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Um poeta escocês, seu poema e uma foto-poema
Republico o belo poema de Ian Finlay, agora acompanhado de uma foto-poema da ilha Rousay, localizada ao norte da Escócia, onde morou o poeta. Essa foto me foi gentilmente enviada pela Virna Teixeira, poeta, tradutora e estudiosa da poesia escocesa.

Poeta
Ian Hamilton Finlay
À noite, quando não consigo dormir,
Eu conto as ilhas
E suspiro quando chego em Rousay
— Minha querida ovelha negra.
Tradução: Virna Teixeira
Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h56
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Uns poetas escoceses (continuação)
Poeta
Ian Hamilton Finlay
À noite, quando não consigo dormir,
Eu conto as ilhas
E suspiro quando chego em Rousay
— Minha querida ovelha negra.
Escócia
Alastair Reid
Era um dia peculiar a este pedaço do planeta
quando cotovias subiam em longos cordões finos de canto
e o ar mudava com o reflexo de anjos reais.
A verdura entrava no corpo. O gramado
tremia com presenças, e a luz do sol
permanecia como um halo no cabelo e urze e colinas.
Indo para o centro da cidade, eu vi, num casaco de chuva radiante,
a mulher da peixaria. “Que dia é este!”
Exclamei, como uma madame afetada pelo sol.
E o que ela dizia dele?
Sua fronte ficou sombria, seus ancestrais enfureceram nos túmulos
enquanto falava com a sua miséria secular:
“Vamos pagar por isso, vamos pagar por isso, vamos pagar por isso!”
Traduções: Virna Teixeira
Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h15
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Uns poetas escoceses
Virna Teixeira, uma poeta que gosto muito e que tem um blog bem interessante (http://papelderascunho.blogspot.com), publicou na revista de poesia Inimigo Rumor nº 16, uma pequena antologia de poetas escoceses muito bem escolhidos.
Virna, que já morou na Escócia, diz que “embora seja difícil definir um estilo de poesia escocesa, escolhi uma pequena amostra de temas mais freqüentes na poesia daquele país: poemas com traços de nacionalismo, poemas que falam sobre a natureza do escocês e sobre as cidades e a paisagem desabitada e remota da Escócia, e mais recentemente, poemas que tratam da presença de imigrantes e outras culturas no país”.
Os poemas chegam a surpreender pela forma delicada com que abordam os temas citados. Publico, então, uma seleção ainda menor da que Virna escolheu:
Perfeito
Hugh McDiarmid
Na costa marítima oeste ao sul de Uist
(Los muertos abren los ojos a los que viven)
Encontrei o crânio de um pombo no campo.
Os ossos todos puros secos e brancos, e calcários,
Mas perfeitos
Sem um único arranhão ou falha.
Embaixo, nascendo do bico,
Havia cúpulas gêmeas como bolhas de osso fino,
Quase transparentes, onde antes o cérebro
Fixava o ângulo das asas.
Traduções: Virna Teixeira
Fonte: Revista de poesia Inimigo Rumor, nº 16, 1º semestre de 2004, págs. 133 a 142
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h12
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Mais de Marina Tsvietáieva, uma poeta russa
Você me amava
(1923)
Você me amava: as honestas mentiras
pareciam na verdade ter raiz.
Maior que o tempo, que imenso, imensís-
simo (eu cria) um tal amor que aspiras-
se ser tão grande quanto o meu ardor!
Então, sem mais, a mão abana, o amor
se vai, respiro mal, mal digo a mim:
— Eis a verdade do início e do fim.
Fonte:
http://www.rosaleonor.blogspot.com
http://www.lumiarte.coml
Veja, 26/10/2005
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h24
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Uma poeta russa
Marina Tsvietáieva
Nasceu em Moscou em 1892 e enforcou-se em 11 de agosto de 1941, aproveitando a ausência do filho, a prestar uma jornada de "trabalho voluntário". Foi uma das grandes expressões da poesia modernista russa.
Teve poemas publicados na Nova Antologia Poesia Russa Moderna, Editora Brasiliense/1985, com tradução de Augusto de Campos. Agora, sai no Brasil o livro Marina, editora Travessa dos Editores, com tradução de Décio Pignatari.
