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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos



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“Posto que as religiões te prometam o

paraíso, cuida de criar um neste mundo,

que o outro é duvidoso.”

                  Omar Kháyyám (1040-1125)

Leiam o discurso abaixo e tirem suas próprias conclusões sobre as igrejas e sobre os políticos.

Discurso do Deputado ZEQUINHA MARINHO (PSC-PA. Sem revisão do orador.)

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o dia 29 de maio de 2005 certamente ficará marcado como o dia da vergonha brasileira, efusivamente comemorado como o Dia da Parada Gay ou como o Dia do Orgulho Gay, quando mais de 2 milhões de pessoas foram para as ruas de São Paulo, capital do trabalho, para participar da maior parada gay já realizada no mundo.

Esse dia, Sr. Presidente, dia29 de maio, ontem, deverá ser lembrado pelas pessoas decentes e por todas as famílias brasileiras como o dia da vergonha, tristeza e desprezo de sua história, pois exatamente nesse nebuloso diao Brasil entrou para historia do mundo por permitir acontecer a maior manifestação de imoralidade homossexual já vista e altamente divulgada pelos meios de comunicação. Esse fato afrontou a família brasileira, chocou a fé cristã, decepcionou os homens e mulheres de bem e, acima de tudo, provocou a ira dos céus.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como um dos representantes da Igreja Evangélica Brasileira nesta Casa, não poderia calar-me diante de inominável abominação. Sei que numa democracia a sociedade tende a aceitar isso passivamente como uma forma de comportamento humano. Todavia, assim como na democracia não se admite a desonestidade, o homicídio, o estupro e outros crimes por considerá-los nocivos a vida e inadequados ao comportamento social, é importante também que tenhamos o real discernimento do que significa a orientação homossexual e de como isto mina e destrói a base e a célula máter da sociedade e da família. Tendo um conhecimento exato disso, tenho certeza que toda a sociedade vai combater de forma veemente essa praga que enoja os olhos de Deus e destrói os princípios da moralidade social.

Sr. Presidente, em nome da família brasileira e principalmente em nome da família brasileira evangélica, quero repudiar veementemente toda essa manifestação homossexual que, nessas paradas, pois já é a terceirarealizada no Brasil, busca de todas as formas envolver mais pessoas e conquistar a simpatia popular com o objetivo maior de conseguir seus intentos perversos, que é aprovar leis aqui no Congresso Nacional que lhes permita casar entre si ou regularizar sua nojenta e indecente convivência.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o homossexualismo é a droga não combatida que assola a sociedade moderna e a desvirtua dos princípios divinos. No passado, Deus, apesar de misericordioso e bondoso, teve que destruir Sodoma e Gomorra (cidades citadas no Antigo Testamento da Bíblia) por não suportar tais praticas. A sociedade brasileira, independentemente do credo religioso, precisa preocupar-se com isso, porque o castigo de Deus não caiu apenas sobre os gays de Sodoma e Gomorra, mas sobre todos os habitantes daquelas grandes cidades. É importante lembrar que a paciência de Deus tem limite e que de Deus ninguém zomba e fica impune.

O perfil do homossexual traçado pela Bíblia é o de uma pessoa desviada dos princípios da moralidade e da decência, eivado de sentimentos libidinosos e sensuais orientado no sentido inverso do comportamento natural. Portanto, merecedor de todo o repúdio de uma sociedade que tenha um mínimo de decência e de temor a Deus e que também veja na família constituída por um homem e uma mulher unidos pelo casamento a pedra angular de sustentação da ordem moral da sociedade.

Sr. Presidente, deixo aqui minha indignação e meu repúdio, em nome da Frente Parlamentar Evangélica constituída, organizada e mobilizada nesta Casa, em nome da família evangélica brasileira e em nome de todos que prezam pela ética e pela decência. Aceitar o que vimos ontem, sendo divulgado como uma grande festa da expansão do sentimento democrático, é um equívoco. Foi assim que sociedades passadas sucumbiram ante a ira de Deus. Precisamos repudiar isso. Sabemos que tudo isso tem uma razão de ser, conquistar a simpatia da sociedade para obrigar esta Casa, um dia, votar a união entre pessoas do mesmo sexo. Mas estaremos aqui, não só eu como também os companheiros todos, independentemente de ser evangélico ou não, homens e mulheres decentes que não gostam desse tipo de comportamento desviado, combatendo até o último instante para que projetos maléficos à base da sociedade que tramitam hoje nas Comissões permaneçam engavetados até os cupins os destruam, porque jamais serão aprovados pelos Parlamentares.”



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h10
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Reação


Provocou

elevações súbitas

preenchimento de corpos com sangue quente

alteração de espessura, densidade, consistência

velocidade


Incrementou

a riqueza de cores visíveis

ebulição de órgãos agudos, penetrantes

contração de instrumentos vulneráveis

ramificados


Realçou

o vulto perceptível

torrente em ímpeto de vigor, intensidade

surto de tornar palpável, evidente

querer


Abalou

o instante das coisas decididas

tônus e estrutura, textura, efervescência

acesso da razão às partes subalternas

equilíbrio


Atingiu

o miolo do ser

o fundo, o recôndito, o escondido

aproximação de faces rubras

fixar da vista


(mesmo tendo sido apenas isto:

um quase beijo)



                          Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h13
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Enquanto na política nuvens escuras se ajuntam no horizonte, nós vamos dando os nossos passeios. Ontem, feriado, foi dia de trilhar os caminhos do Jardim Botânico. Einsten disse: “quando as coisas são simples, pode-se ouvir Deus pensando”. Simples, belo e aconchegante:

 

mais fotos em http://ricardosenna.vipflog.com.br

 

The woods are lovely, dark, and deep,

But I have promises to keep,

And miles to go before I sleep,

And miles to go before I sleep

 

                             Robert Frost

 

Os bosques são adoráveis, escuros e fundos,

Mas tenho promessas a cumprir,

E milhas a trilhar antes de dormir,

E milhas a trilhar antes de dormir



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 08h06
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Uma brincadeira em forma de soneto inglês:


Conselho


O café da manhã que você toma

e que te sustenta por todo o dia,

mesmo que tenha o mais doce aroma,

pode lançar fel onde não havia.


