Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



Histórico
 01/07/2009 a 31/07/2009
 01/06/2009 a 30/06/2009
 01/08/2007 a 31/08/2007
 01/07/2007 a 31/07/2007
 01/06/2007 a 30/06/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/12/2006 a 31/12/2006
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/08/2006 a 31/08/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/01/2006 a 31/01/2006
 01/12/2005 a 31/12/2005
 01/11/2005 a 30/11/2005
 01/10/2005 a 31/10/2005
 01/09/2005 a 30/09/2005
 01/08/2005 a 31/08/2005
 01/07/2005 a 31/07/2005
 01/06/2005 a 30/06/2005
 01/05/2005 a 31/05/2005
 01/04/2005 a 30/04/2005


Categorias
Todas as mensagens
 Link
 Evento
 Citação
 Poemas meus
 Li, tô lendo, vou ler, vi
 Onde está Érika Vander?
 E Deus criou a mulher...
 Poesia do dia


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ricardo Senna Guimarães - novo blog
 Blocos
 sonetos.com.br
 Seção de Poesias da Casa da Cultura
 Messaginabótou - revista eletrônica de literatura
 Guia de poesia
 Poeta Luiz Alberto Machado
 Blog da poeta Virna Teixeira
 Nicolas Behr
 Blog da Mônica - 312 sul
 Fotolog do Rodrigo
 Meu fotolog


Poesia e + ... Ricardo Senna Guimarães
 

Alice Ruiz - haikais de Yuuka

Transcrevo uma pequena amostra dos belos haikais do livro Yuuka, de Alice Ruiz:

 

borboleta na chuva

o peso da gota

ainda mais leve

               Porto Alegre, 99

 

sapos chamam chuva

um céu de estrelas

como platéia

               Vila da Glória, 98

 

o ônibus passa

a árvore acena

chão de laranjas

               Antonina, 95

 

pitanga temporã

brilha no inverno

a cor do verão

               Guaratuba, 98

 

o fogo leva desejos

em forma de faísca

até a lua pisca

               Porto Velho, 97

 

Só agora lembrei que tenho na minha estante outro livro de Alice Ruiz, “Poesia pra tocar no rádio”, com poemas que são letras de músicas, inclusive uma conhecidíssima: “Socorro” (“Socorro eu não estou sentindo nada...”), gravado por Arnaldo Antunes, Cássia Eller e Gal Costa. Esse livro ganhou o primeiro lugar no concurso Blocos de poesia em 1999. Que cabeça minha não ter levado para ela autografar...



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h47
[] [envie esta mensagem]



Alice Ruiz

Ontem fomos ao encontro da poeta Alice Ruiz e da sua palestra no CCBB com muita poesia, lembranças do tempo vivido com Paulo Leminski, emoções, segredos das suas oficinas poéticas, revelações sobre o lançamento do CD “Paralelas” e leitura de belos poemas. Alice foi a simpatia em pessoa, inclusive na hora do autógrafo em seu livro de haikais “Yuuka”, no qual escreveu esta linda dedicatória: “Ricardo, beijo carinhoso da Yuuka, vulgo Alice”. Aliás, como explicado no livro, Yuuka é o título outorgado a Alice pela comunidade nipo-brasileira de Curitiba “em reconhecimento à dedicação, divulgação e grandiosidade que deu à poesia de origem japonesa, haicai.”

 

Lá também traz a tradução do nome: “Yuuka, nome poético composto de dois ideogramas de significados amplos, pode ser traduzido como “grandiosidade esplêndida como a flor” ou “formosura floral infinita” ou “a beleza floral que excede” ou “doce imensidão da flor” ou “brilho da beleza floral”. A tradução é livre, e vem ao encontro da liberdade poética na composição dos ideogramas, muito praticada pelos artistas nipônicos. Por exemplo, o uso da palavra Yuuka num haicai, com apenas dois ideogramas, pode resolver mil situações num verso ou numa linha, expressando exatamente o que o poeta deseja. Coisa que em português dificilmente conseguiríamos.”

 

Transcrevo no post acima uma pequena amostra dos belos haikais do livro Yuuka...

