponho dar o nome de 'ninfetas'.”


E segue HH em seu raciocínio: “Será que todas as meninas entre esses limites de idade são ninfetas? Claro que não. Se assim fosse, nós que conhecemos o mapa do tesouro, que somos os viajantes solitários, os ninfoleptos, teríamos há muito enlouquecido. Tampouco a beleza serve como critério.” Segundo ele, o que “distingue a ninfeta das meninas de sua idade” são “certas características misteriosas, a graça preternatural, o charme imponderável, volúvel, insidioso e perturbador”.


Profundo conhecedor do tema, Nabokov, por meio do seu personagem, chega a adotar linguagem altamente didática: “Dentro dos mesmos limites de idade, o número de genuínas ninfetas é muitíssimo inferior ao das meninas provisoriamente sem atrativos, ou apenas 'bonitinhas' e até mesmo 'adoráveis', que são criaturas essencialmente humanas”. Por fim conclui que “a própria ninfeta não tem consciência de seu fantástico poder”.


O Aurélio traz uma definição bem clara de ninfeta: “Menina púbere voltada para o sexo e/ou que desperta desejo sexual”. Creio que Nabokov, nas 319 páginas em que estará descrevendo sua Lolita, queira expor um entendimento mais profundo e mais humano desse fenômeno chamado ninfeta. Vou verificar lendo o livro. E passarei a ser mais observador, para tentar distinguir, entre as que passarem por mim, as verdadeiras ninfetas das meninas comuns.


Fontes:

http://educaterra.terra.com.br/sualingua/02/02_vocabulos.htm

http://www.bravoonline.com.br/impressa.php?edit=li&numEd=96



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h30
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Um poeta gaúcho

 

Carlos Nejar tem um livrinho muito interessante: Caderno de fogo - Ensaios sobre poesia e ficção. Tirei o poema abaixo:



A estirpe

    Carlos Nejar


I.

A estirpe dos pássaros é o sono.

Não o dom de voar, mas de sonhar.

Matéria absoluta para o corpo

e pequena para a alma.


II.

Peguei o sono na mão

como um ninho de passarinho.

É quente e cheio de flor.


III.

Haverá mesmo algum sonho

que a palavra possa agarrar,

ou ela se embebeda sozinha,

presa à melodiosa volúpia,

deixando que outra parte se evapore

sob as árvores do ar ou da noite?


IV.

O poeta não é aprendiz de feiticeiro.

É aquele em que o sonho de tal forma cativou,

que se tornou aprendiz de absoluto.


V.

Aprendiz de absoluto é o último verso.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h02
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ir

e tornar o tempo

inflexível

 

ficar

e deixar o vácuo

situar-se

 

as mãos

roçam-se

 

a mala

na cama

aguarda

 

            Ricardo Senna Guimarães

 

Foto: Marko Mueller, in www.altphotos.com

 



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h52
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Bandeira em sua convivência diária com o verbo

“Em literatura a poesia está nas palavras, se faz com palavras e não com idéias e sentimentos, muito embora, bem entendido, seja pela força do sentimento ou pela tensão de espírito que acodem ao poeta as combinações de palavras onde há carga de poesia”.

Autor: Manuel Bandeira

Buscar na Web "Manuel Bandeira"



Categoria: Citação
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h47
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Um jeito próprio de persuadir

      Foto: Andrzej Jakubc, in www.altphotos.com

 

proporcionar a ti

a dor que calas ao permitir

um deixar que vá sem querer ir

entre paredes que separam mundos

na sala, no hall, no quarto de vestir

em hora tal que não exista

para quem ela não deva existir

a dor que lacrimeja os olhos

aguerrida, persistente, brava e ardente

a dor que queres, pois exigente

há de tudo fazer-se um pouco

para com outros saber discernir

a dor que marca sem nunca ferir


proporcionar a ti

a dor que invade ao permitir

práticas nunca feitas mas desejadas

no íntimo, no escuro, no momento em que

revira olhos ao sentir

com força, quase nunca,

mas com destreza

habilidade

pouco a pouco expandir

chegar aonde nunca chegou

até tornar-se adequada

perfeita com seu jeito próprio

de persuadir


proporcionar a ti

a dor que queres sem consentir

a dor que passa após atingir

o ponto tal em não mais é dor

é um certo gozar e depois deprimir

um pouco afrouxar após contrair

um deixar que vá sem querer ir

a dor que marca sem nunca ferir

a dor que encanta

a dor que repousa

que te cobre, te abraça

a dor que cessa: amor

a dor de resta: ardor


             Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h38
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