Tal como uma fórmula de alquimia,

capaz de transformar prazer em dor,

tanto pode fazer que acabaria

por deixar-te cedo de mau humor.


Casos há nos quais instala torpor

naqueles que cultivam altivez;

e já vi, com estupendo fragor,

feri-los e derrubá-los de vez.


Portanto, a você que se pensa Don Juan

aconselho rigor no café da manhã!

 

                    Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 18h16
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Uma carícia inesperada é sempre algo muito acolhedor. E a nossa natureza é capaz de surpresas como a chuva que cai em Brasília em pleno dia 25 de maio! Estávamos já a sentir as primeiras nuanças da seca, a grama começava a mostrar palidez, a poeira levantava seus vôos inaugurais, alguns narizes emitiam seus primeiros sangramentos... e eis que vem uma chuva delicada no final da manhã... sutil carícia da natureza, despojada e surpreendente como a alma de um poema muito jovem.

Como sutil foi a experiência que tive com um vinho argentino no final de semana. Reserva Nieto malbec 2002, da Bodegas Nieto Senetiner. Também muito jovem, precisou de um tempo em que pudesse respirar para ser capaz de revelar suas qualidades, principalmente seu aroma. Deixei respirar por cerca de meia-hora na própria garrafa e depois provei. Leve, saboroso, aromático... sutil carícia da natureza.

Serão essas benevolências gratuitas? Devemos apostar em um certo altruísmo inesperado? O que nos prepara doravante a natureza?



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h41
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Ao som de um trompete

Um soneto meu, composto em dodecassílabos (comumente chamados de alexandrinos). Entretanto, veja no post abaixo porque os versos deste soneto não podem ser considerados verdadeiramente alexandrinos, apesar de possuírem doze sílabas.

  Ao som de um trompete


À noite, longe, ouve-se o som de um trompete

Que vem aos poucos preencher nossos ouvidos,

Delicado como um coração que derrete

Ao descobrir o motivo de ter nascido.


Afinal dançaremos sobre este carpete

Os passos comuns só agora adquiridos,

Sorvendo o clarão de luz que a lua reflete,

Vivendo o prazer tantas vezes merecido.


Transbordaremos carícias até a aurora,

Avivando o desejo que seu corpo adora:

Serei seu galã e você minha vedete!


A cumprir o destino não cumprido outrora,

Seremos um só ser adiante e agora

Neste som de milagre que vem de um trompete.

 

                                        Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h24
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Versos alexandrinos

Os verdadeiros alexandrinos se compõem de dois versos de seis sílabas em um só, sendo indispensável que o primeiro termine por uma palavra aguda (oxítona) ou, no caso de ser palavra grave (paroxítona), que o vocábulo seguinte comece por vogal ou “h” mudo, assim possibilitando a elisão.

Exemplos:

(Pausas nas 3a, 6a e 12a sílabas):

Aos meus olhos mortais\surgiste-me, Corina...


(Pausas nas 2a, 6a e 12a sílabas):

Depois, depois vestin\do a forma peregrina...


Nota: as duas partes do alexandrino que se unem no meio dos versos formam o que se denomina hemistíquios, e o ponto em que se processa a fusão denomina-se cesura.


Mais exemplos de versos verdadeiramente alexandrinos:


(Pausas nas sílabas 2, 6, 8 e 12):

A esmola dum sorriso, a graça dum olhar...


(Pausas nas sílabas 2, 6, 9 e 12):

Se der ao cozinheiro o chapéu de cardeal... (pronúnica: cardial)


(Pausas nas sílabas 3, 6, 8 e 12):

Benedito talvez não anda muito mal...


(Pausas nas sílabas 3, 6, 9 e 12):

Uma flor que se atira, asa d'oiro pelo ar...


(Pausas nas sílabas 3, 6, 10 e 12):

Sobre um beijo outro beijo e sobre um ano outro ano...


(Pausas nas sílabas 4, 6, 8 e 12):

Como envelhece a gente, o velho Vaticano!


(Pausas nas sílabas 4, 6, 10 e 12):

Misterioso monte é neste mundo a vida!


Os versos mencionados acima pertencem ao poema “A ceia dos cardeais”, peça em um ato em verso, representada pela primeira vez no antigo teatro D. Amélia, em 28 de Março de 1902. O autor, Julio Dantas (1876-1962), português de Lagos, Algarve, compôs em diversos gêneros literários, desde o romance, passando pelo ensaio, poesia, teatro, tradução, crônica e conto. Colaborou com produções suas em vários jornais e revistas portugueses e estrangeiros.


Uma estrofe de “A ceia dos cardeais” totalmente composta em alexandrinos:


CARDEAL RUFO


Sobre um beijo outro beijo e sobre um ano outro ano...