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h06
[] [envie esta mensagem]



 

três dias da infância dedicados

a escrever bilhete

entregá-lo com mão trêmula

perder sono

esperar resposta

- talvez melhor que não venha -

até o ansiado sim

sem saber o que fazer com ele

mas que vale o primeiro beijo


a paixão

move

montanhas

e

a vida

escorrega

entre os dedos

 

               Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h50
[] [envie esta mensagem]



Lançamento de livros!

Recebi dois convites muito simpáticos para lançamento de livros:

29/6 (quarta-feira), às 19h, no Carpe Diem da 104 sul: coquetel de lançamento do livro “Doa-se lindos filhotes de poodle - variação linguística, mídia e preconceito”, de Maria Marta Pereira Scherre. Mais informações sobre o livro no site da editora: www.parabolaeditorial.com.br

6/7 (quarta-feira), às 18h, na Entrelivros, 406 norte: lançamento do livro “Vinde a mim as palavrinhas”, de Nicolas Behr. O livro reúne reúne os 10 livrinhos mimeografados entre 1979 e 1980: Com a Boca na Botija, Parto do Dia, Elevador de Serviço, Põe sia nisso!, Entrequadras, Brasiléia Desvairada, Saída de Emergência, Kruh, 303F415 e L2 noves fora W3. Maiores informações em www.nicolasbehr.com.br

Vamos lá!



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h48
[] [envie esta mensagem]



 

Russeu


Endurecido

por compressão ou fricção contínua

inchaço

sensação que se experimenta

protuberância

mal quista ou não esperada

excrescência

sensível ao leve toque

capuz

roxo por natureza do roxo

carnoso

expesso, exposto

pretensioso

o calo

 

       Ricardo Senna Guimarães

   



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h57
[] [envie esta mensagem]



Oficina de criação poética

O poema abaixo foi reescrito para a oficina. Apresentei-o na última sexta-feira e foi muito bem recebido. A entrada dos personagens tornaram-no mais telúrico, mais real, a meu ver.

 

Sina e busca


Chega, meu jovem

senta comigo nesta pedra

ouve o entardecer

pois lhe digo

sim, é necessário garimpar

à cata da pedra valiosa

ambicionada por sua raridade e dureza

a cura da vida dolorosa

aquela encardida e que brota

à custa de magia e de destreza

de quem quer da sina a sua quota.


Vê, meu jovem

o entardecer nos mostra

que é preciso revolver

o chão duro da lavra alvissareira

descrita em rotas de expedições ancestrais

sujeito a surtos de ânsia e de cegueira

e assim mesmo tornar puro ou perfeito

o caldo do barro e dos cristais

que se busca e se esvai liquefeito.


Ah, meu jovem

o entardecer me ensinou

que antes da noite

há de barganhar

o brilho efêmero do tesouro apurado

catado a cargo de graça e de músculo

a fim de demorar-se mais no achado

único, precioso e somente assim: Amor

já que, meu jovem

forjado fosse com a minúsculo

dúvidas traria sobre seu real valor.


                         Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h25
[] [envie esta mensagem]



Esta é uma semana bastante agitada. Veja a programação:

• Terça-feira (28/6): Night bike das pontes. Saindo da QI 11 (Deck Brasil) às 21h, passando pela ponte Costa e Silva, Av. L4, Ponte JK e voltando ao Deck Brasil pela EPDB. Ótimo programa para quem gosta de pedalar com um grande grupo e muita segurança. Estaremos lá!

• Quarta-feira (29/6): Rodas de leitura, no CCBB, às 19h30. A convidada é a poeta, haicaísta, letrista e tradutora curitibana Alice Ruiz. Ela lerá 14 poemas, entre inéditos e dispersos por dois de seus 11 livros publicados. Alice Ruiz foi casada com o grande poeta Paulo Leminski e lançou este ano seu primeiro CD, Paralelas, uma parceria com Alzira Espíndola e com participações de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes, com quem colabora habitualmente. Imperdível. Estaremos lá!!

