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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Chuva em final de tarde

 

trouxe este poema

debaixo de chuva


embrulhado

em pacote de supermercado


o guarda-chuva

chinês


vontade

de conhecer a europa


os pés molhados

como em criança


quarenta anos

e nada mais a dizer


            Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h59
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Uma flor para você que visita o meu blog

 

Rebentar

porque é de sua natureza rebentar

expelir

alma, corpo e a intenção única

aventurar

pelo território inexplorado

grimpar

campanha fiel à existência

irromper

de forma veneravelmente impetuosa

nascer

flor de violeta

colossal domínio do encanto

 

                         Ricardo Senna Guimarães

 



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h21
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Domingo. Um super passeio de moto embaixo do céu de Brasília. Valeu!

Mais fotos do passeio em http://ricardosenna.vipflog.com.br



Categoria: E Deus criou a mulher...
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 20h28
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Boa indicação de filme

Neste final de semana assisti a um filme nacional surpreendente, dos mesmos produtores de Cidade de Deus: “Contra todos”. Retrato cru, muito cru, de personagens da classe média baixa na periferia de São Paulo. Vazios, mentiras e a luta pela sobrevivência emocional e pessoal. Ah sim, e todos têm os seus desejos. Muitos desejos. Está na locadora. Assista!



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 20h26
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Rocha de gelo guardada no alto de uma montanha

rocha

 

sonhei que essa mulher morria

e morreu

exatamente como sonhei

olhos brilhantes arregalados

fala trêmula salpicante

afoita

a dizer-me quero-te

 

de tanto amor tornou-se rocha

de gelo guardada no alto de uma montanha

 

e as rochas...

             as rochas não querem

                                          jamais

 

                              

                               Ricardo Senna Guimarães

 

 

Foto: Ilona Wellmann, copiada do site http://ilonawellmann.meinatelier.de/index.php4

 



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h51
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Biografias

 

Começo a ler uma biografia sempre muito comentada: “Estrela solitária – um brasileiro chamado Garrincha”, de Ruy Castro. A apresentação do livro na quarta capa dá uma pequena amostra de algumas pitadas apelativas que, já percebi, contém o livro: “Garrincha fez o mundo rir. Agora ele fará você chorar. (...) conta a dramática história de um ídolo, amado por uma mulher e por um povo inteiro, mas que acabou destruído por um inimigo implacável.”


Com certeza, essas pequenas apelações e a insistência em querer destacar a performance sexual do personagem em nada invalidam o trabalho de fôlego realizado por Ruy Castro, a sua extensa pesquisa e o seu estilo leve de escrever. E, principalmente, o seu talento descritivo e o seu bom humor.


Até agora li apenas 64 páginas e conheci praticamente os antepassados do craque e sua primeira vida, que vai do nascimento ao início da fase adulta. Nessa fase, ele está com 19 anos e acaba de ser contratado pelo Botafogo. Claro que as grandes glórias e suas tragédias ainda estão por vir. Veremos.


Aqui em casa estamos numa fase de ler biografias. Yda, minha mulher, que começou. Leu a vida de Cazuza, do Abílio Diniz e da Cássia Eller; está lendo a do Samuel Klein; o próximo da sua lista é Nelson Rodrigues, livro também escrito pelo Ruy Castro, que já comprei e está pacientemente aguardando na estante.


Neste final de semana assistimos ao filme baseado no livro do Garrincha (este que estou lendo). Entretanto, o filme é bem ruinzinho. Não gostei. Mal feito, com atores mal escolhidos, não retrata a emoção contida no livro. Não recomendo. Prefira ler o livro.


Neste mesmo final de semana assistimos a outra biografia, “Dois filhos de Francisco”, que conta a história de Zezé de Camargo & Luciano e da sua família. Esse sim, grande filme! Emocionante e muito bem feito. Recomendo mesmo para aqueles que odeiam música sertaneja. Está na hora de quebrar alguns paradigmas e assistir a um (mais um) belo filme nacional. Não perca. 



