Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



Histórico
 01/07/2009 a 31/07/2009
 01/06/2009 a 30/06/2009
 01/08/2007 a 31/08/2007
 01/07/2007 a 31/07/2007
 01/06/2007 a 30/06/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/12/2006 a 31/12/2006
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/08/2006 a 31/08/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/01/2006 a 31/01/2006
 01/12/2005 a 31/12/2005
 01/11/2005 a 30/11/2005
 01/10/2005 a 31/10/2005
 01/09/2005 a 30/09/2005
 01/08/2005 a 31/08/2005
 01/07/2005 a 31/07/2005
 01/06/2005 a 30/06/2005
 01/05/2005 a 31/05/2005
 01/04/2005 a 30/04/2005


Categorias
Todas as mensagens
 Link
 Evento
 Citação
 Poemas meus
 Li, tô lendo, vou ler, vi
 Onde está Érika Vander?
 E Deus criou a mulher...
 Poesia do dia


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ricardo Senna Guimarães - novo blog
 Blocos
 sonetos.com.br
 Seção de Poesias da Casa da Cultura
 Messaginabótou - revista eletrônica de literatura
 Guia de poesia
 Poeta Luiz Alberto Machado
 Blog da poeta Virna Teixeira
 Nicolas Behr
 Blog da Mônica - 312 sul
 Fotolog do Rodrigo
 Meu fotolog


Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Um poeta escocês, seu poema e uma foto-poema

Republico o belo poema de Ian Finlay, agora acompanhado de uma foto-poema da ilha Rousay, localizada ao norte da Escócia, onde morou o poeta. Essa foto me foi gentilmente enviada pela Virna Teixeira, poeta, tradutora e estudiosa da poesia escocesa.

Poeta

Ian Hamilton Finlay

 

À noite, quando não consigo dormir,

Eu conto as ilhas

E suspiro quando chego em Rousay

— Minha querida ovelha negra.

 

Tradução: Virna Teixeira

Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h56
[] [envie esta mensagem]



Uns poetas escoceses (continuação)

 

Poeta

Ian Hamilton Finlay

 

À noite, quando não consigo dormir,

Eu conto as ilhas

E suspiro quando chego em Rousay

— Minha querida ovelha negra.

 

 

Escócia

Alastair Reid

 

Era um dia peculiar a este pedaço do planeta

quando cotovias subiam em longos cordões finos de canto

e o ar mudava com o reflexo de anjos reais.

A verdura entrava no corpo. O gramado

tremia com presenças, e a luz do sol

permanecia como um halo no cabelo e urze e colinas.

Indo para o centro da cidade, eu vi, num casaco de chuva radiante,

a mulher da peixaria. “Que dia é este!”

Exclamei, como uma madame afetada pelo sol.

E o que ela dizia dele?

Sua fronte ficou sombria, seus ancestrais enfureceram nos túmulos

enquanto falava com a sua miséria secular:

“Vamos pagar por isso, vamos pagar por isso, vamos pagar por isso!”

 

 

 

Traduções: Virna Teixeira

Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h15
[] [envie esta mensagem]



Uns poetas escoceses

Virna Teixeira, uma poeta que gosto muito e que tem um blog bem interessante (http://papelderascunho.blogspot.com), publicou na revista de poesia Inimigo Rumor nº 16, uma pequena antologia de poetas escoceses muito bem escolhidos.

 

Virna, que já morou na Escócia, diz que “embora seja difícil definir um estilo de poesia escocesa, escolhi uma pequena amostra de temas mais freqüentes na poesia daquele país: poemas com traços de nacionalismo, poemas que falam sobre a natureza do escocês e sobre as cidades e a paisagem desabitada e remota da Escócia, e mais recentemente, poemas que tratam da presença de imigrantes e outras culturas no país”.

 

Os poemas chegam a surpreender pela forma delicada com que abordam os temas citados. Publico, então, uma seleção ainda menor da que Virna escolheu:

 

 

Perfeito

Hugh McDiarmid

 

Na costa marítima oeste ao sul de Uist

(Los muertos abren los ojos a los que viven)

 

Encontrei o crânio de um pombo no campo.

Os ossos todos puros secos e brancos, e calcários,

Mas perfeitos

Sem um único arranhão ou falha.

Embaixo, nascendo do bico,

Havia cúpulas gêmeas como bolhas de osso fino,

Quase transparentes, onde antes o cérebro

Fixava o ângulo das asas.

 

 

 

Traduções: Virna Teixeira

Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h12
[] [envie esta mensagem]



Mais de Marina Tsvietáieva, uma poeta russa

Você me amava

(1923)

 

Você me amava: as honestas mentiras

pareciam na verdade ter raiz.

Maior que o tempo, que imenso, imensís-

simo (eu cria) um tal amor que aspiras-

 

se ser tão grande quanto o meu ardor!

Então, sem mais, a mão abana, o amor

se vai, respiro mal, mal digo a mim:

— Eis a verdade do início e do fim.