Como envelhece a gente, o Velho Vaticano!

A política... O mal que se faz e desfaz

No mistério subtil destes panos de Arrás...

A intriga na sombra, os passos sempre incertos...




Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h21
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Soneto e música

O soneto tem uma proximidade muito grande com a música, pelo ritmo presente na sua forma de composição métrica e normalmente rimada. A palavra soneto é de origem italiana e significa “pequeno som”. Na Itália, onde surgiu durante a Idade Média, o soneto era a letra de uma pequena melodia. O ritmo, portanto, é fundamental para a construção do soneto. Como exemplo, um soneto com ritmo marcante, resultado do perfeito enquadramento na metrificação e das rimas consoantes que apresenta. Um detalhe: muitas das palavras utilizadas pelo poeta para compor seu soneto não constam em qualquer vocabulário da língua portuguesa. Vejam que maravilha:


A uma deusa

(atribuído ao poeta Luís Lisboa, do Maranhão)


Tu és o quelso do pental ganírio

Saltando as rimpas do fermim calério,

Carpindo as taipas do furor salírio

Nos rúbios calos do pijom sidério.


És o bartólio do bocal empírio

Que ruge e passa no festim sitério,

Em ticoteios de partano estírio,

Rompendo as gâmbias do hortomo-genério.


Teus lindos olhos que têm barlacantes

São camencúrias que carquejam lantes

Nas duras pélias do pegal balônio.


São carmentórios de um carce metálio,

De lúrias peles em que pulsa obálio

Em vertimbáceas do pental perônio.



Fontes deste e dos posts anteriores sobre sonetos:


Dicionário de Rimas da Língua Portuguesa - José Augusto Fernandes

A Criação Literária - Poesia - Massaud Moisés

Como Ler Poesia - José de Nicola Ulisses Infante



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h05
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Dianne Reeves - Jazz Mais

Data: 19/05/2005 - hoje! - Hora: 19h e 21h (vou nesse!)     Local: CCBB

Imperdível o show de hoje à noite: Dianne Reeves, que integra o seleto grupo de damas do jazz contemporâneo. Conhecida pelo virtuosismo vocal, com alcance de três oitavas, e pela capacidade de improvisação, a cantora conquista platéias do mundo inteiro pela fusão do jazz com outros estilos, como R&B (rhythm & blues), gospel e soul. No show de hoje ela estará acompanhada do violinista e guitarrista brasileiro Romero Lubambo. Dianne Reeves coleciona prêmios Grammy. Recentemente, três de seus trabalhos conquistaram as categorias de melhor performance vocal de jazz. Um dos grandes premiados de sua carreira é A little moonlight, álbum de 2003 produzido com o lendário Arif Mardin, que trabalhou com Aretha Franklin e Norah Jones. O disco reúne dez standards em versão intimista. Outros que se destacam é In the moment, de 2000, primeiro ao vivo, e Quiet after the storm, de 1995. Interessante a comparação feita pelo Correio Braziliense a respeito do preço dos shows de três Dianas que recentemente fizeram shows em Brasília:

Diana Krall - R$ 500,00 a R$ 130,00

Diane Schuur - R$ 260,00 a 130,00

Dianne Reeves - R$ 15,00 a R$ 7,50

A gritante diferença de preços com toda certeza não está na qualidade musical.

Fonte: Correio Braziliense



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h49
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Soneto inglês (ou shakesperiano)

Um clássico - e belo - soneto inglês (3 quartetos e 1 dístico) de David Mourão Ferreira:


Ternura


Desvio dos teus ombros o lençol,

que é feito de ternura amarrotada,

de frescura que vem depois do sol,

quando depois do sol não vem mais nada...


Olho a roupa no chão: que tempestade!

Há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio...


Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...


Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos, assim que estamos sós!



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h32
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Soneto italiano (ou clássico)

O soneto clássico se forma com 2 quartetos e 2 tercetos. O soneto é a poesia inteira contida em 14 versos, normalmente decassílabos. É uma das mais perfeitas formas de poesia no gênero lírico. E das mais difíceis também, uma vez que nos 14 versos enquadra toda uma sentença poética, todo o enredo de uma pequena história vivida ou imaginada pelo autor.

Massaud Moisés chega a dizer que na construção do soneto revela-se o bom e o mau poeta: “(...) o soneto tem constituído uma espécie de pedra de toque para todos quantos se abalançam a escrever poesia. Ainda nos dias que correm continua a ser uma esfinge a propor enigmas que desafiam a todos, talentosos e medíocres: reduzir a catorze versos um conjunto de sentimentos por certo ávidos de se espraiarem em outras estrofes. Nessa redução é que se revela a mestria ou a bisonhice do poeta: no primeiro caso, a limitação material casa bem com a contenção e profundidade do pensamento poético; no segundo, a limitação sufoca ou mesmo acaba sendo excessiva para o curto vôo da imaginação e da sensibilidade, e o poeta emprega palavras excrescentes para preencher os vazios da sua frágil intuição.”

Um exemplo que marca a nossa memória é o soneto XIII, do longo poema Via Láctea (composto de 35 sonetos), de Olavo Bilac:

 

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...


E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas".




Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 19h06
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Balancete

esquina ainda por virar 

quando já estava quase esquecido 

o gosto de virá-las

  José Paulo Paes



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h22
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O último post sobre "O lugar do escritor"

Estou achando interessantíssimo conhecer a intimidade dos locais de trabalho dos escritores. Vamos mais a fundo. Se o escritor tem um lugar próprio, um escritório mesmo que seja em casa, como é? O ambiente é organizado? É cheio de livros? Ou ele trabalha em meio ao caos? A seguir as revelações do livro:

 

·          Possuem escritório organizado e/ou biblioteca, mesmo que sejam em casa (pode até ser um quartinho), tudo muito bem montado (15): Moacyr Scliar, José J. Veiga, Lygia Fagundes Telles, Régis Bonvicino, Silviano Santiago, Augusto de Campos, José Paulo Paes (morreu em 1998), Campos de Carvalho (passou 30 anos sem escrever, até morrer em 1998), Manoel de Barros, Marilene Felinto, Modesto Carone, Cristovão Tezza, Autran Dourado, Carlos Heitor Cony e Bernardo Carvalho.

 

“Durante muito tempo tive o escritório dentro de casa, como a maioria dos escritores. Mas não gostava da forma como a vida social e profissional se cruzavam. Em casa, não tinha a disciplina necessária ao ofício. Acordar cedo, tomar café e me arrumar para ir trabalhar num outro espaço é importante. Montei o escritório no apartamento ao lado do prédio onde moro. É funcional, mas sem muito conforto, para não virar uma segunda casa. Venho para cá todos os dias e fico das sete ao meio-dia, inclusive aos sábados e alguns domingos. Coloquei uma cama aqui para hospedar alguma visita. Mas veja! Os livros tomaram conta também.” Silviano Santiago

 

·          Possuem escritório simples, em casa, normalmente com uma mesa e uma estante de livros (6): Rubens Figueiredo, Paulo Coelho, Carlos Sussekind, Milton Hatoum, Ana Miranda e Paulo Lins.

 

“Não durmo com facilidade em nenhum lugar. Meu sono é escasso. A escrivaninha fica a três passos da cama. Levanto, lavo o rosto, tomo café, volto para cá e começo a trabalhar desde cedo.” Rubens Figueiredo

 

·          Têm escritório montado, porém a organização não é o forte. Pilhas de livros, jornais no chão, etc. (4): Patrícia Melo, Luis Fernando Verissimo, Ignácio de Loyola Brandão, Hilda Hilst (morreu em 2004).

 

Continua no post abaixo...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 21h19
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Continuação de o último post sobre "O lugar do escritor"

 

·          Escritórios desorganizados, com estantes abarrotadas e livros amontoados, até mesmo no chão, aparentemente um caos (3): Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro e Haroldo de Campos.

 

“A árvore plantada na calçada está invadindo a janela do escritório...

Esta árvore foi crescendo para o lado de cá e terminou fechando a janela. De vez em quando vêm os operários da prefeitura e cortam, mas felizmente eles pararam de cortar. Eu deixo aí. Tinha até um galho que já estava entrando aqui. É minha companheira de trabalho. Ela e o gato que senta no meu colo quando estou escrevendo.” Ferreira Gullar

 

 

·          Possui gabinete de trabalho, mas não mostrou nem disse como é (2): Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz.

 

“No meu escritório ninguém entra. Nenhum repórter entrou. Quanto mais um fotógrafo. Não e não. Ali é o santuário da gente.” Rachel de Queiroz

 

·          Não deu nenhuma pista sobre sua oficina de trabalho (5): Adélia Prado, Bernardo Ajzenberg, Jorge Amado (morreu em 2001), João Gilberto Noll e Nélida Piñon.



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 21h17
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Ainda sobre "O lugar do escritor"

Como estou dizendo no post abaixo, muitos desses escritórios são magníficos. Mas interessante mesmo foi notar que alguns escritores mantêm uma cama no seu local de trabalho. Com certeza, quem não gosta de ler na cama? Vi o móvel nas fotos de Ariano Suassuna, Silviano Santiago (não vi, mas ele declarou que tem), Rubens Figueiredo, Paulo Coelho (seu escritório parece ser um grande apartamento, mas o local específico de trabalho é bem simples), Modesto Carone e Cristovão Tezza (ele aparece deitado num sofá, lendo um livro, tendo atrás uma grande estante repleta de livros). Olhem só, somente homens.



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 21h15
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Mais sobre "O lugar do escritor"

As fotos do livro “O lugar do escritor”, de Eder Chiodetto, são realmente muito reveladoras.  Com base nelas e nos textos do livro resolvi fazer um outro levantamento: qual o lugar preferido dos escritores para escrever?

 

·          Escrevem em qualquer lugar, em casa ou em outros ambientes (7): Adélia Prado, Moacyr Scliar, Jorge Amado (morreu em 2001), João Gilberto Noll, Milton Hatoum, Luis Fernando Verissimo e Nélida Piñon.

 

“É o fotógrafo que te espera, diz Zélia. O escritor levanta e senta à cabeceira da mesa da sala de jantar. Tenho a dizer que sempre gostei de escrever nessa mesa, no meio de todas as coisas, vendo todo o movimento da casa.” Jorge Amado

 

·          Escrevem no escritório (mesmo que seja em casa) (22): José J. Veiga (mas já escreveu um livro inteiro numa praça), Ariano Suassuna, Lygia Fagundes Telles, Régis Bonvicino, Patrícia Melo, Silviano Santiago, Rubens Figueiredo, Augusto de Campos, João Ubaldo Ribeiro, José Paulo Paes (morreu em 1998), Rachel de Queiroz, Campos de Carvalho (passou 30 anos sem escrever, até morrer em 1998), Haroldo de Campos, Manoel de Barros, Paulo Coelho, Modesto Carone, Cristovão Tezza, Carlos Heitor Cony, Ana Miranda, Paulo Lins, Bernardo Carvalho, Hilda Hilst (morreu em 2004).