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h33
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Imagem e desejo

Um lindo Ipê Amarelo na Esplanada dos Ministérios.Foto: Augusto Areal, que mantém um site de fotos de Brasília muito interessante. Vale a visita: www.infobrasilia.com.br

 

imagético


um ipê amarelo

florido

na rua principal

da minha cidade


quieto

sem dizer palavra


em casa cultivo

meu jardim baldio


flores reclamam

do tempo seco


há um sol aqui e aí


ah, imagem perfeita

do desejo que sinto

por ti


        Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h39
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Lya Luft

No dia dos pais ganhei da minha mãe o novo livro de poesias da Lya Luft, “Para não dizer adeus”. Peguei para lê-lo hoje de manhã, ao som de músicas baixadas no soulseek. Fui marcando com volantes da loteca os poemas que me chamaram a atenção. Descobri que Lya Luft torna-se poeta à medida que vai deixando de lado sua veia de conselheira otimista com os caminhos que a vida poderá trazer.  Muitas vezes a constatação funciona melhor que a intervenção. Assim como neste poema, que está na pág. 31:

 

Dança lenta

 

Não somos bons nem maus:

somos tristes. Plantados entre chão

e estrelas, lutamos com sangue,

pedras e paus, sonho

e arte.

 

Nem vida nem morte:

somos lúcida vertigem,

glória e danação. Somos gente:

dura tarefa.

Com sorte, aqui e ali a ternura

faz parte.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h26
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Finais de tarde em meados de agosto

 

Alguém muito próximo, disposto a trocar confidências.

Alguém que podemos alcançar com um olhar, não mais que isso.

Alguém que não tem sempre as respostas, mas que tem a nossa cumplicidade.

Assim é o céu de Brasília. Quem mora por aqui sabe.

E, de vez em quando, se pega conversando com o céu.

 

 Foto: Augusto Areal, que mantém um site de fotos de Brasília muito interessante. Vale a visita: www.infobrasilia.com.br

 

Dúvida de menina sob o céu de Brasília

 

Olhar no céu a sua sina

e mais que olhar

esperar do céu a sua sorte

e mais que esperar

questionar ao céu o seu receio:

"- pecarei?"


Hesitação inevitável de menina

na busca de resposta que a conforte

do clarão iminente de seu anseio.


"- Pecarás!

Pecarás de dia e a sol posto

pecarás de modo exuberante e profuso

com olhos largos e sorriso exposto.


Porém, hás de cumprir este meu devaneio:


pecarás com vermelhidão no rosto

a mesma que em Brasília eu produzo

nos finais de tarde em meados de agosto.”

                                                                                              Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h43
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Vasco da Gama, tua imensa torcida é bem feliz!

 

X Três vitórias seguidas!!! A coisa tá melhorando. Quem diria...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h20
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Erotismo na cidade

Foto: Pascal Renoux, copiada do blog http://eroticidades.blogspot.com/

dedos que convidam

corpos cavernosos

preenchidos


          Ricardo Senna Guimarães



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h23
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Breve romance do sonho

Acabo de ler “Breve Romance de Sonho”, de Arthur Schnitzler, escritor austríaco nascido em 1862 que, como dizem, antecipou idéias do criador da psicanálise, Sigmund Freud.

 

Mario César Carvalho, repórter da Folha de SP, escreveu o seguinte: “Esqueça Freud e sua declaração de que evitava ler as obras de Arthur Schnitzler por temer que influenciassem o seu pensamento. Tratar o escritor austríaco como um duplo de Freud em registro ficcional, como virou clichê, é uma traição – ao escritor e ao criador da psicanálise. Schnitzler e Freud interessavam-se por sexo e morte, mas acabam aí as confluências. Enquanto Freud privilegiava as perversões, Schnitzler explora o nó que liga sexo e morte para jogar uma luz (bruxuleante que seja) sobre a mediocridade da vida conjugal burguesa e as razões da infidelidade.”