• Quinta-feira (30/6): Sarau literário musical e coquetel na Embaixada de Portugal, às 20h. O tema será “Minha alma canta: vejo o Rio de Janeiro” e serão abordados os seguintes autores: Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Marco Antunes (o meu professor), Chico Buarque e Tom Jobim. Estaremos lá!!!



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 21h02
[] [envie esta mensagem]



Festival Gastronômico de Pirenópolis

http://www.pirifestgastronomico.com.br/

Data: 23 a 26 de junho de 2005

Local: Pirenópolis - GO

Aproveite para visitar uma livraria pequena e de qualidade, na histórica cidade goiana de Pirenópolis; literatura regional, nacional, livros infanto-juvenis, CDs clássicos de música brasileira, folclore, arquitetura e artes, dentre outros destaques. Foi no site da livraria que retirei essas fotos. Visitem, é bem legal: http://www.livrariajosepereira.com.br/upload/index.asp



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h46
[] [envie esta mensagem]



Mario Quintana conseguiu captar bem a visão dos motociclistas e dos bikers...

A verdadeira arte de viajar


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,

Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.

Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...

Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!



Categoria: E Deus criou a mulher...
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h13
[] [envie esta mensagem]



Distorções do conhecimento em fase de turbulências políticas e outras

 

A validade de nossos conhecimentos é garantida pela correção do raciocínio. É correto o raciocínio cujas proposições expressam juízos (afirmações ou negações) válidos, racionalmente fundamentados.” Essa afirmação, lida em um livrinho de filosofia, ganha importância complementar em tempos de depoimentos, discursos inflamados, acusações aqui e ali, em suma, turbulências.


O interessante é que o tal livrinho passa então a relacionar os vários tipos de sofismas ou falácias tão comuns em nosso meio. Sofismas ou falácias são armadilhas intelectuais, quando a força da argumentação está no seu efeito psicológico e não na correção lógica. Nem é preciso dizer que são amplamente utilizadas nas nossas conversas do dia a dia, nas discussões amorosas, familiares, profissionais e tudo mais. Então, prepare-se para elas:


·      Vemos Pelé na televisão, dizendo: “Tome Vitasay, a vitamina dos campeões de saúde”. Ora, o que pretende esse comercial? Quem está tentando nos convencer? Pelé é médico ou bioquímico autorizado a recomendar vitaminas? Essa é uma falácia chamada apelo à autoridade. Usa-se a autoridade de alguém sobre determinada área (futebol, no caso) para afirmar ou sustentar uma posição em outra área (área da saúde). Convence-se pelo peso psicológico da autoridade, e não pelo valor racional da argumentação.

 

·      Certo ministro da Fazenda pretendia convencer a nação da necessidade de arrocho salarial para controlar a inflação: “Como bem sabemos, a inflação é o que corrói o poder de compra dos salários. Temos então que aumentar os salários. Mas, se aumentarmos os salários, teremos que aumentar os preços para pagá-los, o que aumentará a inflação.” Ora, já foi demonstrado que a inflação tem como causa o aumento de salários?! Esse sofisma chama-se círculo vicioso. É usado na tentativa de provar uma conclusão com base num ponto de partida não demonstrado. Tanto um como outro são racionalmente improváveis.

 

·      “A qualidade do ensino é ruim porque os professores são despreparados.” Será que o despreparo do professor é realmente a causa da baixa qualidade do ensino? Será que tanto a baixa qualidade do ensino quanto o despreparo do professor não dependem de uma política educacional eficiente? Afirma-se que um fato é causa de outro, sem considerar que há um terceiro fato que causa os dois primeiros. Essa é a chamada falácia da causa comum.

Continua no post abaixo...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h55
[] [envie esta mensagem]



Mais sofismas ou falácias

 

·      “A medicina é inútil. Meu pai gastou um rio de dinheiro com médicos e morreu doente.” Observe que o caso do “meu pai” é um caso isolado, quase uma exceção. Racionalmente, não posso tomá-lo como base para qualificar toda a medicina. Essa falácia chama-se generalização apressada ou indução viciosa, porque conclui uma lei geral de um caso particular apenas.