 

“Logo ao acordar, me mantinha fechada com a máquina de escrever em meu quarto. Só me liberava para sair de lá após escrever no mínimo quinhentas palavras. Alguns dias eram terríveis porque não conseguia escrever e saía do quarto só no final da tarde, para brincar com os cachorros.” Hilda Hilst

 

A conclusão é óbvia: a grande maioria dos escritores precisa se recolher ao seu mundo para escrever. Muitas dessas oficinas de trabalho são magníficas, com uma quantidade inacreditável de livros pelas estantes e objetos de arte espalhados por toda parte. Interessante, ainda, o relógio que Hilda Hilst mantinha na entrada do seu escritório, com ponteiros quebrados e a inscrição: “é mais tarde do que supões”. Ou a placa da antiga tipografia do avô que José Paulo Paes tem na entrada do seu escritório: “Casa Guimarães Typographia. J. V. Guimarães Livraria e Papelaria”. Paulo Coelho, entretanto, mantém uma banheira de hidromassagem no que parece ser seu amplo escritório com vista para o mar.



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 20h56
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O lugar do escritor

Acabo de ler um livro que recebi hoje, via sedex, encomendado na Cosac&Naify. Trata-se de “O lugar do escritor”, de Eder Chiodetto. Creio que poucas vezes podemos concordar em tão amplo grau com o texto de apresentação de um livro. Esse é um caso em que podemos. Na contracapa lemos: “Ao longo de cinco anos, Eder Chiodetto visitou 36 escritores brasileiros: de Adélia Prado a João Cabral de Melo Neto, de Haroldo de Campos a Lygia Fagundes Telles, de Ariano Suassuna a Paulo Lins. Além de colher seus depoimentos, o fotógrafo captou detalhes dos ambientes de trabalho. Penetrou no território de suas bibliotecas e compôs um retrato sensível de cada um deles. O Lugar do escritor é um painel fascinante que junta imagem e palavra, confissão e memória, diálogo e reportagem.” Realmente há fotos interessantíssimas, reveladoras, íntimas do mundo restrito dos escritores. E confissões muitas vezes surpreendentes. Valeu o investimento.

 

Aproveitei as informações do livro para fazer um pequeno levantamento. Quantos autores ainda escrevem à mão em singelos cadernos? Quantos ainda não abandonaram a máquina de escrever? Quantos são adeptos do computador? E quem são eles?

 

·          Escrevem à mão ou preferem escrever à mão (9): Adélia Prado, Ferreira Gullar, Ariano Suassuna (depois datilografa numa máquina antiga), Haroldo de Campos, Manoel de Barros, João Gilberto Noll, Milton Hatoum, Cristovão Tezza e Nélida Piñon.

 

“Gosto de escrever com canetas modestas e em cadernos pequenos. Tenho uma alegria especial quando a caneta falha e acaba a tinta. Significa que avancei um pouquinho no texto. Que em algum lugar, sob a forma de palavras, deixei a tinta.” Nélida Piñon

 

·          Escrevem na máquina de escrever (4): Lygia Fagundes Telles, Rachel de Queiroz, Campos de Carvalho (passou 30 anos sem escrever, até morrer em 1998) e Hilda Hilst (morreu em 2004).

 

“Lygia datilografa, pára, pinta o erro com corretor líquido no papel sulfite e prossegue. Revisa o que acabou de escrever e parece descontente com o resultado. Retira o papel da máquina, corta a parte ruim com a tesoura, emenda em outra folha com cola, recoloca o papel na máquina e volta a escrever. — Ganhei um computador de presente do meu editor. Está no quarto, dentro do guarda-roupa. Nem tirei da embalagem. Quando terminar meu próximo livro talvez aposente a máquina de escrever e use o computador.” Lygia Fagundes Telles

 

Continua no próximo post...



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h46
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...O lugar do escritor (continuação)

·          Escrevem no computador (4): José J. Veiga (mas já escreveu um livro em um caderno), Augusto de Campos (um Macintosh), Carlos Heitor Cony (um notebook) e Paulo Lins.

 

“Às vezes, diante do computador, fico com o texto aberto e não consigo escrever. Mas tenho que continuar ali, parado, esperando. Acontece de passar uma madrugada inteira e nada. Outras vezes, em meia hora escrevo duas ou três páginas e é maravilhoso.” Paulo Lins

 

·          Não foi possível identificar (mas têm um computador na mesa de trabalho) (13): Moacyr Scliar, Régis Bonvicino, Patrícia Melo, Rubens Figueiredo, João Ubaldo Ribeiro, José Paulo Paes (morreu em 1998), Marilene Felinto, Paulo Coelho, Carlos Sussekind, Luis Fernando Verissimo, Autran Dourado, Ana Miranda e Bernardo Carvalho.

 

“Onde

Régis Bonvicino

 

Onde eu escrevo

há o ruído

do lixo da cidade depois

de recolhido

sendo triturado

 

há um abajur

uma cômoda

com espelho

e uma cama

desarrumada

 

o outono está próximo

a janela fechada

 

um cansaço súbito

toma conta das palavras”

(este poema não está no livro)

 

·          Não deram nenhuma pista: Bernardo Ajzenberg, Silviano Santiago, Jorge Amado (morreu em 2001), Modesto Carone e Ignácio de Loyola Brandão.