 

 

 

 

Fonte:

 

http://www.rosaleonor.blogspot.com

 

http://www.lumiarte.coml

 

Veja, 26/10/2005



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h24
[] [envie esta mensagem]



Uma poeta russa

Marina Tsvietáieva

 

Nasceu em Moscou em 1892 e enforcou-se em 11 de agosto de 1941, aproveitando a ausência do filho, a prestar uma jornada de "trabalho voluntário". Foi uma das grandes expressões da poesia modernista russa.

 

Teve poemas publicados na Nova Antologia Poesia Russa Moderna, Editora Brasiliense/1985, com tradução de Augusto de Campos. Agora, sai no Brasil o livro Marina, editora Travessa dos Editores, com tradução de Décio Pignatari.

 

Beijo na testa

(1917)

 

Beijo na testa — deleta aflição

                               imprime afeição

Beijo na testa

 

Beijo nos olhos — deleta pesadelo

                                   imprime desvelo

Beijo nos olhos

 

Beijo na boca — deleta sede e fome

                               imprime seu nome

Beijo na boca

 

Beijo na testa — deleta memória

                               e fim da história

Beijo na testa

 

 

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h19
[] [envie esta mensagem]



Um poeta peruano

 

Hildebrando Pérez Grande nasceu em Lima, em 1941. Entre suas obras, está Aguardiente (1978), Prêmio Casa de las Américas (Cuba). É professor na Faculdade de Letras da Universidad Mayor de San Marco, onde dirige, juntamente com o poeta Marco Matos, uma oficina de poesia, conhecida tradicionalmente como Taller de Poesía.

 

Lobo cinzento

   Hildebrando Pérez Grande


Sem piedade, arrastam teu coração

Por ruas e hospitais. As flores

Do mal incendeiam tua pele, tuas bagatelas literárias.

Te dizem que o laser é um raio milagroso. E

Estendem pontes, caracóis, esperanças

Sob o tremor de tua agonia. Agora só falas

Com o lobo cinzento que sempre te acompanha.

E me perguntas se o futuro ainda existe,

Ou é apenas o último cigarro

Que se apaga entre meus lábios.


Sem piedade, arrastam teu coração

Por ruas e hospitais, enquanto

Mastigo modorrento, me calando,

Teu silêncio insuportável.



Galo cego

   Hildebrando Pérez Grande


Um galo cego canta

No terraço da noite.

E sua esforçada arte

Não se perde no esquecimento.

Igual a ti, confunde

O cheiro da madrugada

Com o triste respirar da magnólia.

E então, onde está a Poesia?


Um galo cego ilumina a noite

Com a limpa faca de seu canto.



Traduções de Everardo Norões

Fonte: Revista Continente Multicultural, outubro/2005. Aliás, uma revista que recomendo conhecer, pois é exemplo de jornalismo cultural de grande qualidade feito em Pernambuco. Eu assino e recebo a revista em casa todos os meses. Veja em www.continentemulticultural.com.br



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h10
[] [envie esta mensagem]



Foto: Christian Linder

 

Em percalços

 

Meu caminhar é incauto

deixo rastros

pelos destinos

que escôo

vou descalço

são desatinos

os vôos

qu'inda alço

 

posto que

não tenho

sonhos castos

antes veleidade

crassa

em declínio

escolho pastos

onde grassa

o domínio

sabores gastos

da devassa

e do fascínio


meu caminhar é secundário

ando sôfrego

pelos enganos

que passei

fui libertário

guardo o fôlego

para os anos

que serei

solitário

 

visto que

vaticino sucumbir

ante as

poções de torpor

coronárias

 

suicidas

despendidas

arraigadas

 

declarações de amor

várias

esculpidas

engolidas

engasgadas


         Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h48
[] [envie esta mensagem]



"Tony Blair é um criminoso de guerra e os EUA são dirigidos por um bando de delinqüentes"

 

Quem escreveu isso aí em cima foi Harold Pinter, dramaturgo inglês ganhador do prêmio Nobel deste ano. Militante de esquerda, Harold Pinter é também poeta, diretor e roteirista. Escreveu mais de 30 peças de teatro, algumas já montadas no Brasil. Há alguns meses anunciou que iria abandonar o teatro para se dedicar a outras formas de literatura, entre elas a poesia.


Publico abaixo um poema de Harold Pinter em inglês para quem se animar a traduzi-lo:


Meeting


It is the dead of night,


The long dead look out towards

The new dead

Walking towards them


There is a soft heartbeat

As the dead embrace

Those who are long dead

And those of the new dead

Walking towards them


They cry and they kiss

As they meet again

For the first and last time


           Harold Pinter, 2002

 

Fonte: Correio Braziliense, Caderno C, 14/10/2005 e http://www.haroldpinter.org



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h03
[] [envie esta mensagem]



Às vezes escreve-se a cavalo

 

Trago um outro poema do livro Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Está na seção Todos os ritmos por dentro, pág. 184:



Caçar em vão

     Armando Freitas Filho


Às vezes escreve-se a cavalo.