 

Confesso que, ao ler essas observações, esperava encontrar um texto mais psicológico. Porém, Schnitzler fez uma novela descritiva, sem muitas explicações, na qual os personagens aparecem e somem sem que tenhamos a chance de conhecê-los em maior profundidade. A escrita é um pouco rebuscada e os trechos em que há descrição dos encontros “sexuais” talvez fossem capaz de causar algum furor na sociedade européia dos anos vinte. Mas não deixa de prender o leitor pelo desenrolar dos acontecimentos e pela esperança de que o protagonista realmente se envolva em uma situação luxuriante.

 

Uma referência interessante é que Stanley Kubrick baseou-se em “Breve Romance de Sonho” para fazer, em 1999, seu filme de despedida, o conhecido “De olhos bem fechados”, com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais. Assisti à época, e agora pretendo revê-lo.

 

Classificação: leitura aceitável para um domingo de chuva ou para conhecer um pouco dos detalhes do cotidiano (e das perversões) da sociedade européia do início do século XX. Como diz a esposa do personagem principal, já ao final do livro: “Estou tão certa quanto suspeito que a realidade de uma noite ou mesmo de toda uma vida não significa sua verdade mais íntima.” Sim, é claro, há os sonhos...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h38
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Adélia Prado

 

Hoje o Correio Braziliense publicou um poeminha delicioso da Adélia Prado. Reproduzo aqui:


Neurolingüística


Quando ele me disse

ô linda,

pareces uma rainha,

fui ao cúmice* do ápice

mas segurei meu desmaio.

Aos sessenta anos de idade,

vinte de casta viuvez,

quero estar bem acordada,

caso ele fale outra vez.



* essa palavra não está no Aurélio. Não seria “cume”?



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h22
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Os poetas e seus jardins

 

A poeta Virna Teixeira está inaugurando sua coluna quinzenal na revista Cronópios - Literatura & Arte ( http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=404 ) falando sobre Ian Hamilton Finlay, artista plástico, poeta e “avant-gardener”. Mostra curiosidades e fotos sobre Little Sparta, o jardim do poeta-artista, que Virna classifica como “um dos lugares mais pitorescos da Escócia.” Claro que ela fala com conhecimento de causa, já que passou dois anos morando naquele país. Ela cita que o poeta pode ser visto no seu jardim, “aos 80 anos, molhando as plantas, com suas roupas e botas de jardineiro” e traz outras interessantíssimas observações. Legal, Virna. Ótima leitura para as nossas próximas quinzenas!


Curiosamente me lembrei das minhas andanças pelo mundo dos blogs e de uma foto que achei no “Reflexões no Paranoá”, blog de alguém muito culto e morador da cidade em que vivo, Brasília. Vale a visita: http://jlmdias.blog.uol.com.br/arch2005-05-16_2005-05-31.html


O título do post é “O jardim do poeta” e traz a foto que colei abaixo. Trata-se do poeta Stanley Kunitz cuidando do seu jardim em Provincetown, Mass, EUA.


Coincidências de poetas que cultuam seus jardins...



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h11
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A simpática imagem acima foi copiada do blog http://paolavannucci.blog.uol.com.br. Legal!



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h27
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Foto: SilvesterCat, no blog http://eroticidades.blogspot.com/

hora da partida


passos rápidos nos levam

a deixar para trás o que nosso foi

por um instante


levamos muito

daqui

deixamos pouco


não mais que uma sombra

esquecida na calçada


             Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h26
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De dentro do turbilhão denso

Um turbilhão denso invade seus sonhos

vendaval agita-lhe os cabelos

poeira levantada envolve-lhe sem piedade

sente-se girar, girar, girar

a sensação que lhe toma é densa

sente cheiro de mar agitado

visualiza a água avançar abrupta sobre a pedra

denso, denso, tudo é muito denso

a boca salga

os olhos fecham em aperto

sente-se alçar de súbito

ganha asas de mariposa

penetra as nuvens densas

do alto vê sua cama

distante, desalinhada

um ser muito, muito denso

derrama-se entre suas pernas

o turbilhão deixa suas marcas.

 

                       Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h23
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