 

·          Não escreve mais: João Cabral de Melo Neto (“estou cego”).



Categoria: Li, tô lendo, vou ler, vi
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h44
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Oficina de criação poética

Poemas reescritos buscando valorizar a melodia, segundo as sugestões do nosso poeta-mestre Marco Antunes e dos colegas, na oficina de hoje:


Quem me dera o seu beijo

em Minas

               na fazenda

                                 com café

quem me dera um pão de queijo...


*****


Um vento forte

balança a árvore da minha infância

balança pra cá

balança pra lá...


Ah! Saudade da minha avó

que gostava de rede.


*****


Resumo


Quis saber se me amava

e suprema audácia

respondeu que eu usava

uma bonita gravata!

Me disse:

moço,

não tenho nada com isso,

não quero mais compromisso


um dia

se a saudade bater

e a vontade vier

aí eu te vejo,

te chamo pr'um beijo,

um trago,

um passeio,

um aperto de mão

e algo mais que deságüe

no meu coração.”


 Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 10h22
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Publico um lindo poema da nossa colega Anabe, participante conosco da oficina de criação poética:


Pensamentos

            Anabe


pensamentos são como ondas do mar,

bravios

quebram na praia,

revolvem a areia

misturam-se a sentimentos.


mal se cumpre, a onda

retorna.

retorna, se embate com outra

onda vai,

onda vem,

onda vem,

onda vai.


pensamento

tempestade

tormento

lamento.


misturam-se ondas

embatem-se os pensamentos

mentes como mar turbulento.


acalma-se o mar

vêm breves brisas

mansos pensamentos.


até quando mansos?

até os próximos ventos.



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h20
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Poema erótico frente tua necessidade

 

Se desejavas tanto

tatear-me no escuro

a noite é esta

sem lua

                               aproveita o manto

                               a sombra do muro

                               acha a fresta

                               desabotoa

                                                            não causo espanto

                                                            sou pouco maduro

                                                            o que me resta

                                                            recua

                                  (frente tua necessidade de algo que fira)

 

 Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h16
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Jornada de um ser pela face de outro ser

 

Lembro-me que nasceu oportunista

em um momento único de contentamento

quando ele queria e viu realizado

e produziu essas certas substâncias inesperadas

 

Ainda vejo-a surgindo

em um canto especial do corpo

dócil, consciente e preparado para a criação original

 

Iniciou sua caminhada de forma lenta

mostrando-se à realidade

descobrindo-se peregrina

quando explorou o terreno fértil

a ela concedido

face a face com o mistério

de sua exposição

 

Enfrentou as rochas e sulcos

ali colocados pelo tempo

mas conseguiu ser célere

pois o sentido lhe era favorável

 

Tanto fez que acabou por cruzar

com altivez e brilho (próprios da sua natureza)

o último obstáculo:

o monte vermelho e úmido

que finda em abismo voraz

 

Enfim, morreu

como se vão os predestinados

engolida em calda quente

mas de forma quase imperceptível

 

E tudo porque, agora sei,

em seu íntimo alimentava o sonho

de revelar a ele seu gosto salgado

de lágrima

 

         Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 17h08
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Uma coisa bela 

 

"A thing of beauty is a joy for ever:

Its loveliness increases; it will never

Pass into nothingness;"

John Keats, poeta romântico inglês (1795-1821)


"Uma coisa bela é uma alegria para sempre:

Seu encanto só faz crescer; nunca ela será

reduzida a nada;"






Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 16h10
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Divulgo o evento abaixo a pedido do poeta que faz história em Brasília, nosso amigo Nicolas Behr. Muito interessante para quem gosta e quer saber mais sobre poesia de qualidade.

"BRASÍLIA, POESIA, NICOLAS BEHR"

SESC LEITURAS ITINERANTES: WORKSHOP "BRASÍLIA, POESIA, NICOLAS BEHR"

DIAS 17, 18 E 19 DE MAIO HORÁRIO: 19H AS 22H

LOCAL: MÓDULO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO SESC, EM TAGUATINGA NORTE

PALESTRANTE: NICOLAS BEHR

VALOR (INCLUI APOSTILA): R$10,00 INSCRIÇÕES: 445.4420/4415 OU 9995.6141 – Ana Galli

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

1º DIA - análise da poesia brasileira dos anos 70;

2º DIA – a presença da poesia sobre Brasília na poesia brasileira;

3º DIA - análise do processo criativo, das obras do poeta Nicolas Behr e como podemos trabalhar a poesia em sala de aula.

Para mais informações, entrar em contato com Ana Galli, pelos tels.: 445.4420/4415 ou 9995.6141



Categoria: Evento
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 20h08
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Feliz dia das mães!

Provavelmente o primeiro poema que li em toda a minha vida. Era um livro de poesias que ficava, quieto, em uma estante no apartamento onde morávamos. Eu devia ter uns dez ou doze anos e gostei de olhar aquilo, folheá-lo e descobrir: ora, escrevem-se assim!... Aquele livro ficou lá e, a partir daquele momento, tomei-o como meu. O primeiro poema que li aproveitei mais tarde, em um dia das mães,  em um cartão que fiz para a minha mãe. Eu era criança, e ela abriu um sorriso... O poeminha dizia assim:

 

“Mãe

 

Se Deus atendesse um dia

Minha prece ingênua e doce

Quem fosse MÃE não morria

Por mais velhinha que fosse.”