 

·      “Esse prisioneiro não agiu contra a lei. Afinal, prisioneiro não tem liberdade. Alguém sem liberdade está impedido de agir...” Para confundir o interlocutor, são utilizadas palavras que têm várias concepções, tais como “liberdade”, “agir”. Mesmo estando preso, um homem pode agir contra a lei. Esse tipo de falácia chama-se equívoco, pois utiliza palavras equívocas (com vários sentidos).

 

·      Parecida com a falácia anterior, temos a anfibologia. Um exemplo famoso é o caso do general que consultou o oráculo sobre sua próxima batalha. Eis como se interpretou a resposta do oráculo: “Irás. Voltarás. Não morrerás ali”. Mas o general morreu na batalha, e conta-se que a previsão do oráculo realmente era: “Irás. Voltarás? Não. Morrerás ali!”. Essa falácia consiste em utilizar frases ambíguas que podem levar a uma interpretação falsa.

 

·      Outra falácia comum ocorre quando se considera como causa de um acontecimento um fato ou fenômeno que apenas o antecedeu, sem relação constatada de causa e efeito entre eles. Chama-se falácia de falsa causa. Veja: “Bom, ele só tinha que bater o carro. Ainda hoje de manhã, ao sair de casa, cruzou com o gato preto da vizinha e passou duas vezes debaixo da escada...” Ora, alguma vez alguém já demonstrou que encontrar um gato preto ou passar debaixo de escada realmente dá azar?

 

·      “Você jamais será feliz. Felicidade não existe.” Essa falácia chama-se petição de princípio. Quem já demonstrou ou pode demonstrar a inexistência da felicidade? Estaríamos dando como certo algo que na verdade é duvidoso e que deveria ser demonstrado.

 

·      “Não há qualquer registro oficial de transmissão de AIDS em consultório dentário. Por isso, não existe perigo de contaminação.” Aqui está sendo afirmado que ninguém corre o risco de contrair AIDS no consultório dentário, baseado no fato de que ninguém ainda a contraiu, oficialmente, dessa maneira. Na verdade, o argumento não esclarece racionalmente se esse contato é perigoso. Apenas considera que não é perigoso porque ignora se é ou não. Por isso, essa falácia chama-se apelo à ignorância.

 

·      Durante uma negociação salarial, diz sutilmente o patrão: “Bem, a proposta de salário até pode não ser alta. Mas, por outro lado, há muitas pessoas desempregadas que trabalhariam por este salário”. Aqui tenta-se convencer não por argumentos racionais, mas pela ameaça (ou pela força). Esse sofisma chama-se justamente recurso à força.


·      Contra o homem é o nome da falácia pela qual se ataca diretamente a pessoa, ou uma circunstância especial em que ela se encontra, com a finalidade de rebater sua posição ou afirmação. Veja: “O que ele lhe contou sobre mim é mentira. O cara é um bêbado...”. Ora, o fato de o cara ser bêbado não invalida necessariamente o que ele disse.


·      Um homem é acusado de roubo. O repórter policial pergunta: “Você está arrependido?”. O cidadão desprevenido responde: “Bem, estou”. E o repórter completa: “Então você confessa que roubou?”. Essa é a falácia da pergunta complexa, em que se utiliza a combinação de duas ou mais perguntas para confundir o interlocutor e levá-lo a responder o que dele se espera.


O livrinho do qual retirei essas pérolas é “Para Filosofar”, diversos autores, Ed. Scipione




Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h53
[] [envie esta mensagem]



Carlos Drummond de Andrade

 Imagem: http://ouzar.nafoto.net/photo20050302113054.html

Memória

      Drummond 


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.


Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do não.


As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.


Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h44
[] [envie esta mensagem]



Leia em voz alta

Este poema que apresento abaixo segue a tradição oral da poesia. É um poema feito para ser falado, inclusive por mais de uma voz. Por isso o título. A idéia é que um coro de vozes faça o eco dos trechos marcados com [ colchetes ]. O efeito é muito bonito, especialmente se for lido compassadamente, no ritmo de uma súplica, sentindo o vento frio que bate no alto da montanha, faz revoar os cabelos e invade a alma de alguém apaixonado... Experimente!