Beijo na testa
(1917)
Beijo na testa — deleta aflição
imprime afeição
Beijo na testa
Beijo nos olhos — deleta pesadelo
imprime desvelo
Beijo nos olhos
Beijo na boca — deleta sede e fome
imprime seu nome
Beijo na boca
Beijo na testa — deleta memória
e fim da história
Beijo na testa
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h19
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Um poeta peruano
Hildebrando Pérez Grande nasceu em Lima, em 1941. Entre suas obras, está Aguardiente (1978), Prêmio Casa de las Américas (Cuba). É professor na Faculdade de Letras da Universidad Mayor de San Marco, onde dirige, juntamente com o poeta Marco Matos, uma oficina de poesia, conhecida tradicionalmente como Taller de Poesía.
Lobo cinzento
Hildebrando Pérez Grande
Sem piedade, arrastam teu coração
Por ruas e hospitais. As flores
Do mal incendeiam tua pele, tuas bagatelas literárias.
Te dizem que o laser é um raio milagroso. E
Estendem pontes, caracóis, esperanças
Sob o tremor de tua agonia. Agora só falas
Com o lobo cinzento que sempre te acompanha.
E me perguntas se o futuro ainda existe,
Ou é apenas o último cigarro
Que se apaga entre meus lábios.
Sem piedade, arrastam teu coração
Por ruas e hospitais, enquanto
Mastigo modorrento, me calando,
Teu silêncio insuportável.
Galo cego
Hildebrando Pérez Grande
Um galo cego canta
No terraço da noite.
E sua esforçada arte
Não se perde no esquecimento.
Igual a ti, confunde
O cheiro da madrugada
Com o triste respirar da magnólia.
E então, onde está a Poesia?
Um galo cego ilumina a noite
Com a limpa faca de seu canto.
Traduções de Everardo Norões
Fonte: Revista Continente Multicultural, outubro/2005. Aliás, uma revista que recomendo conhecer, pois é exemplo de jornalismo cultural de grande qualidade feito em Pernambuco. Eu assino e recebo a revista em casa todos os meses. Veja em www.continentemulticultural.com.br
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h10
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Foto: Christian Linder
Em percalços
Meu caminhar é incauto
deixo rastros
pelos destinos
que escôo
vou descalço
são desatinos
os vôos
qu'inda alço
posto que
não tenho
sonhos castos
antes veleidade
crassa
em declínio
escolho pastos
onde grassa
o domínio
sabores gastos
da devassa
e do fascínio
meu caminhar é secundário
ando sôfrego
pelos enganos
que passei
fui libertário
guardo o fôlego
para os anos
que serei
solitário
visto que
vaticino sucumbir
ante as
poções de torpor
coronárias
suicidas
despendidas
arraigadas
declarações de amor
várias
esculpidas
engolidas
engasgadas
Ricardo Senna Guimarães
Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h48
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"Tony Blair é um criminoso de guerra e os EUA são dirigidos por um bando de delinqüentes"
Quem escreveu isso aí em cima foi Harold Pinter, dramaturgo inglês ganhador do prêmio Nobel deste ano. Militante de esquerda, Harold Pinter é também poeta, diretor e roteirista. Escreveu mais de 30 peças de teatro, algumas já montadas no Brasil. Há alguns meses anunciou que iria abandonar o teatro para se dedicar a outras formas de literatura, entre elas a poesia.
Publico abaixo um poema de Harold Pinter em inglês para quem se animar a traduzi-lo:
Meeting
It is the dead of night,
The long dead look out towards
The new dead
Walking towards them
There is a soft heartbeat
As the dead embrace
Those who are long dead
And those of the new dead
Walking towards them
They cry and they kiss
As they meet again
For the first and last time
Harold Pinter, 2002
Fonte: Correio Braziliense, Caderno C, 14/10/2005 e http://www.haroldpinter.org
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h03
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Às vezes escreve-se a cavalo
Trago um outro poema do livro Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Está na seção Todos os ritmos por dentro, pág. 184:
Caçar em vão
Armando Freitas Filho
Às vezes escreve-se a cavalo.
Arremetendo, com toda a carga.
Saltando obstáculos ou não.
Atropelando tudo, passando
por cima sem puxar o freio -
a galope - no susto, disparado
sobre as pedras, fora da margem
feito só de patas, sem cabeça
nem tempo de ler no pensamento
o que corre ou o que empaca:
sem ter a calma e o cálculo
de quem colhe e cata feijão.
Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h39
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O ídolo e a garotada

Fomos passar o final de semana em Goiânia, para assistir ao jogo Goiás x Vasco no Serra Dourada. Basicamente vimos 3 lugares: o Castro’s Hotel, onde ficamos hospedados junto com a delegação Vascaína, o próprio Serra Dourada e o Montana Grill, ótima churrascaria que, entre os sócios estão Chitãozinho&Chororó e Leonardo. Valeu!
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h22
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Veneno antimonotonia
No sábado ganhei outro livro, este bem interessante: Veneno antimonotonia - os melhores poemas e canções contra o tédio, com organização de Eucanaã Ferraz. Trata-se de uma seleção de escritos de vários autores e compositores bem conhecidos, como João Cabral, Drummond, Gullar, Quintana, Chico Buarque, Caetano, Gil, Cazuza, Noel Rosa, entre tantos outros. Com um detalhe: dos vinte selecionados, apenas duas mulheres - Ana Cristina Cesar e Adriana Calcanhoto.
“Todo poema é, por princípio, um veneno antimonotonia.” Assim começa a apresentação do organizador do livro. E continua dizendo que “a máxima aspiração deste livro é estremecer a monotonia - das palavras gastas, do cotidiano insípido, da vida pálida. Canções e poemas, numa vizinhança harmoniosa, são os antídotos contra o vazio, o medo, a falta de imaginação”. Proposta interessante...
Folheando o livro, encontrei alguns textos bem conhecidos, tanto poemas quanto letras de músicas, tais como: Erro de português, do Oswald, O dia da criação, do Vinícius, Pro dia nascer feliz, do Cazuza, Alegria alegria, do Caetano... tantos e tantos!
Já que as mulheres estão pouco representadas no livro, publico um pequenino poema da Ana Cristina Cesar, mas que sempre me impressionou. Está lá na pag. 43 de Veneno Antimonotonia:
Cartilha da cura
Ana Cristina Cesar
As mulheres e as crianças são as primeiras que
desistem de afundar navios.
Veneno antimonotonia: belíssima opção de presente para quem gosta de poesia.
Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h36
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Nova literatura dos pampas
Hoje terminei de ler um livro que ganhei de presente no sábado: Vida dura, de Claudia Tajes. A gaúcha Claudia é publicitária e romancista, autora, entre outros, de um livro cujo título não me é estranho: As pernas de Úrsula - e outras possibilidades.
Vida dura conta a história de um jovem morador da periferia de Porto Alegre a quem falta quase tudo, como dinheiro, amor, conforto e trabalho. A ele só não faltam a criatividade característica daqueles que têm vontade de viver (e não apenas sobreviver) e a galhofa de chamar-se Leonel de Moura Brizola Coelho. Não que essa situação seja explorada no livro, pois em apenas algumas passagens a autora tentou fazer piada com o nome do personagem. O mote principal é que esse sujeito vira doador de sêmen e essa profissão passa a comandar os rumos da sua vida e dos(das) que com ele convivem.
Claudia abusa do humor. Às vezes exagera um pouco. Mas o livro é bastante divertido, de leitura fácil, com história envolvente. Exemplo da literatura contemporânea brasileira com linguagem bem atual, bastante solta (novamente às vezes exagera um pouco) e descompromissada. Bom entretenimento.
Já que acabei de conhecer essa nova autora, agora quero saber das pernas de Úrsula...
Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h01
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Ana, a poeta portuguesa com codinome "encandescente"
Encandescente tem um blog extraordinário: Erotismo na Cidade- Cantos De Um Amor Reinventado.
Vale a visita: http://eroticidades.blogspot.com/
Nevoeiro Nítido
encandescente
Sinto mais a tua ausência
Em dias de sol
Quando tudo é nítido
Na paisagem.
Gosto mais de dias
Sombrios e de nevoeiro,
Em que as formas
Se definem
Só quando chegamos perto.
Posso sempre esperar
Que aquele vulto ao longe
Que se aproxima
Sejas tu.
Como D. Sebastião
Saindo do nevoeiro.
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h07
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Poema de uma poeta portuguesa muito interessante, chamada Encandescente
Se
encandescente
Se pudesses voltar atrás
Emendar todos os erros
E tornar o passado perfeito
Será que o farias?
Se soubesses da despedida
Abririas ainda os braços?
Emendarias o passado
Para modificar o presente?
Conjugarias o verbo ser
Mesmo sendo hoje ausente?
Arriscarias a partida
Se soubesses da chegada?
Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h15
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