 

Lapagesse

 

Pois bem, o livro hoje está na minha prateleira. Chama-se Brincando de Esconder com o Tempo. O autor é Olympiades Guimarães Corrêa. O poema acima está citado na pág. 27, talvez a primeira página de poesia por mim lida.

 

 



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 09h19
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Oficina de criação poética

Hoje é aniversário do nosso amado mestre, o poeta Marco Antunes. Escritor, professor de Literatura, e servidor da Câmara dos Deputados, onde organiza atualmente 13 atividades, como Oficinas, Ciclo e Clube de Leitura, Convescotes e Saraus. Além disso, é ator, já tendo trabalhado com Paulo Autran sob a direção de Celso Nunes em "A Vida de Galileu" de Brecht, diretor teatral, dramaturgo, roteirista e apresentador do Programa Prosa e Verso, que vai ao ar todo sábado 9h na Rádio Senado. Cultiva outras artes, como a culinária, por exemplo, sua favorita. Pai de dois filhos já formados, natural de Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 6 de maio de um ano qualquer na História, está em Brasília desde 1969, considerando-se assim, acima de tudo brasiliense.

Se na prosa, Marco tem um estilo suave, dir-se-ia até poético, na poesia o humor se une à ironia para compor uma obra dividida até o presente em 6 livros:

A Morte - Arcano Zero de um Tarô Pessoal

A Viagem-Primeiro Arcano de um Tarô Pessoal

O Teatro-Segundo Arcano de um Tarô Pessoal

O Espelho-Terceiro Arcano de um Tarô Pessoal

O Amante-Quarto Arcano de um Tarô Pessoal

A Casa de Deus-Quinto Arcano de um Tarô Pessoal


Parabéns, poeta!


Veja no post abaixo uma lição de poesia, que resume o que ele se dedica a nos passar nos encontros da Oficina de Criação Poética...



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h13
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O viajante e a poesia

Marco Antunes


A verdadeira poesia tem forma de acaso,

de flor que nasceu sem ofício de homem,

de roupas em varal que a luz contornou,

de vida baldia onde a relva cresceu

ou de estrelas esparramadas no firmamento.


Tenho preguiça de poesia química,

da poesia de jardineiros e decoradores,

desses deuses auto-didatas que improvisam primaveras

onde seria belo o outono...

E tenho feroz antipatia por empalhadores de pássaros!


A poesia é um momento que deu certo

quando tantos outros goraram!


Eu, viajante, sei que a poesia

se escreve na pauta dos trilhos

e se recita com apito de trem.


Eu, viajante, colho a poesia pelas janelas do meu vagão

que veloz me mostra sem tempo de artifícios.


Gosto de poesia desbocada, mal educada,

da poesia dos becos da alma e das emoções de subúrbio,

da poesia inconfessável dos cortiços da mente,

da poesia estendida no verso como roupas no varal,

da poesia lassa dos gatos nos parapeitos de casas molambas,

da poesia de adélias e coras!


Gosto da poesia rústica das paisagens rurais,

e da poesia inexpugnável das montanhas

e da que se adivinha acima delas.


Gosto da poesia

que a forma veste inutilmente


e que por baixo se adivinha o quanto é nua:

poesia de mulher vadia na pele de uma dama.


Gosto da poesia que cabe nos sonetos

e que rompe neles a forma fixa

como as flores rompem as grades dos portões

e porque os sonetos são paisagem de casas iguais

que a vida humana decora a seu jeito de acaso

e que em cada verso traz a descoberta de uma janela.


Veja mais sobre o poeta Marco Antunes em http://literaturas.sites.uol.com.br



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 14h10
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NASA World Wind 1.3* em Inglês

http://www.gratis.com.br/index.mv?pagina=detalhes&pos=467

Não experimentei, mas o www.gratis.com.br diz o seguinte: "Este fantástico programa, desenvolvido pela NASA e totalmente gratuito, lhe permite localizar e ver em 3D qualquer ponto da Terra, a partir do espaço, em diferentes aproximações. Com o World Wind você pode rotacionar a Terra e se aproximar de qualquer ponto do planeta em segundos. O servidor de imagens de satélites da Nasa fornece as imagens pela Internet e estas vão sendo carregadas automaticamente no World Wind à medida que você se aproxima dos locais que deseja ver de perto. Assim como nos filmes do cinema as imagens primeiro aparecem embaçadas e logo vão sendo substituidas por imagens mais nítidas até o momento em que é possível observar o relevo em 3D! Impressionante! Nos nossos testes, que demoraram cerca de 2 dias, viajamos literalmente o planeta todo e pudemos ver de perto locais famosos como as Pirâmides do Egito, as Cataratas do Niágara, a Hidroelétrica de Itaipú, a Ponte da Amizade, o Lago Titicaca, o Canal do Panamá, a Torre Eifel, o Deserto do Saara, o Eurotúnel, o Canal de Suez, o Estreito de Gibraltar, a Ponte Rio-Niterói, Brasilia, a Muralha da China, a Praça Vermelha em Moscou, a Cidade Proibida de China, Beijing (Pequim), as Bahamas, os Desertos da Austrália, o Monte Everest, o Central Park de Nova Iorque, Walt Disney World (veja imagens na matéria que fizemos), Cabo Carnaveral e centenas de outros lugares incríveis! O World Wind é uma forma super divertida de aprender geografia enquanto passeia pelo mundo. Com certeza você e sua familia vão se apaixonar por ele."