Poema para duas vozes: [amo, amo, amo]


Quero, quero, quero

este amor.

Não me basta o amor.

Insisto, suplico, imploro.

Necessito que respondas:

amo, amo, amo.


Faço de tudo

por este amor,

vou ao país mais distante

por este amor,

subo a montanha mais alta

por este amor,

onde meu grito

por este amor

faz eco

           [ eco

                   eco

                         eco. ]


Grito meu grito mais forte

por este amor.


Grito: quero!

                    [ quero

                                quero

                                          quero ]

Grito: rogo!

                  [ rogo

                            rogo

                                    rogo ]

Grito: clamo!

                    [ clamo

                                clamo

                                          clamo ]

E quando gritar: amo!...




                                      Terei a resposta?

 

                                                                Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h03
[] [envie esta mensagem]



Jefferson, o mensalão e nossa gente

Leio em um pequeno livrinho voltado para o público juvenil que os índios do Brasil, desde sempre, possuem mitos e fábulas. Ou, como eles mesmos chamam, “histórias de verdade” e “histórias de mentira”. E, ao contrário de nós, que nos consideramos civilizados, jamais as confundem.

 

As “histórias de mentira” podem ser contadas a qualquer tempo por qualquer um, pertencente à tribo. Já as “histórias de verdade”... essas são privilégios dos pajés e de alguns caciques, já anciãos, com larga experiência na condução da tribo.

 

Além disso, e o que é muitíssimo interessante, o contar dessas histórias, tanto as "de verdade" quanto as "de mentira", é realizado em determinados rituais que acontecem na comunidade, para que todos possam ver e ouvir. Quando eles acontecem, toda a tribo pára, os principais representantes da comunidade voltam seus olhos para o ritual, os índios acompanham com interesse e soltam exclamações universais como “ah...”, “oh...”, risos, demonstram contrariedade ou concordância, compreensão ou revolta, enfim, se divertem.

 

Ontem foi dia de um desses rituais. Um  antigo e bem conhecido componente da tribo, muito perspicaz e possuidor de atributos indiscutíveis, apresentou seus mitos e fábulas. Tudo correu dentro do script, pois essa coerência é o que faz a unidade da nossa tribo. Pois, que povo seria o nosso se não tivesse algo tão profundo a preservar?

 

O roteiro prevê ainda muitas participações especiais, efeitos impressionantes (fogos e luzes são muito utilizados nessas horas), personagens já tantas vezes revisitados, mas que aparecerão com novas roupagens, novos mantos, novas falas para dizer o mesmo diálogo ou monólogo de sempre.

 

E o grande final, quando o rei, ou o príncipe, ou a princesa, ou o pajé, ou o indiozinho que nada tinha a ver com isso reinará absoluto, em seu castelo rodeado de flores e matas virgens. Ou será que sua toca será na floresta povoada de bruxas e, quem sabe, um saci-pererê ou um curupira, só para voltar às nossas origens?

 

Hum... será essa uma história de amor?

 

 



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h52
[] [envie esta mensagem]



Pirenópolis - pedras janelas quintais

 

Hoje comprei um livrinho muito interessante: “Pirenópolis - pedras janelas quintais”, com fotografias de Silvio Zamboni e poemas de João Bosco Bezerra Bonfim.


Lindas fotos de ângulos inesperados ou ignorados pelos visitantes da histórica cidade de Goiás. As que mais gostei foram as fotos das janelas. “Janelas recatadas”, como diz o poeta, janelas com cortinas translúcidas, janelas de madeira, lindas janelas que refletem a cor da cidade.


tramelas abertas

janelas sedutoras

ladeira acima

rio abaixo

seduzem meninas

transbordam riachos”


E o poeta descobriu o verdadeiro significado dos quintais dessas hitóricas e sábias cidades:


é da natureza

dos quintais

a reserva


ali as famílias

plantam fruteiras

enterram mágoas

criam galinhas

guardam segredos”



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h37
[] [envie esta mensagem]



Poema para o dia dos namorados

Imagem: http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/temdomes/2005/06/namorados/temdomes.htm

Garimpar

à cata da pedra valiosa

ambicionada por sua raridade e dureza

a cura da vida dolorosa

aquela encardida e que brota

à custa de magia e de destreza

de quem quer da sina a sua quota.

