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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

 

 

l'art pour l'art


a lassidão do não saber se

a mala na poltrona

aguarda ser

arrumada

ou

desarrumada


um espelho mostra tudo

nada vê


os restos do desjejum

que se espera

chegar

ou

ser levado


a porta do banheiro semi-aberta

nada diz


um ventilador de teto

agita cortinas brancas

amareladas


luzes tremeluzentes

entram e saem

nada ouvem


mostram corpos

às vezes sim

às vezes não

relaxados


        Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h19
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Sarau

Sábado fomos, Yda e eu, a um sarau na casa da Yara. Anfitriã simpatissíssima, músicos maravilhosos, poetas inspirados, comes e bebes de primeira. Noite agradabilíssima. Tivemos o imenso prazer de conhecer Isolda Marinho, poeta atuante em Brasília, com livros publicados, concursos de poesia ganhos, trabalhos voluntários... E, de quebra, descobri que é minha colega de trabalho!

 

Ganhei de presente da Yda dois livros da Isolda: Sementes de Amora e Viço do Verso, com dedicatórias da autora e da esposa muito especiais. Adorei!

 

É como está dito na pág 5 do livro Viço do Verso:

 

"Publicar um volume de versos

é como jogar pétalas de rosas no

Grand Canyon

e ficar esperando o eco"

                    Don Marquis

 

"Acreditem no eco..."

 

Aproveito para publicar no post abaixo um poema de Viço do Verso:



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h16
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Poema de Isolda Marinho, do livro Viço do Verso

Tempero

Isolda Marinho

 

Esse teu hálito

de amêndoa

e de raminho

me atrai

de amores

de cereja e amendoim

 

Esse teu cheiro

camomila

de cominho

me envolve

em sândalo

de cravo e benjoim

 

Esse teu gosto

rosa-chá

de porcelana

me embriaga

de baunilha

e pó-de-arroz

 

Esse teu beijo

de marfim

que não me engana

me seduz pronta

ao musgo oliva

de nós dois



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h12
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Ontem a vida fechou uma volta

 

Fomos encontrar velhos amigos da minha infância, da turma que era a minha vida na segunda metade dos anos 70, quando eu tinha entre 12 e 15 anos. Vários eu não via desde aquela época. E que alegria reencontrar e poder conversar de novo com Moniquinha, Sybele, Cid, Bruno, Ana Paula, Aidaelena, Dulce, Vicente (e Tânia), Marta Imperial...

No próximo encontro queremos encontrar também: Celso, Adriana, Fernando, Ernesto, Christina Silveira... e todos os outros que fizeram parte daquele grupo marcante. Os que moram fora de Brasília, como o Marco Aurélio, quem sabe um dia aparecem?

Apesar de terem partido mais cedo, com certeza Julio Cesar e André estavam entre nós ontem à noite. E estarão também nos próximos encontros.

Hoje em dia, quando vejo meus filhos vivendo a mesma fase que vivi naquela época, repetindo as mesmas brincadeiras, curtindo as mesmas descobertas, percorrendo os mesmos caminhos, percebo que a vida fecha os seus ciclos, e mais uma volta se inicia. Tudo o que levamos são os bons momentos que passamos com as pessoas que gostamos.

Viva a turma da 312 sul!

Aproveito para republicar um pequeno poema meu em lembrança daqueles tempos:


Amigo velho

 

Um velho amigo telefonou-me

amigo velho

desses que a gente não vê e não esquece

e não convive mas vive

de lembranças

de passagens tão autênticas

que mereciam ser registradas em livro.


Amigo velho

amigo que era braço e perna

jogo e vida

ar e sangue daqueles tempos

e que tempos!


Tempos que passaram

tempos em que a fantasia era a realidade

e tinha-se plena convicção disso

tempos de infância

em que um amigo valia a vida

e a vida valia muito.


Amigo velho

vamos nos encontrar

será que voltaremos a nos ver

ao menos por um instante

de calças curtas

             de cara suja

                  de braços dados?