Categoria: Link
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h36
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T. S. Eliot (Thomas Stearns Eliot , 26 Sept. 1888-4 Jan. 1965), poeta, crítico e editor norte-americano.

Burnt Norton

O tempo presente e o tempo passado

Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,

E o tempo futuro contido no tempo passado.

Se todo o tempo é eternamente presente

Todo o tempo é irredimível.

O que podia ter sido é uma abstração

Permanecendo possibilidade perpétua

Apenas num mundo de especulação.

O que podia ter sido e o que foi

Tendem para um só fim, que é sempre presente.

Ecoam passos na memória

Ao longo do corredor que não seguimos

Em direção à porta que nunca abrimos

Para o roseiral. As minhas palavras ecoam

Assim, no teu espirito.

Mas para quê

Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa

Não sei. (...)

 

 

 

 

 

Do not let me hear

Of the wisdom of old men, but rather of their folly,

Their fear of fear and frenzy, their fear of possession,

Of belonging to another, or to others, or to God.

The only wisdom we can hope to acquire

Is the wisdom of humility: humility is endless.


Não me deixe ouvir

sobre a sabedoria dos anciãos, mas sobre sua tolice,

seu medo do medo e do fervor, seu medo da posse,

de pertencerem a outro, ou a outros, ou a Deus.

A única sabedoria que podemos esperar adquirir

é a sabedoria da humildade: a humildade é sem fim.

                                       

(Tradução: Ricardo Senna Guimarães)



Categoria: Poesia do dia
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h36
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A estação das folhas

Estamos no outono! O frio e o ar seco já começam a nos espreitar, com o claro objetivo de nos seqüestrar pelos próximos quatro a cinco meses. Não há como fugir, seremos suas próximas vítimas. Penso no poeta que acaba de receber a seiva de um novo poema, que sente a necessidade expressa de fazer chegar essa seiva, esse caldo alimentício, às folhas brancas de papel para exibi-las exuberantes. A seiva vem forte, quer subir, e o poeta, com mãos ágeis vai jogando no papel as idéias. E elas não casam a princípio. E as tentativas vão gerando folhas escritas, rabiscadas, jogadas ao chão, até que o poeta chega à sua construção desejada: o poema. As árvores, no outono, estão escrevendo poemas. E as tentativas geram folhas ao chão.


Folhas ao chão


Há uma seiva que vem do chão e corre dentro de mim

que me coça os pés raízes

que me sobe as pernas varizes

que me cursa os braços galhos

que me entranha aroma narizes

que me alcança a cabeça crises

e me gera frutos retalhos.


Essa seiva densa que me diz coisas vazias embaralho

me traz palavras vãs e alguma poesia abandono

devolvo em folhas soltas jogadas ao chão assoalho

como bem sabem fazer as árvores após o verão outono.


 Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 13h24
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Uau! Pela primeira vez na vida ganhei um sorteio! A revista ainda não chegou, vamos aguardar... Quando chegar eu aviso. O site da promoção é o www.paralelos.org

Resultado Promoção Poesia Sempre
por Augusto Sales

Paralelos e a Fundação Biblioteca Nacional encaminham três exemplares da revista Poesia Sempre, editada pela Fundação Biblioteca Nacional e que neste número homenageia Augusto de Campos.

Os vencedores, que entre tantos outros responderam corretamente que o nome do irmão famoso do autor homenageado desta edição da Poesia Sempre, agraciados pela sorte são:

Ricardo Senna Guimarães; (ói eu aí!)
Alex Camilo; e
Paulo de Toledo.

Paralelos agradece a participação dos leitores.

Fique de olho que novas promoções estão no gatilho.



AUGUSTO Sales é boa praça, não ganha a vida como escritor, não fuma e - parafraseando Paulo Mendes Campos - nunca tentou suicídio. Augusto mantém o blog epiderme, espaço para experimentação e indiscrição.

Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h31
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Fogos

 

 

Ouço fogos quando me beijas

subindo aos céus

como chamas de um vulcão

que em meus braços

entra em erupção

lançando doces brasas por todos os poros.


Ouço fogos a cada beijo

sobre nossas cabeças iluminadas

sobre nossas loucuras de madrugada

quando espreitam-nos fadas

que nos levam a voar junto com elas

(borboletas sobre as atividades terrenas).


Ouço fogos no seu peito

e fogos me fazem pensar

que há mais

muito mais

que estrelas no céu...


Ah, menino!

Seus pais não lhe ensinaram

que não se deve

soltar fogos de artifício

sobre casais entrelaçados?


 Ricardo Senna Guimarães



Categoria: Poemas meus
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 12h12
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A natureza e suas formas perfeitas

                           Foto: Elizabeth Peña, em http://ridingthelush.com/index2.html

Para começar a semana quero valorizar a natureza e suas formas perfeitas, entre elas as listras e as sombras.



Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h52
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A passagem do tempo

http://zonezero.com/magazine/essays/diegotime/time.html

Classificação:

Durante vinte e sete anos, sempre no dia 17 de junho, um fotógrafo argentino fotografou os rostos de cada membro de sua familia, inclusive ele próprio, sempre na mesma posição e no mesmo lugar. Primeiro o casal, depois com a inclusão de cada filho, na sua chegada. Agora, colocaram a sua experiência na internet, o resultado é comovente. É um verdadeiro poema sobre a passagem do tempo. O ritual da nossa vida sobre a terra.



Categoria: Link
Escrito por Ricardo Senna Guimarães às 11h47
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