 

Revolver

o chão duro da lavra alvissareira

descrita em rotas de expedições ancestrais

sujeito a surtos de ânsia e de cegueira

e assim mesmo tornar puro ou perfeito

o caldo do barro e dos cristais

que se busca e se esvai liquefeito.

 

Barganhar

o brilho efêmero do tesouro apurado

catado a cargo de graça e de músculo

a fim de demorar-se mais no achado

único, precioso e somente assim: Amor

posto que forjado fosse com a minúsculo

dúvidas traria sobre seu real valor.

 

                                                                                                             Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h24
[] [envie esta mensagem]



José Paulo Paes

Aprender a gostar de ler um poeta. Esse é um exercício enriquecedor. Às vezes, à primeira vista, acontece de lermos algo e não gostarmos. Deixamos para lá. Tempos depois, ao retornar ao texto, a compreensão é totalmente diferente. É como ler algo que já estava dentro de nós, mas não suficientemente digerido. Assim também com um autor. Não raro acontece de acharmos que não gostamos de determinado escritor porque quando o lemos não estávamos preparados para ele. Tempos depois... tudo muda, tudo se esclarece, tudo se revela, e passamos a gostar. Assim aconteceu comigo e José Paulo Paes. Selecionei quatro poemas dele que acho representativos da sua obra:


Um empregado


Sofria de bócio e tinha sotaque de caipira, que a voz fanhosa mudava num quase lamento mesmo quando ria.


Na sua simplicidade, havia algo de cerimonioso. Quando um de nós, crianças, lhe atravessava o caminho nos dias de lavar o chão, ele gritava “foge foge!” porque “sai sai!” ou “passa passa!” só se diz a cachorro.


Os freqüentadores mais assíduos da livraria o tomavam como cabide de anedotas ou vítima de armadilhas. Por exemplo, enfiar às escondidas um pedaço de arame na banana de sua sobremesa para vê-lo assustar-se à primeira mordida.


Era congregado mariano e usava sempre o distintivo da congregação na lapela do terno - brim pardo dos dias de semana, casimira azul-marinho dos domingos. Nas procissões, ajudava a carregar o andor da Virgem.


Certo aniversário, levaram-no até o bar para comer doce e tomar guaraná, mas disfarçadamente misturado com cachaça. Depois de bêbado, arrastaram-no a uma casa de mulheres, de onde ele saiu berrando a Deus que o livrasse de Satanás.


Teve, não obstante, amores castos. Ficava de longe namorando com olhos compridos as mocinhas de família que passavam pelo jardim da praça sem nada saber da sua silenciosa adoração.


Depois da morte do meu avô, aposentou-se. De vez em quando, ia visitar, saudoso, a livraria. Cheguei a vê-lo numa dessas vezes. Contaram-me há pouco tempo que morreu octogenário e desmemoriado num asilo de velhos.


Deve estar hoje lá em cima, sentado com o terno de casimira à direita do Senhor, olhando-Lhe, por sobre o ombro, as onze mil virgens que, à sua esquerda, ajudam a tornar menos monótona a eternidade dos justos.



Madrigal


Meu amor é simples, Dora,

Como a água e o pão.

Como o céu refletido

Nas pupilas de um cão.



Iniciação


Com os olhos tapados pelas minhas mãos, os dois seios de A. tremiam no antegozo e no horror da morte consentida.


De ventosas aferradas à popa transatlântica de B., eu conheci a fúria das borrascas e a combustão dos sóis.


Pelas coxas de C. tive ingresso à imêmore caverna onde o meu desejo ficou preso para sempre nas sombras da parede e no latejar do sangue, realidade última que cega e que ensurdece.



auto-epitáfio n.2

 

para quem pediu sempre

/tão pouco

o nada é positivamente

/um exagero.




Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h47
[] [envie esta mensagem]



Santuário

                          Jatobá Mãe da Floresta, na fazenda Vagafogo, em Pirenópolis

 

Santuário


Há certos cabelos sobre a face da terra

Que têm a capacidade

De mudar a vida de um homem


Sigo sua trilha

Por entre florestas inexploradas

Escutando o som de orquídeas raras

Chegando em mananciais

Que se encharcam ao leve toque

Encontrando, por suas mãos,

Pepita diamante rubi

Bruto em rochas que lembram lábios


Vou lapidá-lo

E provocar tempestades

Descargas elétricas

Terremotos

Na bela floresta

De certos cabelos


Somos seres em extinção

Nossas radiações luminosas

São absorvidas pela atmosfera terrestre


Somos seres apaixonados

Flutuamos junto à copa das árvores

Deixamos no rio nossos medos de adolescentes


Somos cegonhas

Trazemos boas novas aos habitantes da terra

Precisamos de proteção


O santuário é nosso habitat

O santuário que acolhe nossas pegadas

E nossos risos

E nossas dores

E tudo aquilo que queremos que fique

Só entre nós

Nossos segredos

Os seus, os meus

E os do santuário.


Queria levar lembrancinhas tuas

Pedrinhas

Florzinhas

Souvenires teus

Porém as leis do santuário

Devem ser respeitadas

Levo você dentro de mim.


A sabedoria do santuário

Está em nós

Somos leves porque somos puros

Somos puros porque somos eu e você

Somos inocentes porque estamos aqui

E esse seu corpo

Sobre o meu

Pesa mais que qualquer consciência.


A paixão é responsável

Por criar alegria

Por jogar e brincar

E esses seus certos cabelos são o jogo

Em que aos poucos eu me perco

E aos poucos me perdôo

Sob o céu da vagafogo.


 

                                             Uma pequena amostra da capacidade do cerrado em conjugar as suas cores com a do céu

Mais fotos do passeio a Pirenópolis estão no post abaixo e no flog: http://ricardosenna.vipflog.com.br



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h39
[] [envie esta mensagem]



Sob o céu da Vagafogo

As nuvens negras da política parecem estar se adensando no horizonte. Enquanto isso, continuamos fazendo nossos passeios. Neste final de semana estivemos em Pirenópolis, histórica cidade do estado de Goiás distante cerca de 150 km de Brasília. Foi a segunda vez que fomos a essa charmosa cidade (a primeira vez foi em 1996). O passeio valeu a pena: pousada simpática e bem localizada, lembrancinhas nas lojinhas e feirinhas da cidade, comida farta e saborosíssima (feita com gordura de porco castrado!) nos tradicionalíssimos restaurantes das cozinheiras da terra, show de blues à noite perto da fogueira num bar super transado, nem sinal do frio que faz em Brasília e, claro, as tradicionais aventuras. Descobrimos até uma praia! Com direito a trilha no cerrado e cachoeiras, com acesso a módicos R$ 10 por pessoa.

 

 Cachoeira Santa Maria

 

 

Uma das aventuras mais curtidas foi o arvorismo na fazenda Vagafogo. Parece inacreditável, mas subimos até 20m de altura, passando de uma árvore a outra por pontes de pequenos troncos de madeira e cabos de aço e depois de tudo descemos (ou despencamos) por meio de uma tiroleza... Ufa!

 

 

Aliás, a fazenda Vagafogo merece mesmo um capítulo à parte...

 

Outras fotos estão em: http://ricardosenna.vipflog.com.br



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h12
[] [envie esta mensagem]



Artes e ofícios da poesia

 

Hoje aconteceu uma das coisas que mais me dá prazer: recebi, pelo correio, uma pequena caixa de papelão em cujo interior havia um livro encomendado há semanas na Fnac. Deixei-a para abrir por último, após todas as correspondências. Ela ficou ali quieta, aguardando o momento da abordagem que, por mais que eu tente, nunca é tão sutil quanto o recomendado. Tomei coragem, aproximei-me e estabeleci contato. Ela pareceu demonstrar que a aproximação havia sido percebida. Cortei os lacres, que nunca são tão fáceis de ser retirados, o olhei seu interior. Lá estava. Envolto no delicioso plástico protetor cheio de bolhinhas de ar, localizei o livro: “Artes e ofícios da poesia”, organizado por Augusto Massi e editado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e pela Artes e Ofícios, de Porto Alegre. Trata-se de uma compilação de textos e poemas apresentados por 29 poetas participantes de evento de mesmo nome promovido pela Secretaria em maio de 1990, no MASP.