Ricardo Senna Guimarães




Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h04
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Estamos reativando a campanha: Onde está Érika Vander?

Tenho na minha estante algo que considero uma relíquia: o primeiro livro de Cora Coralina, “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais”. O meu é a segunda edição, de 1977, impressa na Universidade Federal de Goiás. Parece uma publicação quase artesanal, tem cara e jeito de coisa antiga, e já está um pouco amarelada. Como a consegui? “Capturando” das coisas do meu irmão. Claro, tempos depois, ele consentiu e hoje já consideramos como meu.

 

Dentro do livro há um bilhete escrito a caneta de próprio punho por Cora Coralina. Diz ele:

 

“Érika Vander

 

Erika, você é linda e cheia de encantos. Tive seu tamanho e sua idade e ninguém me deu caminhos, nem amor e nem cuidados.

 

Desejei tanto uma boneca de louça que eu dizia: Boneca de Verdade. Minhas bonecas eram bonecas de pano, bonecas de mentira, chamadas Bruxas. Eu queria a boneca da loja que morava na caixinha, queria tanto, e nunca foi minha.

 

Cora Coralina

Cidade de Goiás, 3-3-81”

 

Parece-me uma preciosidade.

 

Acontece que ninguém sabe quem é Érika Vander, para quem Cora escreveu esse bilhete. Seria uma menina à época? E hoje, quem será? Como veio parar esse bilhete nas minhas mãos?

 

Estamos em campanha: onde está Érika Vander? Contamos com a ajuda de todos os blogueiros para encontrar essa personagem cheia de mistérios. Participe como puder!

 

Veja abaixo a foto da relíquia:

 

 



Categoria: Onde está Érika Vander?
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h36
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Mario Quintana e a arte de encontrar moedinhas perdidas

Uma pequena, ligeira seleção de poemas de Mario Quintana em “Apontamentos de história sobrenatural”:

 

Um vôo de Andorinha

 

Um vôo de andorinha

Deixa no ar o risco de um frêmito...

Que é isto, coração?! Fica aí, quietinho:

Chegou a idade de dormir!

Mas

Quem é que pode parar os caminhos?

E os rios cantando e correndo?

E as folhas ao vento? E os ninhos...

E a poesia...

A poesia como um seio nascendo...

 

 

Biografia

 

Entre o olhar suspeitoso da tia

E o olhar confiante do cão

O menino inventava a poesia...

 

 

Guerra

 

Os aviões abatidos

são cruzes caindo do céu.

 

 

Descobertas

 

Descobrir Continentes é tão fácil como esbarrar com um elefante:

Poeta é o que encontra uma moedinha perdida...

 

 

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h24
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Pátria                                                                                     Mais fotos do jogo em http://ricardosenna.vipflog.com.br/

  Estivemos ontem no estádio assistindo ao jogo Brasil 5x0 Chile, no qual nossa seleção garantiu a participação na Copa do Mundo 2006. A foto acima foi tirada da geral do estádio. Como estamos na semana da pátria, trago abaixo um poema que diz muito sobre esse sentimento:

 

 

Exílios

Pablo Antonio Cuadra (poeta nicaragüense, nascido em 1912)

 

Quando canta o galo levanto-me e vejo o amanhecer de minha pátria

É bela e radiante e meu coração é um rei que recebe seu trono

Não. Não irei de minha pátria. Aqui morrerei.

 

Porém o sol se põe e volto meus olhos ao país de meus sonhos

E toda a cinza do mundo cai sobre sua face

Então quisera ser estrangeiro

Para regressar à minha pátria

Então ouço o rumor feliz das cidades que não são minhas

Ouço a noite cheia de exílios

Devo partir, me digo

E meu sonho é uma viagem sob a tutela dos astros

Até que canta o galo

E outra vez o amanhecer se apodera de meu canto

Não. Não irei daqui. E volto

A levantar o muro com as pedras que caíram.

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h14
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