Arremetendo, com toda a carga.

Saltando obstáculos ou não.

Atropelando tudo, passando

por cima sem puxar o freio -

a galope - no susto, disparado

sobre as pedras, fora da margem

feito só de patas, sem cabeça

nem tempo de ler no pensamento

o que corre ou o que empaca:

sem ter a calma e o cálculo

de quem colhe e cata feijão.



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h39
[] [envie esta mensagem]



O ídolo e a garotada

Fomos passar o final de semana em Goiânia, para assistir ao jogo Goiás x Vasco no Serra Dourada. Basicamente vimos 3 lugares: o Castro’s Hotel, onde ficamos hospedados junto com a delegação Vascaína, o próprio Serra Dourada e o Montana Grill, ótima churrascaria que, entre os sócios estão Chitãozinho&Chororó e Leonardo. Valeu!



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h22
[] [envie esta mensagem]



Veneno antimonotonia

 

No sábado ganhei outro livro, este bem interessante: Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Trata-se de uma seleção de escritos de vários autores e compositores bem conhecidos, como João Cabral, Drummond, Gullar, Quintana, Chico Buarque, Caetano, Gil, Cazuza, Noel Rosa, entre tantos outros. Com um detalhe: dos vinte selecionados, apenas duas mulheres - Ana Cristina Cesar e Adriana Calcanhoto.


Todo poema é, por princípio, um veneno antimonotonia.” Assim começa a apresentação do organizador do livro. E continua dizendo que “a máxima aspiração deste livro é estremecer a monotonia - das palavras gastas, do cotidiano insípido, da vida pálida. Canções e poemas, numa vizinhança harmoniosa, são os antídotos contra o vazio, o medo, a falta de imaginação”. Proposta interessante...


Folheando o livro, encontrei alguns textos bem conhecidos, tanto poemas quanto letras de músicas, tais como: Erro de português, do Oswald, O dia da criação, do Vinícius, Pro dia nascer feliz, do Cazuza, Alegria alegria, do Caetano... tantos e tantos!


Já que as mulheres estão pouco representadas no livro, publico um pequenino poema da Ana Cristina Cesar, mas que sempre me impressionou. Está lá na pag. 43 de Veneno Antimonotonia:


Cartilha da cura

     Ana Cristina Cesar


As mulheres e as crianças são as primeiras que

                              desistem de afundar navios.


Veneno antimonotonia: belíssima opção de presente para quem gosta de poesia.



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h36
[] [envie esta mensagem]



Nova literatura dos pampas

 

Hoje terminei de ler um livro que ganhei de presente no sábado: Vida dura, de Claudia Tajes. A gaúcha Claudia é publicitária e romancista, autora, entre outros, de um livro cujo título não me é estranho: As pernas de Úrsula - e outras possibilidades.


Vida dura conta a história de um jovem morador da periferia de Porto Alegre a quem falta quase tudo, como dinheiro, amor, conforto e trabalho. A ele só não faltam a criatividade característica daqueles que têm vontade de viver (e não apenas sobreviver) e a galhofa de chamar-se Leonel de Moura Brizola Coelho. Não que essa situação seja explorada no livro, pois em apenas algumas passagens a autora tentou fazer piada com o nome do personagem. O mote principal é que esse sujeito vira doador de sêmen e essa profissão passa a comandar os rumos da sua vida e dos(das) que com ele convivem.


Claudia abusa do humor. Às vezes exagera um pouco. Mas o livro é bastante divertido, de leitura fácil, com história envolvente. Exemplo da literatura contemporânea brasileira com linguagem bem atual, bastante solta (novamente às vezes exagera um pouco) e descompromissada. Bom entretenimento.


Já que acabei de conhecer essa nova autora, agora quero saber das pernas de Úrsula...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h01
[] [envie esta mensagem]



Ana, a poeta portuguesa com codinome "encandescente"

 

Encandescente tem um blog extraordinário: Erotismo na Cidade- Cantos De Um Amor Reinventado.

Vale a visita: http://eroticidades.blogspot.com/

 

Nevoeiro Nítido

         encandescente

 

Sinto mais a tua ausência

Em dias de sol

Quando tudo é nítido

Na paisagem.

Gosto mais de dias

Sombrios e de nevoeiro,

Em que as formas

Se definem

Só quando chegamos perto.

Posso sempre esperar

Que aquele vulto ao longe

Que se aproxima

Sejas tu.

Como D. Sebastião

Saindo do nevoeiro.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h07
[] [envie esta mensagem]



Poema de uma poeta portuguesa muito interessante, chamada Encandescente

 

Se

  encandescente


Se pudesses voltar atrás

Emendar todos os erros

E tornar o passado perfeito

Será que o farias?

Se soubesses da despedida

Abririas ainda os braços?

Emendarias o passado

Para modificar o presente?

Conjugarias o verbo ser

Mesmo sendo hoje ausente?

Arriscarias a partida

Se soubesses da chegada?

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h15
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]