Como afirma na contra-capa, o evento e o livro acabam por representar “um verdadeiro painel da poesia brasileira atual”, pois reúne depoimentos e/ou poemas de autores consagrados (como Adélia Prado, Alice Ruiz, Antônio Fernando De Franceschi, Glauco Mattoso, José Paulo Paes e outros) e de vozes novas à época, hoje um pouco mais conhecidas (Age de Carvalho, Alcides Villaça, Alexei Bueno, Rodrigo Garcia Lopes e tantos outros).


A abertura do livro é empolgante. Começa com Adélia Prado e seu poema que gosto tanto e que, a cada vez que releio ou copio, me faz concordar tanto com essa visão tão romântica, íntima e positiva da vida de um casal:


Casamento

Adélia Prado


Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.



Uma delícia ler livros como esse, de tanta beleza, especialmente se você tiver a companhia de um plástico cheio de bolinhas de ar para estourá-las todas enquanto as palavras, os versos, os escritos levantam vôo e percorrem seu corpo, penetram no seu coração e arrepiam sua alma. Promessa de boa leitura para esses próximos dias. Quem sabe consigo avançar nessa leitura em Pirenópolis, já que estarei lá neste final de semana. Ah, como a vida pode ser prazerosa...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h31
[] [envie esta mensagem]



 Três composições sobre o sono e muito mais:


entre o deleite e a aurora

Ricardo Senna Guimarães


totalmente só

no casulo

respira


prepara

a metamorfose


suas mãos

buscam apoio

no meu braço


seus pés

enlaçam os meus

entre os lençóis

e o silêncio

da noite


dormimos

levemente juntos


eu e minha borboleta


que se revela

toda manhã



um tratamento

Eduardo Jorge


as palmas perlongam pelas costas com carinho. sentem as costelas. os dedos decifram pouco a pouco, osso a osso. as mãos se ajustam ao trapézio em leves contrações. a tosse gera outro silêncio: o de dormir juntos, abraçados.



O solar do poeta

Francisco dos Santos


A alva

desentrevando

as asas


As sombras

amorcegando

nos olhos


A boa amante

de pés leves

ressonando

entre cetins


Nenhuma ruga

na leve luz

que amanhece


Na jaula do tórax porém,

desencorajado tigre dorme





Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h30
[] [envie esta mensagem]



31/05/2005 - Night bike das pontes

   + fotos em: http://ricardosenna.vipflog.com.br

O mundo tem tantas esquinas e nossos pés são capazes de façanhas inesperadas. Levam-nos aonde querem. E, de repente, lá estamos nós, cruzando a mesma esquina, num momento improvável, sob a mesma lua. Os olhos não têm outro lugar. As mãos, frias, escondem-se nos bolsos, agitam-se, entrelaçam-se, voltam aos bolsos e percebem que também não há mais lugar para elas. Tudo são belas promessas. A vida está aí para que possamos cumpri-las.

 

“A vida é um constante exercício

de mãos, criando asas,

de pés, pisando em brasas.”

                          Leila Miccolis

 

A grande sacada é que tudo chega de mansinho. Uma noite estrelada não faz barulho, não se queixa sem razão, não provoca sustos em quem tem o coração destinado a bater em compasso com outro coração. Só o que não pode ser imaginado é invisível aos nossos olhos. E, na manhã seguinte, apesar da névoa fria, do sono reprimido, há tudo aquilo que realmente ficou guardado. Afinal muito já se disse: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”.

 

Um beijo à minha mulher companheira.

 

 



Categoria: E Deus criou a mulher...
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 07h46
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]